Queens, Nova York – Derrick Bell foi o primeiro negro, a se tornar decano da universidade mais conhecida, mais prestigiosa e tambem a mais importante deste dos EUA – a Universidade Harvard, que fica no Estado de Massassuchetts (Norte). Ele, contudo, ficou mais conhecido por pedir demissões das importantes funções que ocupou do que, própriamente, pelo cargo em si.

Explico: quando Bell era funcionário no Departamento de Justiça na área de Direito Civis nos anos 50, seus superiores pediram que se desligasse da Organização para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês) porque enxergaram conflito de interesses na acumulação dos cargos. Ao invest de deixar a Organizacao, ele preferiu deixar o Departamento de Justiça.

Trinta anos depois, enfrentando práticamente a mesma situação na Universidade de Harvard, seguiu o mesmo caminho. Preferiu juntar seus papéis e deixar a universidade. Estes dois casos que não saíam da cabeça do professor, o levaram a escrever um famoso livro de memórias chamado “Ethic and Ambition” (Etica e Ambição) publicado em 2.002.

Numa entrevista para o  “The New York Times” dada em 1.992, Bell disse que os afro-americanos eram mais subjugados hoje do que em qualquer outra época, desde a escravidão. Escreveu também que a famosa decisão da Suprema Corte dos EUA, em 1954, ao determinar o fim da segregação nas escolas públicas teria funcionado melhor se a Corte houvesse obrigado o Governo federal a oferecer condições de aprendizagem iguais, para negros e para brancos.

Bell foi pioneiro na crítica à teoria de raça. O conjunto de estudos que explorava como o racismo arraigado nas leis e instituições do Estado, mesmo naquelas que professavam as boas intenções de investigar injustiças passadas. Seu livro “Race, Racism and America Law” (Raça, Racismo e Lei Americana – trad.livre), publicado em 1973, continua sendo usado nos cursos de Direito e, atualmente, está na sua sexta edição.

Numa manifestação, quando aluno de Direito em Harvard, o atual president, Barack Obama comparou  Bell a ativista Rosa Parks.

As profundas crenças de Bell incluem o que ele chamava de “dilema do interesse convergente”, ou seja, a idéia de que os brancos não apoiariam uma melhoria na situação dos afro-americanos, a menos, é claro, que fosse de interesse deles.

Perguntado como a situação dos negros poderia melhorar, ele disse ser a favor da luta pelos direitos civis, por meio da Corte, mas avisou que mesmo as decisões favoráveis poderiam gerar resultados decepcionantes, e seria melhor que os afro-americanos estivessem preparados para eles.

No livro “Ethic and Ambition”, Bell expressou suas dúvidas sobre seu legado. “Não é fácil olhar para o passado de um longa carreira e reconhecer, com algum sofrimento, que meus esforços talvez tenham beneficiado minha carreira mais claramente do que ajudado aqueles para quem eu trabalhei.”

Lani Guinier, a primeira professora afro-americana de Harvard discorda da posição do professor. “A maioria das pessoas pensa que os iconoclastas são pessoas solitárias”, ela disse depois da morte de Bell. “Entretanto, Derrick Bell era tanto um iconoclasta como um “construtor” de comunidade. Quando estava abrindo seu caminho, não era somente para ele. Era tambem para todos aqueles que ele sabia iriam seguí-lo na sua esfera do direito acadêmico.”

Viva Nova York

 Um dos grandes destaques do Festival de filmes brasileiros patrocinado pelo MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York) de 2011  saiu da cabeça do que poderíamos chamar uma baiana arretada, e tambem filha de Iansã. Seu nome –  Cely Leal.

Ela é diretora e tambem produtora do documentario “Noitada de Samba” (2010). O projeto não saía de sua cabeça desde que deixou Salvador no final dos anos 70 para morar no Rio de Janeiro. Foram mais de 30 anos para a realização de seu sonho.

 “Noitada de Samba” acabou sendo  um dos grandes destaques do famoso “Premiere Brazil”, como é conhecido por aqui em Nova York o Festival de filmes brasileiros apresentado no verão nova-iorquino (junho-setembro).

O filme foi aplaudido de pé por uma platéia que lotou as dependencias do teatro do MoMa. Foe visto, não apenas nas dependências do museu, mas também por uma platéia seleta que lotou as dependências da BEA (Brazilian Endowment for the Arts), a biblioteca brasileira, aqui, em Manhattan.

“ Noitada de Samba” não é somente mais um documentário sobre o samba, este gênero musical que continua sendo pouco explorado no Brasil, no cinema e na literature. É tambem a história de como duas pessoas, Jorge Coutinho (negro) e Leonides Bayer (branco) forjaram uma aliança para apresentar todas as segundas-feiras, por 13 anos initerruptos, no Teatro Opinião, no Rio, o que havia de melhor no mundo do samba. “ Noitada de Samba” começou em 1971 e foi até 1984.

Diga-se de passagem que a intenção destes dois visionários era dar visibilidade a turma de sambistas do morro carioca e, ao mesmo, tempo apresentar a classe média branca carioca um grupo de sambistas esquecido nas favelas. Até então, as gravadoras no país  tinham uma certa relutância, para não dizer um certo preconceito, em  assinar qualquer tipo de contrato musical com sambistas.

É de conhecimento geral, mas é bom sempre lembrar aos leitores/as mais jovens, que o samba no seu início, era visto como algo musicalmente falando de negros brasileiros. O samba ainda era tido como coisa de boêmios e marginais. Assim como tambem era vista a capoeira.

O maior sambista do país, o grande Cartola, passou praticamente toda sua vida a margem do sucesso e só conseguiu o reconhecimento merecido, comercialmente falando, quase no final da vida. Na época, quando foi “resgatado”, estava trabalhando como contínuo servindo cafézinho no Ministério da Agricultura, no Rio.

Se, por um lado, estas segundas-feiras tornaram-se um lugar de encontro da classe média branca, na resistência contra a ditadura vigente, por outro, esta mesma classe média não fazia qualquer pronunciamento sobre estes mesmos cantores que eram discriminados e relegados a viverem nos morros e favelas, com as dificuldades a isso inerentes.

“Noitada de Samba” vale pelas entrevistas dos muitos participantes daquele importante período da história brasileira. É emocionante ouvir o depoimento em “off” da grande cantora Clara Nunes, depoimentos da Dona Ivone Lara, Eliana Pitman e muitos outros.

O que ficou faltando foi perguntar a esta turma como eles se sentiam na época vendo sua arte não ganhar o devido respeito e destaque que, com toda certeza, merecia; e se esta falta de respeito tinha algo a ver somente com a condição social dos sambistas negros, ou o fator racial tambem pesou nas decisões das gravadoras em não dar o devido apoio

Noitada de Samba

Direção: Cely Leal

Duração:75 minutos

Viva Nova York II

 Na década de 70/80, a Televisão Cultura de São Paulo tinha uma ótima equipe de jornalistas esportivos comandada pelo eclético jornalista Orlando Duarte. Nesta equipe, entre outros, estavam os loucutores Luis Carlos Cicarelli, Luis Noriega, e Jose Góes.

Lembro-me ainda hoje da transmissão de Noriega na final do Campeonato Paulista de 1977, quando o Corinthians ganhou o título paulista depois de 23 anos de espera. Li outro dia que Noriega, aos 82 anos, faleceu em Sao Paulo, no final do ano passado.

A primeira coisa que fiz quando soube da notícia foi ir ao site do You Tube para ver os gols de uma das partidas mais memoráveis entre o Corinthians e Palmeiras no Estádio do Morumbi, em 1971, narrada por ele.

Naquele jogo, depois de estar perdendo por 2X0, o time do Parque São Jorge virou o jogo ganhando de 4X3. Detalhe: Noriega previu antes mesmo de terminar o jogo que seria uma partida memorável.

Noriega leva com ele a classe e o talento de um loucutor esportivo que, infelizmente, hoje é dificl de encontrar. R.I.P.- Rest in Peace)  (Descanse em Paz, na trudção em português) Luis Noriega.

Edson Cadette