Brasília – As estátuas em homenagem aos orixás criadas pelo artista plástico Tatti Moreno para decorar a Prainha, às margens do Lago Paranoá, foram destruídas por desconhecidos no último fim de semana, em Brasília. A Praça dos Orixás foi inaugurada em 2000 e é um dos pontos turísticos mais visitados do Distrito Federal. Cada uma das divindades custou ao GDF R$ 4,5 mil, mas, no mercado de artes, o valor delas varia entre R$ 20 mil e R$ 25 mil.
Especialista em representações de divindades, o baiano Tatti Moreno tem peças expostas em vários estados brasileiros e também em Lisboa e Amsterdã.
Das 16 estátuas instaladas no local, cinco foram destruídas. No fim de semana foram derrubadas as imagens de Xangô – o deus da Justiça, e a de Oxalá, o deus da paz.
Em abril, já haviam destruído a estátua de Oxossi – o deus da caça, o que provou a revolta de pais e mães de santo de Brasília, que promoveram um ato de protesto na tarde de domingo.
Segundo Lindomar Ferreira dos Santos, 27 anos, que trabalha em uma casa de festas em frente à Praça dos Orixás, o ataque aconteceu entre as 2h30 e às 3h de sábado. “Chegaram pelo menos uns cinco carros, um monte de gente desceu deles. Daí, vi alguns juntaram-se para balançar as estátuas”, contou Lindomar.
As estátuas dos orixás foram construídas em fibras de plástico, tem 1,5 m de altura e são presas aos pedestais de concreto por vergalhões de ferro. Lindomar não soube identificar os autores do atentado às religiões de matriz africana.
Presidente da Federação Brasiliense de Umbanda e Candomblé, Marinalva dos Santos Moreira conta que foi informada sobre a investida na manhã de sábado. “Eu estava viajando quando me ligaram para contar. Tive de transformar uma festa de celebração em protesto”.
Para Ribamar Fernandes Zeleda, coordenador local da Federação Nacional do Culto Afro-brasileiro, o vandalismo praticado seguidamente contra as imagens de orixás é motivado pela intolerância religiosa. “Se houvessem invadido uma igreja para destruir a figura de
um santo, haveria uma mobilização muito maior entre as autoridades e entre os políticos. Aqui, temos pedido iluminação e policiamento e ninguém nos escuta “, desabafa.

Da Redacao