S. Paulo – Terminou sem avanços, na tarde desta segunda-feira (12/02), a reunião de ativistas e lideranças negras com João Saiad, o Secretário de Cultura do Estado de S. Paulo, para tratar da intenção anunciada pela Secretaria de desativar a Assessoria Afro, que trata de gênero e etnia, criada desde o Governo Montoro, em 1.982.
Saiad negou que vá extinguir a Assessoria, porém, admitiu que haverá mudanças. “A Assessoria não ficará ligada à minha pessoa, o que não significa diminuição da sua importância”, afirmou, diante da proposta feita em documento assinado por várias entidades pedindo que a Assessoria seja mantida junto ao Gabinete e tenha ampliado os seus recursos.
A Assessoria Afro mantém o Programa “Diversidade e Herança Cultural Afro-Brasileira”, coordenado por Maria Aparecida de Laia desde 2.003, e que vinha desenvolvendo várias atividades como o Curso de História de Cultura Africana e eventos culturais.
Uma das atividades do Programa – o Projeto “Quilombos Vivos”, gerenciado pela Associação dos Amigos das Oficinas Culturais (Assaoc) – no entanto, será mantido, segundo garantiu Saiad. “É um bom projeto e será mantido”, disse.
Quanto à demais atividades serão deslocadas para o Departamento de Formação Cultural, o que significa perda de interlocução direta com o Secretário e, na prática, perda de espaço.
Nesse sentido, reiterou a decisão de fazer as reformas e buscar um “assessor de sua escolha pessoal”, sinalizando que ouvirá para isso, o frei David Raimundo dos Santos, da Rede Educafro, a quem fez menção em vários momentos.
A reunião coordenada pela advogada Carmen Dora, da Coordenadoria do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB/SP, terminou sem uma defnição sobre o que vai acontecer, além do que já foi anunciado: a desativação da Assessoria, com a exoneração dos quatro funcionários, seu deslocamento para um Departamento e o aproveitamento apenas do Projeto “Quilombos Vivos”.
Segundo Carmen Dora, a reunião cumpriu o objetivo de alertar o Secretário. “As lideranças negras estão preocupadas com os rumos da política cultural nesta gestão. Com a destinação de recursos, tanto humanos quanto financeiros e com a possibilidade de extinção da Assessoria Afro tal qual existe hoje”, concluiu.

Da Redacao