Pensei nestas duas afirmações enquanto assistia na Internet a excelente entrevista dada pelo professor José Vicente, presidente da ONG Afrobras, que mantém a primeira Universidade direcionada para a população afro brasileira conhecida pelo nome de Zumbi dos Palmares.
Ele concedeu a entrevista a TV Estadão no ultimo dia 19/novembro. Foi dada um dia antes das celebrações do Dia da Consciência Negra, e duas semanas depois da histórica vitória do senador Barack Obama para presidente dos EUA.
Para Vicente, a eleição do Obama manda um claro sinal de esperança a todos aqueles que se sentem oprimidos. Eles não só podem questionar o status quo, como também podem mudá-lo.
Citando estatísticas que a nossa mídia (Estadão, Folha, Veja, Globo, etc.) ignora quando o assunto é disparidade na qualidade de vida entre negros e brancos, ele mostrou claramente a omissão do Estado brasileiro em relação à diversidade, principalmente por aqueles agentes que dependem diretamente de contrato do governo para seus negócios.
Em outras palavras, para ele, o governo brasileiro se quisesse teria como demandar das empresas com as quais mantém relações de negócios uma melhor representação da diversidade do país nos seus quadros de funcionários, principalmente nas áreas de gerencia e executivos.
Ele falou ainda de sua indignação com vários setores da sociedade em não reconhecerem o racismo, mesmo diante de números estarrecedores apresentados por órgãos do governo, seja através do IPEA, do DIEESE, do IBGE, etc. Para Vicente, o fosso entre negros e brancos no país segue praticamente imutável desde 1888.
Ele também deu uma aula a seus entrevistadores sobre a condição do negro no Brasil neste inicio do século XXI, onde pouco se falou dos 120 anos da Abolição. Foi muita lúcida sua análise sobre a geração atual dos jovens dos morros cariocas que seguem envolvidos com a gratificação instantânea com o “lucro” do tráfico.
Para ele, se estes mesmos jovens resolverem descer para o asfalto com suas armas de fogo haverá sem duvida alguma um confronto entre os dois brasis que seguem convivendo em sociedades pararelas.
Com muita relutância a mídia brasileira esta começando a ouvir o que o cidadão negro tem a dizer. Com isto, começa a reconhecer que o problema racial que o negro brasileiro vem reclamando a varias décadas não é somente uma invenção de sua imaginação.
Barack Obama: O homem de US$ 750 milhões
Diferentemente do personagem Steve Austin, interpretado pelo ator Lee Majors na serie de TV do anos 70 chamada “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, o presidente-eleito Barack Obama não sofreu nenhum acidente aéreo, tampouco teve algum órgão do seu corpo reconstituído que valesse US$ 300 milhões.
Entretanto, em dois anos de campanha, sua equipe arrecadou a extraordinária quantia de US$ 750 milhões. O total representa mais do que todos os candidatos da última eleição arrecadaram em doações particulares. Vinte dias depois das eleições, Obama informou que ainda havia um total de US$ 30 milhões depositados num banco.
Há várias opções para o presidente-eleito usar esta dinheirama. Uma delas seria tranferir estes fundos para os cofres do partido Democrata. Uma outra, transferir a quantia para sua futura campanha à reeleição em 2012. Porém, uma coisa é certa: este dinheiro certamente não será usado para saldar a divida de sua concorrente direta e atual nomeada para o posto de Secretaria de Estado, Hilary Clinton.
Mesmo se ela for aprovada pelo Congresso norte americano para o posto, por causa de restrições fiscais em relação a dívidas de campanha, Obama não poderá fazer muito para ajudá-la. Ele certamente continuará sentado no camarote, se é que se pode chamar assim a Casa Branca hoje em dia, enquanto Hilary passa a canequinha em suas viagens ao redor do mundo tentando arrecadar dinheiro para saldar sua enorme dívida.

Edson Cadette