Salvador, com sua diversidade étnica e marcante herança africana, é a cidade mais negra fora da África. A força das tradições de origem africana pode ser percebida no cotidiano dos moradores da cidade, com aspectos relevantes na religiosidade, festividade, musicalidade e demais expressões artísticas. Essa riqueza cultural e histórica despertar a atenção de pessoas dos quatro cantos do mundo, que voltam seus olhos para Salvador.
É nesta cidade tão vista, elogiada, cantada e registrada que acontecerá a segunda edição do Bahia Afro Film Festival, uma mostra internacional de produções cinematográficas que enfocam a cultura negra em seus diversos aspectos ou tenham como referenciais a contribuição dos povos afrodescendentes para o mundo. O evento acontecerá entre os dias 16 a 21 de dezembro, na Senzala do Barro Preto, espaço cultural e sede do mais antigo bloco afro da Bahia, o Ilê Aiyê, localizado na Ladeira do Curuzú, no Bairro da Liberdade.
Intercâmbio
O Festival promoverá um importante intercâmbio entre realizadores do campo audiovisual da África e dos países da Diáspora africana, como Estados Unidos e Brasil, além de possibilitar ao público interessado em cinema o acesso a importantes obras da cinematografia mundial, tanto produções da indústria do cinema como produções independentes.
Por meio do slogan “Imagine todo o povo negro junto”, durante os seis dias, o Festival priorizará em sua programação, mostras cinematográficas de curtas, média e longas metragens; de ficção, documentários e animação, além de oficinas, encontros com realizadores, homenagens a artistas, apresentações de outras linguagens artísticas, entre outras atividades.
Casa de Cinema
O Festival é uma iniciativa da Casa de Cinema da Bahia, idealizada pelo cineasta Lázaro Farias. Com sede no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, a Casa é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão a promoção do cinema, através do registro de tradições culturais baianas e da inclusão social pelo audiovisual.
“O Bahia Afro Film Festival é um grande momento de celebração e reflexão sobre a participação da Bahia no cinema mundial e da força da cultura negra nesse processo. Reuniremos, em Salvador, cineastas negros da diáspora africana, com a finalidade de promover um grande intercâmbio cultural envolvendo trocas de saberes, de olhares e de escutas”, explica Lázaro Farias.
Além de participações em mostras e festivais pelo mundo, Lázaro Farias é responsável pelas seguintes produções: O Corneteiro Lopes, filme curta metragem sobre a luta pela independência da Bahia, de 2003, Mandinga em Manhattan, documentário sobre a expansão da capoeira pelo mundo, de 2005, e Cidade das Mulheres, longa que aborda a cultura negra e seus descendentes, privilegiando o matriarcado no Candomblé, de 2006.
Oficinas
Além da programação que ocorrerá em dezembro, o BAFF dará continuidade às oficinas de formação profissional do campo áudio-visual, que em 2007, resultaram em quatro vídeos de jovens cineastas que integraram as oficinas. Serão três as oficinas que ocorrerão no mês de novembro, e terão como temática: Oficina de Formação do Produtor cultural, Formação do Técnico Cinematográfico e Produção Executiva em Cinema.
As oficinas terão como público preferencial estudantes de escolas públicas e multiplicadores comunitários, contribuindo para o processo de empoderamento sócio-cultural da juventude negra. Em 2009, as oficinas continuam em bairros populares da cidade, antecedendo a realização do III Bahia Afro Film Festival.
Entre os convidados do BAFF estarão representantes dos mais importantes festivais de cinema do Brasil, além de instituições internacionais, como: a Black Filmakers Foundation de New York, que produz festivais de arte negra há mais de 30 anos; o Pan African & Arts de Los Angeles; o Festival Internacional de Burkina Fasso – festival de maior platéia do mundo; a Film Commission da Nigéria – 2º maior produtor mundial de cinema; o Docanema – Festival Internacional de Cinema Afro de Moçambique, e Magdalena Castro, diretora da Cinemateca de Calli, na Colômbia, que possui um acervo de mais de 1200 filmes produzidos por jovens que saíram da marginalidade através do audiovisual.
“O Bahia Afro Film Festival nasceu por entender que carecermos de uma política concreta e propulsora de ações que produzam talentos na linguagem cinematográfica. Estamos propondo ações que venham a culminar num pólo de cinema que se empenhe em registrar nossa cultura e se aproprie dessa responsabilidade. Que forme, capacite e especialize técnica e intelectualmente profissionais habilitados para um mercado que pode ser gerador de renda e emprego da cultura baiana”, ressalta Lázaro Farias.
Informações: Adailton Santos [email protected] / 8876-0073
Casa de Cinema da Bahia 71. 3322.1279 / 3322.1728
Site: www.bahiaafrofilmfestival.com

Reportagem do repórter André Luiz Santana, do Instituto de Mídia Étnica de Salvador para a Afropress.