Manhattan, Nova York –  Vou começar com uma afirmação. Eu não assisti a implosão da seleção brasileira diante da Alemanha no fatídico 08 de julho, no Mineirão. Explico: sentei-me comodamente na cafeteria (vazia) onde trabalho para acompanhar o primeiro teste sério que a nossa seleção enfrentaria na Copa do Mundo. Por favor não me falem de México, Chile ou Colômbia. Estas equipes só dificultaram as coisas para a nossa seleção porque o time era medíocre.

Depois do terceiro gol eu simplesmente me levantei e voltei para a minha sala. A Alemanha abriu a defesa brasileira da mesma maneira que um iceberg abriu o Titanic. Em outras palavras: como se ela fosse uma lata de massa de tomate Cica.

Mas, enfim, era o Brasil jogando, e eu queria acreditar que o nosso “beautiful game” iria surgir neste jogo. Santa inocência minha em acreditar que o medíocre time brasileiro enaltecido por muitos na mídia ufanista depois de ganhar a Copa das Confederações no ano passado iria tranformar-se num daqueles grandes times dos anos 70, 80, 90.

Talvez o assunto já tenha sido discutido ad nauseaum, mas é bom lembrar que a seleção brasileira não disputou as eliminatórias. Os jogadores desse time jamais sentiram em seus cangotes o bafo dos jogadores da Argentina, Chile, Colombia, Paraguai e Uruguai em seus respectivos estádios.

Se tivéssemos enfrentado estes times, possívelmente veríamos que a equipe não estava assim tão bem preparada como afirmava a Comissão Técnica. Depois do inócuo torneio da Copa das Confederações todos achavam que a equipe estava fechada. Durante um ano o Brasil fez amistosos com equipes que fariam feio até mesmo jogando contra times da terceira divisão do Campeonato Brasileiro.

A FIFA fez altas exigências para que a Copa fôsse feita no Brasil. E o Governo brasileiro abriu as pernas para esta corrupta organização. Foram gastos mais de US$ 11 bilhões na preparação do maior torneio futebolístico do planeta.

Desde que o Brasil foi escolhido para sediar o Mundial, a FIFA cafungava no pescoço do Brasil como um vampiro a procura de sangue novo com a preocupação que o Governo brasileiro não iria conseguir conter as manifestações que surgiram no meio de 2013, e dessa forma estragar o butim garantido.

Li no “The New York Times” que a receita desta Copa foi de mais de US$ 4 bilhões e a FIFA teve um lucro de metade deste valor. Não foi por acaso que a entidade teceu elogios ao final desta edição. Estádios foram reformados e ou contruídos, tudo de acordo com os padrões europeus da FIFA. Famílias foram despejadas para darem lugar as novas arenas, hotéis foram contruidos, os aereoportos foram modificados para receberem o enorme contigente de turistas.

O Exército, em conjunto com a Polícia Militar nos Estados, estava preparado para conter manifestações. Houve um grande esforço para mostrar ao mundo que o Brasil teria condições de ser um grande anfitrião num evento desta magnitude.

Foi uma pena que depois deste esforço, a seleção brasileira formada por “estrelas” em seus respectivos times europeus implodiu aos pés da Alemanha como o Edificio Palace II no Rio de Janeiro, em 1998. Em outras palavras, o trabalho do técnico Felipão e toda sua Comissão Técnica foi montado sob uma base de areia umedecida.

Viva Nova York

Numa tarde chuvosa, em 1948, em pleno Estadio de Wembley, a diminuta e franzina atleta norte americana Alice Cochman fez história, ao ganhar uma medalha de ouro no salto em altura nos Jogos Olímpicos de Londres.

Ela foi a primeira atleta negra a conseguir esta proeza. A medalha foi entregue pessoalmente pelo rei George VI da Inglaterra. Ela acabou sendo convidada tambem para uma festa no iate Real Britânico.

Ao regressar para os EUA o presidente Harry S. Truman fez questão de convidá-la para uma visita à Casa Branca, e o jazzman Count Basie preparou uma festa especial para ela. É claro que toda esta aclamação não mudou muito sua situação e tambem  a dos negros no Estado da Geórgia (sul).

O sul era altamente segregado. Negros e brancos foram colocados em cadeiras separadas no auditório da sua cidade natal, Albany, enquanto ela recebia as honras da cidade. O prefeito sentado ao seu lado recusou-se a aperta-lhe as maos, e ela foi obrigada a sair pela porta dos fundos.

Crescendo em Albany, Alice Coachman tinha que correr e pular descalça usando apenas cordas e gravetos como substitutos para seus saltos. A ela não era permitido treinar em pistas olímpicas com outros atletas brancos.

“Você tinha que correr para cima e para baixo nas estradas de terra vermelha e sujas” disse ao periódico “Kansas City Star”.”Você ia lá nos campos abertos onde não havia qualquer infra-estrutura, era tudo mato aberto. Não havia nada.”

Numa época onde havia pouquíssimos atletas negros de renome além do jogador de beisebol Jackie Robinson e do lutador de Boxe, Joe Louis, Alice Coacham tornou-se uma pioneira.

“Eu fiz uma diferença entres os negros, sendo um dos líderes,” ela disse ao “The New York Times”, em 1996.

“Se eu tivesse ido aos jogos e falhado, não haveria ninguém para seguir meus passos. Eu dei coragem para o resto das mulheres trabalharem forte e lutar da mesma maneira”.

Apesar de gostar muito de esportes, contra a vontade de seu pai que ocasionalmente batia nela porque achava que aquilo não era a maneira de uma “lady” se comportar, Alice Coachman não achava que a carreira atlética tinha algum futuro na sua vida. Seu sonho era tornar-se uma dançarina ou atriz.

Apoiada por sua professora na 5ª série e um tio, ela seguiu praticando esportes e foi escolhida pelo Instituto Tuskegee no Alabama para competir pela sua escola no time de esportes, em Albany.

Depois de sair-se bem na competição, ela mudou-se  para o Instituto Tuskegee para competir pelo time da escola e depois pela faculdade do Estado de Albany. Ela ganhou 10 vezes seguidas o salto em altura amador entre os anos de 1939 e 1948.

Alice Coachman foi a única atleta norte-americana a ganhar uma medalha de ouro nas corridas nos Jogos de Londres e lembraria deste grande momento décadas depois.

“Eu vi no placar, ‘A. Coachman, EUA, Numero 1,” ela disse a Rádio NPR. “Eu subi no pódio e eles começaram a tocar o Hino nacional. Foi maravilhoso escutar aquela música.”

A carreira olímpica de Alice Coachman terminou com este feito extraordinário quando ela tinha apenas 24 anos. Ele criou uma família, tornou-se professora primária e da escola média e criou uma Fundação para ajudar jovens atletas e ex-atletas”.

Ela foi introduzida a Sala da Fama Olímpica dos EUA e  na Sala Nacional de Corridas e Saltos. Há tambem uma escola chamada Escola Primária Alice Coachman em Albany no Estado da Geórgia. Alice Coachman faleceu esta semana aos 90 anos.

Descanse em paz!

Edson Cadette