Um deles é o grupo de pilotos e pessoal de terra conhecido como Instituto Tuskegee. Com a presença do ex-controlador de voo, o senhor Joseph Burucker de 82 anos, esta posse histórica homenageou o que aqui, para muitos, é considerado como um dos verdadeiros pioneiros na luta pelos diretos civis dos negros. Pilotos e pessoal de terra do Tuskegee lutaram bravamente na II Grande Guerra Mundial defendendo os ideais de igualdade norte americanos mesmo sob a intensa discriminação racial da época.
Foi por causa dos atos de coragem e bravura deste Instituto que o então presidente Harry S. Truman pôs fim a segregação nas Forças Armadas. É importante salientar também que muitos anos antes de Martin Luther King fazer seu famoso discurso “I Have A Dream”, em 1963, na mesma Washington, pessoas como os ex-escravos Frederick Douglass e Harriet Trubman lutaram pela total aceitação do negro como cidadão pleno.
Em outras palavras, a luta dos negros pelos seus direitos e sua aceitação sempre esteve presente nesta comunidade.
Desde que foram emancipados em 1863 pelo presidente Lincoln, esta foi certamente a primeira vez em que os afroamericanos como comunidade sentiram que há um representante deles na Casa Branca. Não é à toa que caravanas de várias partes do país fizeram o trajeto para verem com seus próprios olhos o juramento do primeiro presidente negro.
Para a geração de Jesse Jackson, que cresceu sob o estigma não só da segregação racial, mas também da ideologia da inferioridade e incapacidade intelectual do negro, esta data representa a total ruptura com a ideologia de superioridade branca. É claro que há anos o racismo vem perdendo sua força no país que, a cada dia, vem se transformando mais e mais em uma verdadeira nação multi-étnica.
Entretanto, isto não quer dizer que este problema esteja completamente resolvido. Estudos do governo e de entidades privadas continuam apontando para as disparidades socioeconômicas entre negros e brancos. O juramento deste jovem presidente, com a presença de mais de dois milhões de pessoas e com transmissão ao vivo para todo planeta, veio finalmente coroar os esforços de todos aqueles que morreram na luta pelo reconhecimento, não só da cidadania do negro, mas também de sua humanidade.
Todos sabem os enormes desafios que o presidente Obama irá enfrentar, tanto internamente com a quase total ruptura do sistema econômico, como também os desafios externos em um mundo altamente competitivo, onde aqueles que não estão usufruindo das benesses da globalização acham que é mais fácil culpar os EUA do que demandar de seus próprios governantes soluções para seus próprios problemas.
Mais uma vez os EUA dão ao mundo um exemplo de sua capacidade ilimitada de renovação e esperança. O planeta acompanhou a acirrada disputa presidencial do ano passado. A eleição de Obama também pôs por água abaixo a teoria de que o eleitorado branco norte americano não teria coragem de eleger um presidente negro.
Baracak Obama nada mais é do que a culminação do que fizeram todos aqueles políticos negros, que, de uma maneira ou de outra foram pavimentando seu caminho. Barack Hussein Obama está pronto para guiar, não somente este país, mas também o mundo numa nova direção. O sonho se concretizou!

Edson Cadette