Foi interessante notar que, segundo a ex ministra, em oito anos de governo petista, o Brasil passou a ser um país “tudo beleza” para as minorias, até então, completamente esquecidas.
Não importa que tenha sido o presidente Fernando Henrique Cardoso o primeiro a dizer que havia um problema racial no Brasil. Foi também durante sua gestão que as primeiras Ações Afirmativas foram implementadas.
É claro que ela não deve estar falando dos negros invisíveis que são mais da metade de toda a população do país. Esta comunidade que continua invisível (I-N-V-I-S-Í-V-E-L) em todos os aspectos importantes da vida brasileira, seja política, econômica, social e ou cultural. Mas para o pessoal do “puxadinho” do Estado isto não e muito importante não é mesmo?
À propósito, não foi esta senhora que foi pega com a mão na massa, usando cartão de crédito emitido pelo Estado para compras pessoais? Ah! Esqueci, se todos fazem assim, por que discriminar Matilde não é mesmo? Afinal de contas, ela estava defendendo os direitos dos cidadãos afro-brasileiros, e um pequeno deslize como este deveria ser visto como uma coisa menor.
A lei criada para o ensino da história afro-brasileira nas escolas públicas é ignorada, mas tudo bem para a SEPPIR. A polícia racista brasileira mata jovens negros de todas as maneiras possíveis (lembram dos dois jovens no Rio de Janeiro jogados no lixão, os outros tantos vítimas da polícia em S. Paulo, na Bahia?), nenhum pronunciamento da SEPPiR.
Os remanescentes dos quilombolas são ignorados pela grande mídia, e não ouvimos uma defesa da SEPPIR. As milhares de empresas que prestam serviço ao governo federal não promovem diversidade étnica, e ou de gênero em seus quadros de alto escalão, mas não há problema algum para esta a Secretaria, que tem status de Ministério no Governo Federal.
E por último, o mais importante, a aprovação pelo Governo do Estatuto da Igualdade Racial completamente desfigurado, a SEPPIR coloca o rabo entre as pernas e aceita passivamente as migalhas oferecidas pelos “nhô -nhôs” da política nacional, afirmando que a aprovação foi um avanço importante para os anseios da comunidade afro-brasileira.
Comparar a histórica eleição do presidente Barack Obama nos EUA com a eleição de Dilma Rouseff no Brasil é ter muito pouco conhecimento da história dos afro-americanos. Desde quando uma mulher branca brasileira foi discriminada racialmente no Brasil?
Durante a campanha de Dilma Rousseff, em nenhum momento ela pronunciou algo a respeito das disparidades históricas entre negros e brancos, e qual seria a política pública do seu governo para diminuir estas disparidades. Isto é mostra do quanto somos pouco importantes como comunidade.
Se sua campanha é uma indicação do que seu governo pretende fazer em relação a este espinhoso problema, podemos inferir que nós negros estamos fadados a mais quatro anos de invisibilidade. O que no governo petista tornar-se-á, então 12 anos. Desculpe, senhora Matilde, mas nós ainda não podemos!

Edson Cadette