Eu mesmo, no começo dos anos 80, também usei este tipo de roupa. Lembro que, na época, fazia cursinho no Objetivo da avenida Paulista, e a roupa de grife era Fiorucci, aquela marca com os dois anjinhos. A diferença era que as calças não caíam tanto, e eu não mostrava meu traseiro. Hoje em dia, este é o estilo de se vestir do rappers que muitos jovens imitam “ad nauseam”. Esta moda veio diretamente dos guetos nova-iorquinos e ganhou fama mundial influenciando jovens ao redor do mundo.
O que muita gente (incluindo aí os jovens) não sabe é que esta moda foi copiada dos presidiários. Estes usam roupas largas e sem cinto para evitar o suicídio. Os cintos também são evitados para não serem usados como armas. Como muitos rappers se julgam “tough” (durões), e em suas apresentações fazem caras de mau, seus seguidores imitam seus gestos e atitudes até o último botão. A diferença é que os cantores ganham milhões de dólares para pousarem como maus elementos ou “personas non grata” dentro da sociedade norte-americana.
O abuso desta moda anda atingindo proporções tão sérias que legisladores de alguns Estados no sul do país estão criando leis especiais contra indecência. Há multas e até prisões para os infratores. O interessante é que os políticos afro-americanos estão por trás destas leis.
Até mesmo a NBA, a Liga de Basquete profissional norte-americana, onde 90% dos atletas são afro-americanos, coibiu este tipo de roupa após uma briga entre jogadores que foi parar nas arquibancadas. Segundo o presidente da Liga, uma roupa mais profissional por parte dos atletas não tem o perigo de alienar a audiência classe média branca que comparece em massa para ver os jogos.
Segundo Benjamin Chavis, ex-presidente da Associação para o Avanço das Pessoas de Cor, NAACP em inglês, o foco destes legisladores deveria ser melhorar as condições sociais de onde as calças caídas aparecem. A maneira com que muitos destes jovens usam suas calças é somente uma evidência da realidade com a qual lutam no seu dia dia.
POLICIA ASSASSINA
A Polícia de São Paulo é assassina. Isto mesmo leitor (a). Eu mesmo há mais de 20 anos quase tomei um tiro no rosto por estar esperando um ônibus para ir para casa depois de um baile.
Infelizmente o jovem afro-brasileiro Leandro Cipriano da Silva, de apenas 15 anos, não teve a mesma sorte. Ele foi executado por policiais na estação Patriarca do Metrô na zona Leste da cidade no dia 16.11.07 enquanto voltava para casa depois de um baile.
Segundo as versões dos policiais (desmentidas pela Secretaria de Segurança do Estado), o jovem fazia parte de uma gangue que se preparava para assaltar a estação do Metrô. Ele estava armado e fez disparos contra os policiais. Seus dois amigos que o acompanhavam negaram em depoimento a Imprensa a versão dos policiais assassinos.
Todo afro-brasileiro sabe o quanto é difícil sua interação com a polícia de São Paulo, não importa sua classe social. Medo, raiva, e impotência diante das humilhações sofridas nestes encontros permeiam as cabeças dos jovens e também dos adultos. Ser afro-brasileiro, aos olhos da polícia no Brasil, é ser suspeito. Quantos cidadãos afro-brasileiros não são abordados diariamente por policiais truculentos sem aparente motivo algum? Quantos cidadãos afro-brasileiros não são parados por estarem dirigindo um carro/moto porque a policia não acredita que sejam capazes de possuir tais bens materiais?
Geralmente os policiais pensam que estes bens não são compatíveis com cor de quem os possui. E tudo isto sob as vistas dos formadores de opinião no país que insistem em dizer que o problema é puramente social. Racismo é somente uma alucinação daqueles negros revoltados que querem perturbar a ordem da “democracia racial” brasileira.
Aonde está o prefeito que não vem a público pedir desculpas à família pela morte de um menino cujo problema, aos olhos dos policiais, era ser afro-brasileiro e pobre? Até quando este tipo de mentalidade escravocrata permeará a mente dos que estão no comando do país? No país da “democracia racial” os afro-brasileiros continuam sendo abatidos como patos em temporada de caça.
GALERIA DE ARTE
A galeria de arte VON LINTEL está apresentando até o dia 20.01.08 a exibição “SWEET SWEETBACK’S BAADASSSSS SONG”. O nome foi escolhido em homenagem ao notório filme do diretor Melvin Van Peebles de 1971. Esta exposição de 13 artistas examina a representação dos afro-americanos na cultura popular norte-americana em geral.
Afros, rostos pintados de negro, barco com purpurinas, óculos pintados, multimídia e retratos em branco e preto forçam os visitantes a reconsiderarem não somente suas idéias sobre a cultura Afro-Americana, mas também o artista negro. Cada artista tem uma visão distinta – Renee Cox and Ifetayo Abdus-Salaam exploram e questionam a representação na mídia, propaganda e filme. O senhor Lawrence Lee pega imagens esteriotipadas negativas para reusá-las. Juntos, os artistas Barkley Hendricks e Michalene Thomas escolheram infiltrar uma presença orgulhosa e dignificada nos seus objetos, enquanto o senhor Titus Kaphar, junto com Hank Willis Thomas, fala da idéia de percepção e recontextualizacao da figura negra.
O percentual da população afro-americana nos EUA é somente 12%, mas sua contribuição cultural está presente em todas as áreas da sociedade desde seu aparecimento durante o período colonial.
SERVIÇO
VON LINTEL GALLERY
SWEET SWEETBACK’S BAADASSSSS SONG
Até 20 de Janeiro de 2008
555 West 25th Street
New York, NY 10001
[email protected]
PELÍCULA
O inverno chegou à cidade. A temperatura nesta época do ano gira em torno dos 3 graus Celsius. Tomo coragem para sair de casa, e aproveito para ir ao cinema ver o filme “American Gangster”. Valeu o preço do ingresso, que aqui na cidade custa onze dólares.
“American Gangster” é um ótimo filme. Assim como seus antecessores, Scarface, The GodFather I e II e Goodfellas conta a ascenção e queda de um poderoso traficante.
Se os filmes anteriores tinham como enredo a história dos mafiosos italianos e seus laços familiares (a exceção foi o filme Scarface onde Al Pacino interpretava um traficante cubano), “American Gangster” conta a história do traficante afro-americano Frank Lucas (Denzel Washington) que dominou o forte comércio de drogas em Nova York durante o final dos anos 60 até a metade dos anos 70.
Baseado em fatos reais (ele ficou preso por 10 anos, saindo em 1991), a grande sacada de Frank Lucas para derrubar a concorrência foi eliminar o intermediário. Com um contacto em Bankok (Ásia) durante o final da guerra do Vietnam, e com a ajuda de militares do Exército norte- americano, ele começo a trazer cocaína e distribuí-la diretamente nas ruas do Harlem.
Seu poder ficou tão grande durante este período que nem mesmo os mafiosos italianos acreditavam que um nigger (crioulo) poderia ter tanto poder. O filme conta ainda com a participação de Russel Crowe, em uma atuação bem comedida como policial super ético de Nova Jersey, que vai ao encalço do traficante, até finalmente colocá-lo atrás das grades, e a veterana atriz Ruby Dee, no papel da mãe do senhor Lucas.
SERVICO
AMERICAN GANGSTER
Direcao: Ridley Scott
Duracao: 157 minutos
Denzel Washington, Russel Crowe e Ruby Dee

Edson Cadette