Brasília – O estudante Marcelo Valle Silveira Mello, 20 anos, da Universidade de Brasília, que, na sexta-feira, dia 05/08, teve os seus computadores apreendidos por decisão da Justiça do Distrito Federal, é o mesmo que atacou a AfropressAgência Afro-étnica de Notícias, tirando o site do ar desde o dia 30 de julho passado.

A Afropress volta ao ar, a partir de amanhã, 08/08. A identificação do estudante foi possível graças às informações obtidas junto ao Provedor Hotel Web, de Curitiba, que hospedava a Afropress. Com base nessas informações, a jornalista Dolores Medeiros, coordenadora da Agência, localizou em um site de vendas o email “Br0k3d – o justiceiro”, o mesmo endereço eletrônico encaminhado a Afropress com ameaças.

No site de vendas o endereço aparece como sendo de alguém que teria comprado um gato de um rapaz de Brasília. Foi por intermédio desta compra que foi possível identificar quem se esconde por trás do “br0k3d – o justiceiro”: Marcelo Mello.

Na última quarta-feira, Dolores e Dojival Vieira, responsáveis pela Agência estiveram com o promotor Christiano Jorge Santos, do Ministério Público de S. Paulo, que conduz as investigações sobre crimes na Internet. Santos, então fez contato com o colega em Brasília e na sexta-feira, 05/08, o mandado de busca e apreensão foi autorizado e cumprido pela Justiça.

Em apartamentos de Marcelo Mello e familiares, nas Asas Norte e Sul, bairros de classe média do Distrito Federal, foram apreendidos dois computadores,vários CDs e disquetes. Segundo o promotor Marcos Antonio Julião, do Centro de Apoio Operacional do Combate ao Crime Organizado do MP de Brasília, o estudante será denunciado formalmente nos próximos dias. “Já temos elementos suficientes para denunciá-lo”, afirmou o promotor.

Se condenado ele pode pegar de 2 a 5 anos de prisão por fazer a apologia do crime de racismo – considerado inafiançável e imprescritível pela Constituição brasileira. O Ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiz Fernando Martins da Silva, disse que acompanhará o caso e considerou que a ação da Justiça para punir os responsáveis contra a Afropress “é pedagógica”.

A sabotagem contra a Afropress aconteceu no sábado dia 30 de julho. O acesso e a postagem de informações tornou-se impossível no que, a princípio, parecia uma pane no sistema. No dia 02 de agosto, terça-feira, às 13h52, Marcelo Mello escondendo-se sob o endereço eletrônico “br0k3d – o justiceiro” mandou o primeiro comunicado. “Relaxa que ainda vai falir”.

O texto mistura cinismo adolescente com agressividade. “Olá, Pode ficar calminho que o ataque desse fim de semana só foi o primeiro de muitos. Só vou me contentar quando eu falir essa porra de afropresscomunicacao.hospedagemdesites.ws, mexeu com a pessoa errada seu bosta”.

Na quarta, 03 de agosto, às 14h24, nova ameaça. “Espere esse próximo fim de semana, que eu vou te mostrar o que é seguro negão, usar teu site prá fuder com o nome dos outros é legal né”… já que é assim vou mostrar do que eu sou capaz, não preciso nem te dizer quem sou eu, né? Ou preciso? De qualquer jeito… não existe “servidor seguro” quando um maluco tem controle de mais de 200 máquinas com links de 10/100 mbps, você vai cair de novo, e de novo, e sempre, até se desculpar com o que tu me fez.. Sem mais, Você tem até o próximo sábado pra tirar, se não, já sabe o que vai acontecer”.

A essa altura o estudante já estava identificado e apenas aguardávamos o cumprimento do mandado de busca e apreensão que já fora solicitado pelo Promotor Marcos Julião.

A ira de Marcelo Mello contra a Afropress ocorreu porque a Agência de Notícias revelou sua identidade completa não optando pelas iniciais, quando o MP de S. Paulo o identificou como responsável por sites e mensagens racistas na comunidade Orkut. Numa dessas mensagens, com data de 14 de junho, postadas na comunidade “Um olhar positivo sobre as Cotas”, que fala da reserva de vagas nas universidades para estudantes negros, ele ataca: “Já não basta preto roubando dinheiro, agora ele também rouba vaga nas universidades. O que mais vai roubar depois?”.

Da Redacao