Rio – O Economista Marcelo Paixão, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Observatório Afro-Brasileiro, autor de estudos sobre a pobreza e a desigualdade da população negra, disse que o Relatório do Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado esta semana pela ONU precisa ser analisado a partir dos indicadores de desigualdade.
Segundo o Relatório, a qualidade de vida da população brasileira melhora aos poucos, porém, as desigualdades sociais e raciais se mantêm, o que faz com que o país continue excluído do rol de países de alto desenvolvimento.
O IDH subiu de 0,790 para 0,792, mas o Brasil continua na 63ª posição entre 177 países e em nenhum país a renda é tão desigual. Quando analisada a situação dos 20% da população mais pobre, o país cai para a 115ª posição. A população negra, de acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) órgão do Ministério do Planejamento do Governo, corresponde a 63% dos mais pobres e 70% das pessoas que vivem na indigência.
“Quando avaliamos o IDH da população negra ou nordestina no Brasil, os índices caem muito quando comparados com os da população branca. Os indígenas brasileiros, por exemplo, têm IDH semelhante ao da Bolívia, enquanto a população amarela tem indicadores de primeiro mundo. É por isso que é preciso acompanhar os dados do IDH brasileiro para avaliar a desigualdade entre grupos”, afirmou Paixão aos repórteres Antônio Góis e Luciana Constantino, da Folha de S. Paulo.

Da Redacao