Rio – Estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, feito com base numa análise da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), revela que os brancos no Brasil vivem com o dobro da renda média dos negros.
Segundo o estudo, porém, a desigualdade de renda entre brancos e negros vem caindo aceleradamente desde 2.001, depois de oscilar durante 12 anos em torno de 2,4. Atualmente a desigualdade é de 2,06, ou seja, os brancos tem mais que o dobro da renda média dos negros. Se essa tendência permanecer, haverá igualdade racial na renda domiciliar per capita somente em 2.029, portanto, daqui 21 anos.
Segundo o diretor de Cooperação e Desenvolvimento (Dicod) do Ipea, Mário Theodoro (foto), os programas sociais criados pelo governo já chegaram no limite de cobertura. “Será muito difícil que essa tendência continue, a não ser que o governo invista em programas de promoção de igualdade racial mais direcionados à população negra”, alerta.
O fator principal que promoveu a redução da razão de rendas foi a diminuição da desigualdade na sociedade brasileira como um todo, com programas de prestação continuada de benefícios, com o Bolsa Família e os aumentos reais no salário mínimo. Essas políticas públicas impactaram em 72% na redução da desigualdade. Os outros 28% se devem à ascensão social de parte das família negras, ocorrida no período. De acordo com a análise, “os negros estão melhorando sua posição na sociedade com relativa rapidez”.
Cotas
Uma medida que poderia colaborar com a redução das desigualdades em relação aos negros, segundo Teodoro, seria intensificar a política de cotas. Atualmente apenas universidades utilizam esse método como forma de reduzir desigualdades raciais. “A política de cotas não é uma política de governo, ela é exercida apenas por algumas universidades. O governo não se posicionou ainda com relação à política de cotas. Existe uma discussão interna. Imagino que deva ser uma posição do governo daqui pra frente”, acrescentou.
Os dados divulgados pelo Ipea fazem parte do quarto volume da série “Pnad – 2007: Primeiras análises”.

Da Redacao