Queens, Nova York – A comunidade afro-americana é muito religiosa e devota. Como o é a população norte-americana como um todo. De acordo com uma pesquisa feita em 2008, 88% dos afro-americanos acreditam em Deus com absoluta certeza, comparado a 77% do total da população, com mais da metade indo a Igreja pelo menos uma vez por semana.

O Islã e outras religiões tambem estão representadas na comunidade afro-americana. Porém, a suposição de que os negros americanos são religiosos vem junto com a idéia de que eles são também cristãos. Mesmo para aqueles que não tem qualquer inclinação religosa, mais de 2/3 diz que a religião tem importância em suas vidas.

Em 2008, John Branch postou um video no YouTube chamado “Black Atheism”(Ateísmo Negro). Com uma câmera em close no rosto dos entrevistados ele pergunta: o que é ateísmo? Um ateu é, simplesmente, alguém que não acredita em Deus? Meio que brincando, ele continua: “Não estamos bebendo sangue. Não estamos cultuando satanás. O vídeo já foi visto por mais de 40 mil pessoas.

O vídeo de Branch, juntamente com sites chamados – “Godless and Black” (Sem Deus e Negro – trad. Livre), “Black Atheist” (Ateu Negro), e outros que mostram um grupo crescente de ateus, e ou agnósticos, na comunidade afro-americana está crescendo no mundo virtual.

De acordo com as pesquisas, a grande maioria dos agnósticos são brancos, incluindo os autores Richard Dawkins, Sam Harris e Christopher Hitchens, este último falecido no final de 2011, aqui, em Nova York.

Jamila Bey, uma jornalista de 35 anos, disse que “ser negra e atéia, em alguns círculos, não é ser negra”. Segundo ela, a história é ensinada aos afro-americanos é de que a luta pelos direitos civis foi uma luta cristã, e por esse motivo os negros que rejeitam a religião são vistos como quem dá as costas à sua própria história.

“A Igreja negra foi dominante”, ela disse, "porque era a única instituição independente permitida sob as leis segregacionistas chamadas “Jim Crow”, proporcionando com isso um espaço aos negros que, de outra maneira, seriam presos por congregarem em espaços públicos abertos".

No seu blog “Words of Wrath” (Palaras de Fúria), Wrath James White é um crítico do cristianismo e dos afro-americanos ferrenhos na aceitação do Deus dos nossos sequestradores, assassinos, senhores de escravos e opressores.

A pressão que White sente para deixar o ateísmo está no centro de uma declaração provocadora que ele fez no seu  blog. “Na maioria das comunidades afro-americanas é mais aceitável ser um criminoso que frequente a Igreja aos domingos, enquanto vende drogas para a juventude durante a semana, do que ser um ateu que contribui  positivamente com a sociedade ajudando sua família".

White disse ainda que sente o respeito direcionado a ele por causa de sua educação e o sucesso que conseguiu. Entretanto, porque não pode falar abertamnte sobre seu ateísmo, isso o mantém um pária na comunidade. Quando vivia em Los Angeles, ele disse ter assistido membros de uma gangue local usando suas cores distintas entrarem na Igreja onde eram bem recebidos aos gritos de “amém”. "Eles pecaram, mas foram perdoados como todo mundo ali", ele disse. “Eles eram livres para dizerem sua história”, disse White.

 Sua história sobre deixar a religião, ele mantem para si e para os internautas que acessam seu blog.

Linguagem humana

Analisando sons e línguas faladas em todo o mundo, o pesquisador neozelandês Quentin Atkinson, da Universidade Auckland, encontrou sinais de que o sul da África foi o local da origem moderna da fala.

Este achado se encaixa perfeitamente à evidência do encontro de fósseis de crânios e DNA que os humanos modernos tiveram sua origem no continente africano. Em outras palavras: não só o homem teve origem na África, mas tambem a linguagem humana moderna. Penso que o estudo deveria ser lido por aqueles que negam ao continente africano a contribuição para a história da humanidade no Planeta. Atkinson estudou não só as palavras, mas os fonemas, as consoantes, as vogais e os sons que são os elementos das línguas.

A linguagem moderna tem pelo menos 50 mil anos, periodo em que o homens moderno saiu da África. Entretanto, algums especialistas estimam que isso tenha ocorrido há mais de 100 mil anos. Se a teoria do doutor Atkinson estiver correta, ele está entrando num mundo de enorme controvérsia.

Linguistas tendem a desacreditar qualquer um que diz ter achado traços de línguas mais velhas do que 10 mil anos. Porém, o estudo de Atkinson tem fundamento e é, sim, possível, de acordo com Martin Haspelmath, um especialista em Linguística do Instituto para a Antropologia Evolucionaria, sediado em Leipzig, na Alemanha.

Outro especialista, o norte americano Donald Ringe, da Universidade de Pennsylvania disse que “ainda é muito cedo para dizer se as teorias de Atkinson estão corretas, mas se estiverem, é um dos mais interessantes artigos em linguística históricados últimos dez anos.”

A descoberta de Atkinson se encaixa com outras evidências a respeito da origem da linguagem. Os nativos do deserto do Kalahari pertencem a um dos primeiros ramos da árvore genealógica baseado no mitocondrial humano do DNA.

Seu estudo foi movido por uma descoberta recente dizendo que o número de fonemas numa língua aumenta com o número de pessoas que a falam. Isso lhe deu a idéia de que a diversidade de fonética aumentaria de acordo com o aumento da população, mas cairia quando um pequeno grupo se separasse do grupo principal migrado para outro território.

“O que é espantoso a respeito desta teoria é que ela mostra que a língua não muda assim tão rápido. Ela retém um sinal de sua ancestralidade ao longo do tempo”, disse o biologista Mark Pagel, da Universidade de Reading na Inglaterra.

Pagel vê a linguagem como central para a expansão do ser humano ao redor do mundo. “A linguagem era nossa arma secreta, e tão logo nós adquirimos a linguagem nós nos tornamos altamente perigosos”, ele disse.

Edson Cadette