É verdade também que Iowa é um pequeno Estado, onde o número de delegados na escolha do Presidente é bem pequena, mas isto não diminui sua proeza. Ele não é o primeiro afro-americano a disputar a Presidência. Este mérito pertence aos pastores Jesse Jackson, em 1984 e 1988, e Al Sharpton, em 2000 e 2004.
Entretanto, é o primeiro realmente com chances. É claro que falta ainda muito tempo para a eleição, marcada para Novembro, e muita sujeira ainda será atirada de um lado ao outro pelos candidatos de ambos os partidos (Democrata e Republicano), mas uma coisa é certa: Obama trouxe para a disputa presidencial de 2008 um otimismo que este país não via desde do tempo do ex-presidente Ronald Reagan.
Barack Obama é filho de uma mulher branca, de Kansas, e de um africano do Quênia. Eles se conheceram quando estudavam na Universidade do Havaí. Na época, seu pai fazia um intercâmbio escolar. Logo após o nascimento, seus pais se separaram. Um tempo depois sua mãe mudou-se para a Indonésia, e o pai retornou para o Quênia. Obama só voltaria a ver o pai aos 10 anos de idade e passou parte de sua infância entre a Indonésia e o Havaí, na casa dos avós maternos.
Enquanto viveu no Havaí estudou em uma escola de elite, onde era um dos poucos estudantes negros. Por ser filho de uma mulher branca, e de um homem negro, vivendo com avós brancos e estudando em uma escola predominante de alunos brancos, Obama, de pele escura, buscava sua identidade racial em um país que não reconhece o mulato em sua divisão étnica. Ele estava à procura de alguém no qual pudesse espelhar-se.
Por sentir-se isolado, canalizou suas frustrações na bebida, e também nas drogas. Fumou maconha e chegou a experimentar cocaína. Contudo, isto não o impediu de sobressair-se na escola.
Leitor voraz, caiu de cabeça nos grandes autores afroamericanos. James Baldwin, Ralph Ellison, Richard Wright, Langston Hughes, Malcolm X, Martin L. King etc. Diferentemente de muitos negros no Brasil, Barack Obama não adotou a famosa válvula de escape dos mulatos brasileiros que adotam a ideologia, e também a cor dos donos do poder para escaparem do estigma de ser negro. Ele é afroamericano, casado com uma afroamericana e pai de duas meninas.
Obama estudou na prestigiosa Universidade Colúmbia de Nova York nos anos 80. No final da mesma década, depois de trabalhar como organizador comunitário em Chicago, foi estudar direito na Universidade de Harvard. Ele foi o primeiro editor afroamericano da influente revista “Harvard Law Review”.
Foi nesta época também que conheceu sua esposa, a senhora Michelle Robison, que era de Chicago. É verdade que ela já havia terminado o curso de Direito em Harvard, mas como gosta de frisar, Obama é mais velho do que ela.
No começo dos anos 90, ele voltou novamente para Chicago mas, desta vez, para praticar Direito na área de Direitos Civis. Em 1996, foi eleito senador estadual, em Illinois. Em 2000, foi eleito senador pelo mesmo Estado. Entretanto, somente em 2004 durante a convenção do partido Democrata, onde fez um discurso eletrizante, Barack Obama ganhou fama Internacional.
Ele também é autor de dois livros: “Dreams Of My Father” e “Audacity Of Hope”. No verão passado Obama ganhou um tremendo apoio da rainha da televisão norte americana, Oprah Winfrey, que o apóia incondicionalmente para Presidente, participando inclusive de alguns comícios.
Em 2005, tive a sorte de estar presente em uma leitura sua onde ele falava não somente sobre o livro “Dreams of my Father” mas também sobre a situação dos EUA no cenário mundial. Seu carisma é inconfundível. Outra qualidade inegável é seu apelo ao eleitorado branco norte Americano.
É verdade que, muitos na comunidade afroamericana tem duvidas quanto a sua negritude. Principalmente porque ele é um mestiço, e por ter passado boa parte de sua vida fora dos centros urbanos das grandes cidades. Muita gente acredita que ele não compartilha com a comunidade urbana dos afroamericanos suas idéias em relação ao relacionamento entre negros e brancos nos EUA.
Ele sabe que isto é um assunto que precisa ser tratado com muito carinho para não melindrar a comunidade negra em geral. Obama tem conhecimento da história dos afroamericanos no país, e sabe que o racismo norte americano ainda é forte em várias áreas na sociedade.
É cedo para se falar, mas quem sabe Barack Obama seja a resposta para o mundo, de que finalmente os EUA estão conseguindo deixar para trás os seus problemas raciais, que atormentaram o país durante grande parte de sua existência.
Estou com os dedos cruzados!

Edson Cadette