Rio – Ser preto ou pardo no Brasil representa uma desvantagem conforme revela a Síntese de Indicadores Sociais 2.005, que acaba de ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A taxa de analfabetismo da população preta e parda continuava, em 2.004, mais que o dobro da apresentada pela população branca (16% contra 7%), o mesmo ocorrendo em relação ao analfabetismo funcional: 18% da população branca tinha menos de quatro anos completos de estudo, percentual superior a 30% para pessoas de cor preta e parda.
A freqüência escolar também é outro indicador da desvantagem: nos grupos etários entre 15 e 17 anos e de 20 a 24 anos, a diferença entre brancos, pretos e pardos chegou a cerca de seis pontos percentuais.
A escolaridade diferenciada tem influência no mercado de trabalho: as pessoas ocupadas de cor branca, tinham, em 2004, em média, 8,4 anos de estudos e recebiam mensalmente 3,8 sala´rios mínimos. Em contrapartida, a população preta e parda ocupada apresentava 6,2 anos de estudo e 2 salários mínimos de rendimento.
O dado não revela, contudo, outro tipo de desvantagem, uma vez que a diferença de escolaridade não é suficiente para explicar a desigualdade dos rendimentos: embora a média de anos de estudo de pretos e pardos tenha sido 74% da média dos brancos, o rendimento médio mensal da população ocupada preta e parda representou apenas 53% do rendimento dos brancos.
Até mesmo entre pessoas com a mesma escolaridade, observa-se um diferencial significativo em todos os grupos de anos de estudo, com a população ocupada de cor branca recebendo sistematicamente mais que os pretos e pardos. A maior diferença foi encontrada entre os grupos de maior escolaridade: entre aqueles com pelo menos o ensino médio concluído (12 anos ou mais de estudo), os brancos recebiam, em média, R$ 9,1 por hora, enquanto que os pretos e pardos tinham um rendimento hora médio de R$ 5,5.
A distribuição da população segundo a cor manteve o padrão observado nos últimos anos: 51% de autodeclarados brancos; 42% de pardos; 6% de pretos; e cerca de 1% de cor amarela ou indígena. O maior percentual de pessoas de cor branca foi encontrado na região Sul (83%). As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentavam uma maior participação de pardos (71%, 64% e 51% respectivamente).
A maior proporção de pessoas que se declaram de cor preta está no Sudeste (7%), embora seja a Bahia, o Estado com maior participação da população negra (13,1%), com destaque para a região metropolitana de Salvador (24%).

Da Redacao