Manhattan, Nova York – No final das contas, não adiantou sua elegância, sua classe e tampouco suas altas qualificações. Susan Rice, atual representante dos EUA nas Nações Unidas retirou-se da disputa para substituir substituir Hillary Clinton como secretaria de Estado. Ela tinha grandes chances de se tornar a quarta mulher a ocupar o importante posto diplomático, depois de Madeleine Albright, Condolezza Rice e Hillary. Também se tornaria a segunda afro-americana após Rice, que ocupou o cargo no Governo Bush.

O chão começou a ficar movediço e suas chances escaparem por seus dedos quando declarou para vários canais de TV, em setembro de ano passado que o ataque terrorista a embaixada americana na Líbia, em 11 de setembro, havia sido espontâneo, executado por ativistas em protesto contra um vídeo que difamava o profeta Maomé. Dias depois, o serviço secreto e o Pentágono, confirmava que o ataque forai mesmo executado por grupos terroristas ligados a Al Quaeda.

Sentindo que seria uma luta sem chances, ela ligou para o presidente Obama, em dezembro, num gesto apreciado pelo Presidente, pedindo para que seu nome deixasse de ser cogitado como possível sucessora de Hilary. É verdade que o presidente ainda não havia  escolhido quem ocuparia o posto. Pairava no ar, porém, a certeza de que Rice era a favorita do presidente que a indicou para representar os EUA nas Nações Unidas após assumir o primeiro mandato em 2008.

Ao deixar de nomear Rice, Obama evitou o que muitos acreditavam seria uma disputa perdida, porque congressistas republicanos certamente barrariam a indicação, e se preparavam para impor a primeira derrota ao Presidente no segundo mandato.

“Enquanto eu profundamente lamento os ataques injustos e enganosos em Susan Rice nas últimas semanas, sua decisão demonstra a força de seu caráter e seu admirável compromisso em estar acima de políticas de momento para colocar os interesses nacionais primeiro”, disse o Presidente, elogiando publicamente o seu gesto de desistência ao cargo.

Com a decisão, o caminho ficou aberto para o senador John Kerry, democrata do estado de Massachusetss (Leste) e encarregado do Comitê de Relações Exteriores no Senado, que já foi, inclusive, confirmado pelo Congresso. Kerry foi o candidato democrata derrotado por George Bush na sua reeleição em 2004.

Ao que tudo indica os republicanos, que não engoliram Barack Obama, no primeiro mandato, também não farão as coisas fáceis para o Presidente nesta sua segunda passagem pela Casa Branca.

Viva Nova York

Cory A. Booker tem 43 anos. Ele nasceu em Washington, mas foi criado num dos ricos subúrbios de New Jersey chamado Harrington Park. Formado em Direito pela prestigiosa Universidade de Yale, no Estado de Connecticut (Leste), ele foi também durante três anos estudante da Universidade Oxford, na Inglaterra, tendo obtido uma bolsa de estudos conhecida como “Rhodes Scholarship”. (Bolsa de Estudo Rhodes)

Quando decidiu iniciar sua carreira política em New Jersey, em 1998, ele fez questão de dormir 10 dias num local infestado de crackeiros e traficantes para mostrar o sério problema que vivido pela cidade, à época. Em 2006, Booker tornou-se prefeito de Newark, uma das cidades mais violentas dos EUA, e com um alto índice de homicídios na comunidade afro-americana.

Para muita gente em Newark, Booker está mais preocupado em ser confundido com uma celebridade do que passar o dia atrás de uma mesa de escritório resolvendo os muitos problemas que afligem a cidade.

Entre janeiro de 2011 e junho de 2012, de acordo com o jornal “Star-Ledger”, ele passou ¼ do seu tempo como prefeito misturando-se com celebridades, dando entrevistas para televisão, e falando sobre seus dois livros e um documentário. Até mesmo a apresentadora e atual dona de um canal de televisão, Oprah Winfrey, se rendeu aos encantos do prefeito chamando-o de “Rock Star”.

Booker, antes de ser eleito, prometeu revitalizar uma cidade que continua perdendo seus residentes, suas indústrias e sua esperança há mais de 45 anos, ou seja: desde os distúrbios raciais que quase a deixaram em ruínas.

Verdade seja dita: ele é completamente diferente de seu antecessor – Sharpe James, que ficou à frente da prefeitura por 20 anos, mas no final do último mandato foi preso, tendo cumprido mais de dois anos na penitenciária por corrupção.

“Há bastante frustração e desencanto”, disse o político Albert Coutinho, um democrata representando a cidade. “As pessoas sentem que o prefeito passa muito tempo fora da cidade e não foca nas suas funções diárias”, afirmou.

Booker se defende dizendo que por causa de seus conhecimentos e seus contactos a cidade recebeu mais de US$ 400 milhões em contribuições filantrópicas, incluindo-se US$ 100 milhões doados por um dos fundadores do Facebook, o jovem bilionário Mark Zuckerberg para as escolas públicas.”Nenhuma cidade teve este tipo de renovação na pior crise econômica desde os anos 50, na época dos distúrbios raciais”, ele disse.

Perguntado sobre as reclamações dos moradores e dos homens de negócios de que o lixo não estava sendo recolhido, prédios   abandonados não estavam sendo adequadamente vedados, e o espaço público permanecia em estado precário, o prefeito mudou de assunto falando do novo sistema implementado na cidade, que possibilita localizar melhor as áreas que precisam ser limpas da neve, e qual o departamento esta pagando horas extras em demasia.

Booker convidou jornalistas para uma demonstração do novo sistema, porém acabou cancelando a entrevista por causa de um evento numa das livrarias em Nova York. Depois do evento, ele fez  um discurso num dos restaurantes chiques da cidade, o Cipriani, e depois foi a première de um filme no quartel general do Googles. Isso, é claro, foi acompanhado horas depois por seus mais de um milhão de seguidores no Twitter.

 

Edson Cadette