Em 100 dias, mais de 800 mil pessoas da etnia Hutu foram brutalmente assassinadas com machados e foices aos gritos de baratas pelos seus concidadãos da etnia Tutsi, sob os olhares complacentes dos soldados dos EUA e das Nações Unidas.
Esta horripilante história é contada através dos olhos de um acadêmico norte-americano. Ele estava no país junto com sua esposa e o filho do primeiro casamento, com quem ele mantinha um relacionamento difícil. Ele estava no país para escrever um livro sobre um amigo médico dos tempos da Universidade. Há dez anos ele não via o amigo, convidado por este, ele prontamente deixou seu posto em uma Universidade nos EUA para ir a Ruanda.
O professor e sua família chegam no alvorecer do que está prestes a acontecer. Sem entender o que se passa a sua volta ele busca seu amigo sem muito sucesso. Após receber informações contraditórias sobre o paradeiro dele, acredita que o amigo está morto. Entretanto, o amigo reaparece tentando explicar o porque do desaparecimento, e sua desesperadora situação dentro do país. Neste exato momento ele está tentando se esconder porque pertence à etnia “errada”.
O que vem a seguir no palco do teatro Roundabout é difícil de descrever. Com um nó na garganta presenciamos o caos que tomou conta deste pequeno país na África Central. Cidadãos da etnia Tutsi com machados nas mãos, e aos gritos na porta do acadêmico, demandam a entrega do amigo Hutu que ele está tentando proteger. Sob a ameaça de ver sua família massacrada ele prontamente entrega o amigo aos soldados raivosos. Não havia mais nada a fazer a não ser tentar proteger sua família. No final desta pungente apresentação ainda vemos caveiras sobre caveiras representando os mortos em mais uma tragédia que se abateu sobre o Continente Africano.
POLICIA ASSASSINA
“… Com muita brutalidade, né… gritando muito, né… falando… A justiça sabe o que faz, né… que faça aquilo que compete fazer. Elenice Rodrigues – Mãe do jovem assassinado pela Policia no interior do Estado de São Paulo.
A Polícia assassina da cidade de São Paulo tem uma filial no interior do Estado. Ela está localizada na cidade de Bauru, a 343 Km da capital paulista. E ao que parece ela também está determinada a não respeitar os direitos civis dos cidadãos afro-brasileiros. Desta vez a vítima da brutalidade policial foi um jovem afro-brasileiro de apenas 15 anos de idade morto nas mãos da Polícia em dezembro de 2007. O jovem Carlos Rodrigues Jr., acusado de roubar uma motocicleta, teve sua casa invadida por seis “policiais” sem mandado de busca. O jovem foi torturado e morto no seu próprio quarto, enquanto sua mãe e sua irmã, no quarto ao lado, suplicavam para os “policiais” pararem de torturar o menino.
Segundo o laudo do IML da cidade, o jovem sofreu mais de 30 lesões (choques). Entretanto, o que o levou a morte foram 2 choques elétricos na região mamária. É desesperador ler que jovens negros brasileiros continuam tendo suas vidas ceifadas por “policiais” racistas que se escondem sob a proteção de uma farda. A mídia segue ignorando o racismo que há muito tempo deixou de ser latente e é claramente manifesto. Devemos notar também que a etnia/cor dos jovens que morrem nas mãos da polícia sempre é convenientemente omitida pela mídia no país. Talvez o motivo desta omissão esteja no fato desta mesma mídia não querer admitir que as mortes de jovens pela violência policial atingem um número infinitamente maior de jovens negros do que jovens brancos. Noticiar este fato é admitir que o racismo existe. E isto a nossa mídia certamente não quer admitir.
Enquanto o Brasil se recusar a debater sériamente o legado escravocrata que afeta milhões de jovens afro-brasileiros, e a falta de oportunidades para a ascenção social a estes mesmo jovens por causa de sua etnia/cor, o país continuará presenciando as mortes desnecessárias de milhões de afro-brasileiros nas mãos de “policiais”. Infelizmente estas mortes continuarão sendo somente números estatísticos na mídia “banho maria” brasileira.
PELÍCULA
“HONEYDRIPPER” (2007) é uma pequena obra de arte. É a historia de um “bluesman” no Mississipi dos anos 50, e sua luta para manter sua dignidade, e seu pequeno Bar nos Sul dos EUA, em uma época onde o racismo imperava. Endividado até o pescoço, Tyrone Purvis (Danny Glover) tem somente o final de semana para pagar a seus cobradores antes que estes tomem seu estabelecimento. Para tentar arrecadar dinheiro, e também desbancar o concorrente local, ele contrata um famoso guitarrista de blues chamado Guitar Sam. Com ele, Tyrone Purvis, acredita que as populações locais, baseadas em colhedores de algodão e soldados do Exército que freqüentam o bar rival chamado Touissant’s irão prestigiar seu estabelecimento.
Quando tudo está preparado para a chegada do guitarrista, o senhor Purvis vai até a estação local para recebê-lo, mas é informado por um funcionário da linha do trem que o guitarrista ficou em Chicago por causa de uma doença. Vemos o desespero em seus olhos. Ele então toma um medida drástica. Pede ao corrupto xerife local que solte um jovem chamado Sonny (Gary Clark Jr.) que está preso por vagabundagem e que quando chegou à cidade foi direto a seu bar dizendo que era guitarrista, mas que foi prontamente ignorado por ele.
O xerife aceita prontamente a oferta, mas com uma condição. Que sua religiosa esposa cozinhe para ele por um ano. O acordo é selado prontamente. Purvis está mais preocupado com seu bar do que com sua esposa.
Tão logo o guitarrista sobe ao palco com sua guitarra e um velho amplificador vemos a imagem de Tyrones Purvis pedindo aos céus por um milagre. Depois de uma pequena rateada a música começa a tomar conta deste pequeno casebre. Ao fim da primeira apresentação a atmosfera que antes era de incerteza agora era de otimismo. O bar “Honeydripper” não só foi salvo como presenciamos também o nascimento do gênero musical que veio a ser conhecido como “Rock and Roll”. Este filme ainda conta com as participações dos músicos Keb’Mo’ e Dr. Mable John.
Serviço
“Honneydripper”(2007)
Direção: John Sayles
Duração: 2 horas
Estrelando: Danny Glover, Lisa Gay Hamilton, Charles S. Dutton e Gary Clark Jr.

FOLEGO
Com as vitórias nos estados do Texas, Ohio e Rhode Island, a ex- primeira dama Hillary Clinton ganhou fôlego para continuar na disputa pela nomeação do partido Democrata à presidencia dos EUA. Depois de 11 derrotas consecutivas, Hillary foi vista em uma igreja católica acendendo velas para tentar parar o fenômeno chamado Obama antes das primárias do dia 04.03.08. Parece que deu certo. Entretanto, ela ainda esta atrás do senador Barack Obama na contagem dos delegados. São necessários um total de 2.025 para ganhar a nomeação.
Hillary Clinton já chorou, já reclamou que está sendo injustamente tratada pela mídia local, e há duas semanas em um debate reclamou que seu oponente estava recebendo tratamento diferenciado. A senhora Clinton perguntou a um entrevistador recentemente se Barack Obama se sentia confortável, e se queria um outro travesseiro para encostar a cabeça. No mesmo debate, irritada, ela também questionou o motivo de sempre ser a primeira a ser questionada nos debates.
Barack Obama não tem nada a perder. Ele já faz parte da história norte-americana como o primeiro negro com chances reais de chegar a presidência. Todo o peso desta disputa está em cima da ex-primeira dama, que não só carrega o sobrenome do ex-presidente Bill Clinton, mas também o apoio da máquina do partido Democrata.
No momento Hillary está respirando sem a máscara de oxigênio. Mas se quiser ganhar esta acirrada disputa, é melhor compactar uma boa Mãe de Santo (eu recomendaria uma da Bahia) para ajudá-la na sua reza, e também com suas velas.

Edson Cadette