Itapecerica da Serra/SP – O Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu (ILABANTU), associação representativa de Comunidades Tradicionais de matriz africana em toda a América do Sul, quer o mapeamento de todos os Terreiros de Umbanda e Candomblé do Estado de S. Paulo.

A proposta foi feita pelo diretor presidente da entidade, o jornalista e sacerdote Walmir Damasceno, Taata Kwa Nkisi Katuvanjesi, em reunião com a Coordenadora da Coordenadoria de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania, professora Elisa Lucas Rodrigues.

A ideia é que o mapeamento seja feito em parceria com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e a Fundação Cultural Palmares (FCP), e começa com o mapeamento dos terreiros da capital e das regiões metropolitanas como Baixada Santista, Campinas e região do Vale do Paraíba.

O projeto que está sendo elaborado pelo ILABANTU, coordenado pelo sociólogo Deivison Nkosi, doutorando pela Universidade Federal de S. Carlos (UFSCar), é uma antiga aspiração das lideranças de comunidades tradicionais de matrizes africanas.

Para Damasceno, o mapeamento “é o resultado de um longo processo de mobilização e de luta dos povos de terreiro por reconhecimento e respeito às suas tradições e ancestralidade, e plena efetividade dos seus direitos territoriais, sociais, culturais e econômicos.”

Objetivo

O objetivo do mapeamento é conhecer a realidade dos terreiros das diversas localidades e regiões metropolitanas pesquisadas – quem são, onde estão localizadas, suas principais atividades comunitárias, situação fundiária, infraestrutura, entre outros aspectos sócioculturais e demográficos.

“Dessa forma teremos um rico banco de dados que norteará as políticas públicas junto às comunidades tradicionais de matriz africana, com ênfase na promoção da segurança alimentar e outros acessos a bens essenciais disponibilizados pelas politicas públicas inclusivas”, acrescenta Damasceno.

Ele afirma que a pesquisa enfatizará a dimensão comunitária e o caráter étnico, considerando a organização social e o trabalho tradicionalmente desenvolvido pelos povos de comunidades tradicionais de matriz africana.

“Essas comunidades, conhecidas popularescamente, por terreiros, se constituem em espaços próprios de resistência e sobrevivência, que possibilita a preservação e recriação de valores civilizatórios, de conhecimentos e da cosmovisão trazidas pelos africanos, quando transplantados para o Brasil. Caracterizando-se pelo respeito à tradição e aos bens naturais; o uso do espaço para reprodução social, cultural e espiritual da comunidade; e a aplicação de saberes tradicionais transmitidos através da oralidade desempenha um papel extremamente importante na promoção da igualdade racial, combate ao racismo, segurança alimentar e nutricional das comunidades em que vivem e atuam. Nesses espaços, marcados pela solidariedade social, é prática comum à distribuição de alimentos, a valorização dos alimentos saudáveis, diversificados e culturalmente adequados”, afirma.

Diversidade

Damasceno enfatiza que os povos de comunidades tradicionais de matriz africana também se destacam pela diversidade. “Candomblé, Umbanda, Tambor de Mina, dentre outras variantes”, frisa.

Para o presidente do ILABANTU, a nomenclatura para a catalogação das comunidades de povos tradicionais de matriz africana respeitará a autodefinição informada pelo responsável/líder pela casa com exceção das grafias referentes aos “regentes” para os quais se adotará um padrão de escrita para possibilitar comparações dos dados.

“Destaca-se também que somente serão publicizadas as informações referentes às comunidades de povos tradicionais de matriz africana, cujos responsáveis autorizarão por escrito. O mapeamento a ser construído com o protagonismo e a participação dos representantes das comunidades tradicionais de matriz africana será parte integrante da estratégia dos Governos, tanto do Estado de São Paulo, dos municípios envolvidos, e do Governo Federal para a efetivação das políticas afirmativas, de respeito e fortalecimento da diversidade étnico-racial e de promoção da soberania alimentar no Brasil”, concluiu.

 

Da Redacao