Os filmes que registramos e assistimos na cruzada política dos anos 60/70, lembram pela similaridade entre os fatos, nos levam a lembrar o que escrevemos na época: Mordaça.
A liberdade de imprensa está mais uma vez ameaçada. Dando seqüência as truculências que já foram perpetradas contra o Correio da Manhã, Tribuna da Imprensa, Diário de Notícias, Última Hora, O Pasquim e outros órgãos da imprensa escrita, agora o exemplo de força e cala-te boca para as verdades, são contra o jornal O Estado de S. Paulo e o Jornal da Tarde, caçula da imprensa paulista, provando que as instituições realmente ficarão em frangalhos. A. Lucio – 15/12/68
SEM CHORO E NEM VELA
A classe política calada e a imprensa amordaçada desde 13 de Dezembro de 1968, por força dos dispositivos constantes do Ato Institucional nº 5, ficaram impossibilitadas de fazer qualquer comentário, protesto ou manifestação contra as últimas cassações de mandatos e ou suspensão de direitos políticos, firmadas pelo Presidente da República de plantão, o Marechal Artur da Costa e Silva. Antonio Lucio 16/3/69
O movimento sindicalista pelego de forma oportunista e submissa, se junta a um ato convocatório pelo mandatário do dia, visando “impedir a Liberdade da Imprensa e de Expressão”, realizado nesta semana em São Paulo, ironicamente no Auditório Wladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas, que a partir daquele instante deixa de ser reconhecido como o Sodalício permanente na defesa de um Estado Democrático de Direito, pois se consultados seus associados, uma imensa maioria não seria favorável a realização naquele local de uma manifestação inconcebível contra a Imprensa Livre, neste Brasil, brasileiro de quase todos nós.
A Imprensa é fundamental para a manutenção do Estado Democrático de Direito, e somente os que desejam sustentar ideologias ultrapassadas e antidemocráticas querem exercer o patrulhamento ideológico, cercear garantias individuais da cidadania e tentar colocar mordaça na imprensa, são contra a manutenção da Liberdade da Imprensa e de Expressão, direitos conquistados a duras penas, com muito sofrimento para tal conquista, que num sombrio passado a caguetagem política de “profissional de imprensa travestido de dedo duro” fez com que o batalhador e competente jornalista Wladimir Herzog fosse encontrado “suicidado” nos porões da polícia política, durante o mais recente regime de exceção.
A imprensa publica, noticia, alerta, mostra, afinal, os malfeitos cometidos cotidianamente nos umbrais palacianos e tudo que os governantes fazem se jactando de formadores de opinião pública, ao invés de esclarecerem mensalões, fisiologismo, bandalheiras, nepotismo cruzado e outras práticas nefastas que impregnam a administração pública, culpam a imprensa pela divulgação de aos reais efetuados por malfeitores incrustados na máquina público que deveriam ser guardiões da moralidade e da ética e defendem o arrocho contra a Liberdade da Imprensa e de Expressão.
No Estado Democrático de Direito, ninguém, desde o presidente da república, partidos políticos, qualquer segmento da sociedade civil organizada ou mesmo a imprensa são, isoladamente, os donos da opinião pública, existindo no dicionário Houaiss, uma definição clara sobre o tema: É o acordo da totalidade, ou grande maioria, das opiniões de uma coletividade sobre questões de interesse geral”.
No mês de outubro que se aproxima, não podemos errar, precisamos saber com muita clareza, em quem votar, analisando os princípios defendidos pelos que pleiteiam cargos eletivos, quem defende realmente um Estado Democrático de Direito, sem esquecer particularmente, que num sistema racista como temos no Brasil, é possível sim, alguns alienados candidatos quanto a nossa problemática racial, em função da falta de vivência sobre os nossos anseios, serem absorvidos através da cooptação, por quem acene para eles com alguma quantidade de falso poder, pois a questão racial em nosso país é uma questão política.
O momento político exige que os integrantes de um sindicalismo consciente e a sociedade civil organizada pensem seriamente que está havendo a necessidade urgente da adoção de Hidrantes e Extintores de Incêndio, para aplacar a caminhada dos irresponsáveis incendiários, pois a população não deseja assistir mais uma vez o filme que levou o Brasil para os chamados “anos de chumbo”.
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Antonio Lucio