Por conseguinte, analisa como esta participação dialoga com sua inserção na estrutura sociocupacional do país.
Aquece o debate contra a discriminação racial, ao salientar que, embora a taxa de eficiência do aluno/a negro/a esteja avançando mais do que a do aluno/a branco/a nesses últimos anos, como as mudanças têm sido muito lentas, a estrutura desigual permanece quase inalterada, dando a impressão, dependendo da forma como os números são divulgados, que os negros/as não têm avançado em termos de rendimento. O que não é verdade.
Por outro lado, apesar dos tímidos avanços quantitativos, em termos qualitativos, ainda são nítidos os sinais de discriminação sobre as populações negras. Ao cruzar informações – educação/mercado de trabalho, nota-se que a falta de equidade no tratamento com crianças brancas e negras no espaço escolar é um fator grave, pois interfere não só no rendimento do aluno negro, mas na formação da sua identidade enquanto NEGRO/A.
Sintomático é notar que em situações de maior penúria econômica, brancos/as e negros/as se aproximam mais. Na escola, em termos de rendimento; no trabalho, em termos dos baixos salários. Á medida que aumenta o nível socioeconômico dos envolvidos e a qualidade da estrutura educacional ofertada, o tratamento discriminatório contra negros/as não regride. Fato este que vai de encontro à idéia de que o problema no Brasil é muito mais econômico que racial.
Nota-se que, sob a idéia de exclusão social calcada em critérios socioeconômicos, subjaz uma latente desigualdade racial que é retroalimentada cotidianamente, seja na escola, seja no trabalho.
Concluiu-se que a população negra tem sido preterida, quando se apresenta apenas políticas universalistas que não atentam para a especificidade do processo histórico que torna o homem NEGRO, com toda a carga de luta e discriminação que esta palavra carrega, socialmente localizado.
Daí, a importância da lei 10.639/2003, que vem regulamentar sobre a necessidade da abordagem sobre as relações étnico-raciais, a História e a Cultura afro-brasileira e africana, na formação de professores, da Educação Infantil e da Educação Básica. Como forma de conscientizar sobre a gravidade da questão racial no Brasil.
Este é um trabalho que diz respeito a toda a sociedade, e ao poder público em todos os âmbitos, federal, estadual e municipal.

Renísia Cristina Garica Filice