Durante o final dos anos 60 e começo dos anos 70, na presidência de Richard Nixon (1969-1974), Henry Kissinger era o secretário. Foi durante este período que os norte-americanos cunharam o termo “backyard” (quintal) ao se referirem à America Latina (AL). Além disto, nesta época os EUA tambem apoiaram vários ditadores na região, entre os quais, Augusto Pinochet que assumiu o poder no Chile após o assassinato do presidente socialista Salvador Allende, em 1974. O senhor Pinochet “reinou” no país de 1974 até 1990, no comando de uma ditadura que deixou milhares de opositores mortos.
Hoje em dia o posto é ocupado por uma afro-americana. O nome dela é Condoleezza Rice. A senhorita Rice tem 52 anos de idade. Nasceu no Alabama (Sul) e, entre 1993 e 1999, foi professora de Ciência Política na prestigiosa Universidade Stamford no Estado de Connecticut(Leste) até ser convidada pelo presidente George W. Bush para ser sua principal assessora em Assuntos de Segurança em 2001.
Em Setembro do mesmo ano os EUA foram atacados pelo terrorista Osama Bin Laden. Menos de 2 anos depois, invadiram o Iraque com seu aval. Em 2004 ela substiui a Collin Powell para o posto de Secretária. A revista masculina GQ afirmou que Rice é, na atualidade, a pessoa mais influente em Washington. A revista FORBES a colocou duas vezes na lista da mulher mais poderosa do mundo, e a influente revista TIME a nomeou por quatro vezes como uma das pessoas mais influentes no mundo.
Apesar de todos estes elogios, parece que a senhorita Rice ficará marcada para sempre como parte de uma administração que arrastou o país para um atoleiro chamado Iraque baseada em informações nao confiáveis de que aquele país estava pronto para atacar os EUA com suas armas de destruição em massa (ADM).
Até mesmo o ex-Secretario de Estado, o respeitadissimo Collin Powell, que na época tinha sérias dúvidas quanto a uma ação militar, foi obrigado a ir à ONU no dia 6 de fevereiro de 2003 e mostrar ao mundo a ampola contendo um pó branco. Os EUA usaram esta apresentação como pretexto para justificar a invasão. Collin Powell não voltou para o segundo mandado de Bush. Sua reputação ficará para sempre manchada por causa da apresentação na ONU.
Em entrevista ao periódico “The New York Times”, no dia 01.09.07, Condoleezza Rice tenta justificar o atual malogro da guerra. Uma guerra que dividiu não somente o país, mas tambem o mundo. Uma guerra onde os norte-americanos entraram totalmente despreparados. Até mesmo o inspector escolhido a dedo para tentar encontrar as armas químicas que os inspetores da ONU não encontraram, o senhor David Kay, disse que ela com certeza foi o pior conselheiro de Seguranca Nacional que este país ja teve.
A pouco mais de um ano para o fim do seu período no posto, Rice está tentando remendar um pouco seu legado. Para isso, tem viajado constantemente para o Oriente Médio afim de intermediar um possvel diálogo entre judeus e palestinos, e entre árabes e judeus. Entretanto, uma coisa é certa: não importa o que faça nos meses finais na Administração, Condoleeza Rice estará sempre associada como uma das cabeça mentoras do atoleiro chamado Iraque.
FRACASSO CATASTRÓFICO
A Administração, o Congresso, o círculo fechado das Agências de Espionagem e, principalmente, o Departamento de Estado devem se respondabilizar pelo fracasso da empreitada iraquiana. Todos os cidadãos norte-americanos devem cobrar responsabilidade e a prestação de contas deste presidente. (Tenente Coronel Ricardo S. Sanchez – “NY Times” 13.10.07).
Eu não sei quantos artigos já li sobre o lodo chamado Iraque, ou quantas reportagens já assisti na televisão sobre o mesmo assunto. Antes mesmo dos EUA embarcarem nesta aventura em março de 2003, eu lia diariamente no principal jornal norte Americano, o “The New York Times” artigos tentando alertar para o perigo da invasão sem provas concretas de que o país possuía armas de destruição em massa, ou que estava por trás dos ataques do 11 de Setembro. Alguém escreveu que histeria coletiva é dificil de ser controlada.
Depois do ataque às Torres gêmeas do WTC, aqui em Manhattan, o mundo inteiro praticamente apoiou os EUA. Entretanto, por motivos de arrogância e tambem por ignorância da cultura no Oriente Médio, os EUA perderam praticamente o apoio do resto do mundo, passados quase cinco anos da invasão. Com a saída do primeiro ministro britânico Tony Blair, que deu apoio incondicional à aventura, os EUA perderam seu maior aliado. O novo ministro, Gordon Brown, disse que irá retirar seus soldados antes que todos afundem. Os EUA estão neste lamaçal sozinhos. Não há mais plano de ação no Iraque, somente o pensamento de uma saída honrosa. Afirmações “ad nauseaum” de que há progresso são ditas diariamente pelos republicanos, mas sem muita convicção. Os democratas, por outro lado, têm pouco a oferecer na luta contra o terrorismo interno ou internacional. Muitos conservadores que apoiavam Bush o estão criticando abertamente agora.
Atée mesmo o ex-presidente do “Federal Reserve” (O Banco Central norte-americano), Alan Greenspan, que deixou o posto depois de mais de 18 anos no cargo criticou duramente a Administração por causa da escalada do déficit do Governo. A reputação dos EUA ao redor do mundo nunca esteve tão baixa. Internamente há problemas com a economia, com o aumento do déficit por causa da guerra, com a imigração e tambem com a baixa cotação da moeda norte-americana no mundo.
O futuro presidente, que seráa escolhido no final de 2008, terá uma árdua tarefa em colocar novamente nos trilhos a locomotiva norte-americana que, no momento, segue descarrilhada e acéfala.
VINHA
Você já se imaginou trabalhando em um canavial? Ou já imaginou centenas de negros trabalhando lado a lado em uma enorme plantação, sob os olhares suspeitosos dos capitães do mato e dos senhores de engenho? Pela primeira vez na minha vida eu senti esta real emoção, ao visitar uma vinha. Era uma tarde de sábado. O sol estava escaldante e a temperatura oscilava em torno dos 40 graus. Depois de mais de duas horas de viagem, ao descer do ônibus, reparei na enorme vinha que estava à minha frente.
O pensamento de uma plantação dos tempos da escravidão caiu na minha mente como um relâmpago atraído por um pára-raios.
Sentado na varanda da vinha era como se eu estivesse em uma Casa Grande, vendo africanos e afro-brasileiros labutando em conjunto na fazenda de algum senhor de escravos. Desde que cheguei a Nova York, nos comeco dos anos 90, tenho aprendido muito sobre a história do Brasil. Talvez no Brasil, porque recebemos informações de uma cultura que não está muito interessada em debater seu legado escravocrata e, consequentemente racista do país, os afro-brasileiros ficam dependendo de suas próprias pesquisas e estudos para conhecer um pouco da sua propria história.
Convenhamos que, fundos para pesquisadores afro-brasileiros são tão ou mais raros do que água em Marte. Por isto, em geral somos educados para “engolir” a história oficial sobre a escravidão no país. Uma história que, infelizmente, nem sequer chega à superfície.
Demorei mais de vinte anos para expurgar do meu condicionamento brasileiro a noção de que a história da África e, por conseguinte, a história dos africanos e afro-brasileirosl não mereça suas próprias diciplinas nos cursos de História nas escolas públicas do país. Só posso imaginar que a recusa por parte dos formadores de opinião a isto, nada mais é do que uma atitude reacionária por parte daqueles que querem perpetuar o mito europeu na história do Brasil.

Edson Cadette