Queens, Nova York – A receita é conhecida. Misture corrupção, um presidente com contas bancárias no exterior (de preferência na Suiça), um Estado fraco, uma Polícia corrupta e violenta, um líder carismático e uma pitada de auxílio estrangeiro, de preferência dos EUA. Junte todos estes ingredientes explosivos e você terá um país: Uganda.

O presidente Yoweri Museveni foi reeleito em fevereiro de 2011 pela quarta vez consecutiva, batendo o candidato  da oposição, Kizza Besigye. Ele esta está no Governo do país há 25 anos, ou seja, desde a metade dos anos 80.

Besige já participou, sem sucesso, das três últimas eleições para presidente (ele deveria pedir conselhos ao ex-presidente Lula). O atual presidente voltou recentemente do Kenya após ser ferido durante um protesto por causa da alta dos precos das “commodities” e tambem da corrupção endêmica governamental. A festa de posse do presidente Museveni, cheia de dignatários, foi ofuscada pelo confronto entre a Polícia e os partidários de Izza Besigye.

Nas últimas semanas Besigye e os líderes da oposição, muitos dos quais perderam a eleição para Museveni em fevereiro, montaram um protesto semanal contra o aumento do combustível, dos alimentos, e contra o que eles chamam de um Governo corrupto e fraco.

Se até recentemente essas manifestações eram tímidas, agora ganharam força, fazendo com que o Governo contra atacasse com uma resposta dura, levando muita gente a temer pela já precária democracia.

O presidente Museveni, reconhecendo os problemas, disse em seu discurso que o Governo iria averiguar a alta de preços dos combustiveis, e garantiu que o país está mais unido do que nunca.

Muito desta insatisfação foi direcionada a Museveni durante sua posse, tanto por causa da crença popular de fraude nas eleições, como na maneira com que o Governo tem tratado os líderes oposicionistas, disse Elliot Green, um especialista em Uganda da “London School of Economics”.

Besigye, que chegou num distante segundo lugar nas eleições, com apenas 20% dos votos, disse que não iria reconhecer o Governo atual.

A verdade é que o presidente Museveni tem sido um grande aliado dos EUA, e muitos eleitores deram a ele notas altas não somente pela estabilizacao de Uganda, mas tambem por fazer o país crescer depois de décadas de ditaduras e corrupção.

Viva Nova York

Outro dia, lendo um artigo muito interessante no Caderndo de Domingo do  “The New York Times” sobre a relação de truculência entre a Policia e os jovens afro-americanos moradores do Harlem, viajei no tempo retornando à cidade de São Paulo nos anos 80.  

Explico: Nicholas K. Pearl é um jovem de apenas 25 anos, estudante de nível superior e mora com a família num apartamento no bairro do Harlem. O problema de Pearl é que está numa faixa etária altamente suscetível a ser parado pela Polícia.

Segundo ele, entre 2006, quando tinha 18 anos, e 2009, quando completara 21, foi parado várias vezes. O motivo, é claro, é sempre o mesmo, ou seja: ele se encaixa na descrição de alguém que pode está fazendo algo errado, segundo a avaliação da Polícia.

Não sei como anda agindo a Polícia de São Paulo neste início de século, mas, pelas estatísticas sobre a morte de jovens negros no Brasil, não está muito diferente da minha época de juventude no final dos anos 70 e começo dos anos 80.

O ano passado, a Políicia de Nova York parou e revistou mais de 600 mil jovens, a grande maioria, ou seja 84%, negros e ou latinos. Está havendo na cidade um contínuo debate sobre o comportamento policial, considerado por muitos, como abusivo e inconstitucional. Seria interessante se houvesse um estudo deste tipo sobre os jovens negros em São Paulo.

É triste saber que o estereótipo negativo que acompanha os jovens negros, seja  em São Paulo ou Nova York, continua sendo o mesmo em pleno século XXI: o de suspeitos.

Viva Nova York II

“Flashdance”, o filme de 1983, estrelado pela belíssima Jennifer Beals como uma soldadora da construção civil com sonhos de tornar-se bailarina, e que quando não estava trabalhando, gostava de usar uma blusa uns dois tamanhos maiores do que seu numero, está a caminho de tornar-se musical na “Broadway”.

“Flashdance”, o musical teve uma temporada em 2010 em Londres está sendo moldado para o gosto da platéia norte-americana.  Um dos produtores, Thomas Vientel, disse no ano passado que o libreto foi totalmente reescrito enfatizando difrerentes tramas e relacionamentos.

O coreógrafo do famoso musical “Menphis”, grande ganhador de melhor musical da temporada de 2009, estará no comando da coreografia. As chances de sucesso  de Flashdance são grandes, se não não de críticos, com toda a certeza de publico, principalmente, os turistas que continuam abarrotando esta cidade, considerada hoje, a mais segura dos EUA.

 

 

 

Edson Cadette