Manhattan, Nova York – A estupenda exposição “Now Dig This! Art & Black Los Angeles: 1960-1980” (trad livre- Saca Isto! Arte & Los Angeles Negra) foi apresentada recentemente pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) no seu anexo no bairro de Queens. A exposição registrou magistralmente o percurso de artistas afro-americanos lutando para estabelecer uma próspera atmosfera artística na Califórnia, mais precisamente na cidade de Los Angeles.

O trabalho dos artistas apresentados foi inspirado, até certo ponto, pela luta dos direitos civis e tambem pelo surgimento do movimento ”Black Power”, que refletiam o senso de mudança do que seria a identidade e a cultura norte-americanas em geral.

O poder da comunidade afro-americana foi fortalecido nacionalmente ao mesmo tempo em que a discriminação racial diminuía e novas leis eram estabelecidads para conter o preconceito enraizado, e fomentavam uma igualdade entre cidadãos de diferentes etnias. Muitas destas tranformações aconteceram em Los Angeles (Oeste), onde artistas negros trabalhavam para formar uma comunidade cultural.

Do mesmo modo que haviam múltiplas oportunidades para os cidadãos negros ganharem a vida na parte sudoesta da Califórnia, a cidade de Los Angeles logo tinha uma nova maioria negra. Mudanças na área social, política e econômica, logo atrairam imigrantes de outras partes do país.

Com cerca de140 trabalhos de 30 artistas ativos durante o período, “Now Dig This!” examinou o pioneirismo de um grupo de artistas cujo trabalho e conexões com outros artistas de variadas etnicidades e origens, influenciaram a cena cultural.

A exposição colocou junto e celebrou as significativas contribuições dos afroamericanos durante este período histórico de grande mudançaa social, politica e econômica nos EUA.

Cultura em Nova York II

“From Slaves to General and Rulers” (trad livre- De Escravos a General e Soberanos) foi uma pequena, mas altamente instrutiva exposição sobre africanos livres e escravos no continente asiático apresentada recentemente pela biblioteca Schomburg.

Generais, Comandantes, Almirantes, Primeiro Ministros e Soberanos. Africanos do lado leste do continente africano, ao longo dos séculos distinguiram-se na Índia. Eles certamente escreveram uma história sem pararelo no resto do mundo, ou seja, a historia de escravos africanos alcancando o mais alto grau de autoridade, tanto militar como politica, não somente em países estrangeiros, mas tambem em outro continente.

Foi um feito que poucos deles poderiam imaginar enquando cativos, ou soldados livres, eles velejaram ao redor do oceano indico- e mares adjacentes em embarcações lotadas, destinadas a terras desconhecidas e tambem futuros incertos. Entretanto, do Bengali, no Nordeste, até Gujarat, no Oeste, e Deccan, na parte central da India, africanos sub-saharianos vigorasamente tiveram lugar destacado no país de sua escravidão.

O sucesso foi deles; foi tambem um forte testemunho da mente aberta de uma sociedade na qual eles eram uma minoria, tanto religiosa como étnica, originalmente de baixo status. Como estrangeiros e muçulmanos, os africanos reinaram contra as populações hindus, indígenas, muçulmanos e judeus .

Alem de aparecerem em documentos escritos, os africanos foram imortalizados em pinturas de diferentes épocas, estados e estilos que, sem dúvida, formaram um importante componente da cultura indiana.

Por causa das posições que ocuparam, foram registrados em vividos e requintados retratos como sujeitos importantes, ou ao lado de africanos e indianos comuns.

Como imperadores, planejadores de cidades e arquitetos, os africanos deixaram na sua passagem pela Índia um expressivo legado arquitetônico e histórico que certificaram suas determinações, perícia, intelecto, cultura, militarismo, e sua sabedoria politica. Os imponentes fortes, mesquitas, mausoléus, e outros edifícios, erguidos há mais de 500 anos ainda hoje encantam bem como os reinos religiosos.

O africano muçulmano do século 14, Sufi Saint Bava Gor, e sua  irmã, Maia Misra, recebem devotos de todas origens; muçulmanos, hindus, cristãos e até mesmo zoroastros em seus santuários.

De comeco humilde, alguns deles lideraram cidades-estados com  seus próprios exércitos, dinheiro e selos. Eles defenderam seus bens da ira de inimigos poderosos adentrando no século XX, quando com outras 600 suntuosas cidades-estados foram integrados ao Estado indiano.

Africanos e indianos eram conhecidos como Habshi e Sidi, o que denota suas origens. Não importando seus status na escala social, eles orgulhosamente reinvidicavam seus nomes tais como Did, Sidi, Said, Sidi Mansur, Yakut, Dabuli, Habshi, Habash ou Khan.

Muito tempo depois de suas fortalezas terem desaparecido, e depois de séculos de mistura com as populações locais, seus descendentes continuaram a identificar-se como Sidi. Apesar de fazerem parte do pensamento comum, os africanos que fizeram parte integral da história e da cultura do continente sub-indiano não receberam o reconhecimento que certamente mereceriam. Esta exposição retrata a vida e realizações de alguns dos mais talentosos e proeminentes africanos do passado.

Schomburg Library

515 Malcom X Boulevard

New York, NY – 10037

212. 491.2200

 

 

 

Edson Cadette