Recentemente o Museu Metropolitano de Nova York (Metropolitan Museum), em parceria com o museu europeu, apresentou a eclética Exposição “Arte Oceânica e África”.
O aspirante a artista e herdeiro de uma família de industriais, Josef Mueller, começou sua coleção há mais de um século, numa época em que a vanguarda parisiense estava despertando e, ao mesmo tempo, abraçando o poder das artes não ocidentais. Mueller se especializou em colecionar os trabalhos de artistas contemporâneos europeus, bem como as esculturas africanas que os inspiravam.
Desde 1955, sua filha, Monique, e seu marido, Jean Paul Barbier-Mueller, vem expandindo sua fundação, enriquecendo a representação da arte além do Pacífico. O museu Barbier-Mueller abriu suas portas em 1977. Sua principal missão é fazer com que sua coleção seja acessível ao público em geral.
Muitas das obras primas nesta Exposição eram um ponto de referência das esculturas da Oceania e da África. As obras de artes foram apresentadas para o público norte-americano pela primeira vez.
As peças foram especialmente selecionadas por causa de seu valor estético, seu interesse histórico e também por causa de sua afinidade com a coleção permanente do Museu Metropolitano.
Esta rara oportunidade de comparar os objetos de ambas as instituições aumentaram a nossa habilidade em desenvolver um melhor senso critico e apreciação da singularidade destes magníficos objetos de arte.
A intenção do Museu com esta apresentação foi extirpar de uma vez por todas o conceito de primitivo que acompanha a arte fora do suposto mundo civilizado. Principalmente, as artes de origem africana e da Oceania. Posso garantir, sem dúuvida, que isto foi plenamente atingido.
Última sobrevivente
Se há uma história que acompanhou gerações após gerações durante o século XX, e continua sendo fonte de inúmeros estudos, teorias, livros, documentários, filmes, etc., foi o desastre do navio Titanic (pronuncia-se, por aqui, Taitanic com acento circunflexo na segunda vogal a).
O navio partiu de sua viagem inaugural da Inglaterra, mais precisamente South Hampton. Porém, na noite do dia 14 de abril de 1912, a colossal embarcação bateu numa enorme massa de gelo flutuante.
Recentemente, a última passageira viva daquela noite fatídica, a senhora Malvina Dear que, à época, tinha somente nove semanas, faleceu em Londres. Ela era a mais jovem dos 705 sobreviventes do naufrágio.
Enquanto o navio ia afundando, ela foi baixada numa pequena bolsa de lona usada pelo correio até o bote salva-vidas. Ela sobreviveu juntamente com a mãe e e um irmão de dois anos. Todos foram recolhidos pelo barco Carpathia e levados à Nova York. Por motivos financeiros, sua mãe juntamente com as duas crianças, voltou à Londres.
Por não se lembrar de nada daquela noite, a senhora Dean sempre evitou falar sobre o desastre. Entretanto, isso veio a mudar, em 1985, com a descoberta do navio afundado por uma equipe de mergulhadores franco-americanos. A descoberta fez reviver ao redor do mundo um enorme interesse sobre a história do Titanic.
O interesse, contudo, atingiu proporções gigantescas com o lançamento do filme Titanic, estrelado por Leonardo Di Caprio e Kate Winslet. “Ninguém sabia sobre mim e o Titanic, para ser honesta, ninguém tinha interesse algum. Eu também não tinha nenhum interesse”. “Mas, aí, encontraram o navio, e depois de encontrarem o navio, me encontraram” disse a senhora Dean à época do lançamento do filme.
A senhora Dean morreu sem ver o filme. Segundo ela, esta recusa se devia ao fato de não querer lembrar do que aconteceu com seu pai, se pulou do navio, ou afundou juntamente com a embarcação. “Para mim, ver o filme definitivamente seria muito emocional”.
Com a saúde debilitada, ela foi forçada a viver num asilo. Como a despesa estava muito alta, em torno de US$ 5.000.00 por mês, ela começou, então, a vender objetos do Titanic para se manter. Os principais atores do filme, Leonardo Di Caprio e Kate Winslet, ficaram sabendo das dificuldades e deram uma ajuda financeira a ela para que seguisse pagando sua estadia no asilo.
A senhora Dean não era muito de especular sobre sua sobrevivência. “Sempre vivi uma vida extremamente frugal”, dizia. “Céu e inferno… como alguém pode acreditar em algo no céu?” Ela disse. Mas sorrindo, matreiramente, emendou: “Mesmo assim, bem que eu gostaria de ter a prova de que estou errada.”

Edson Cadette