Manhattan, Nova York –  As manifestações dos brasileiros (para a grande mídia manifestantes/baderneiros) que estouraram por todo o país nas duas últimas semanas como pipoca em panela de óleo quente, estão sendo acompanhadas ao redor do mundo com ar de surpresa.

Aquela imagem de um país tropical, exótico e com um povo feliz em que a miscigenação é a regra e não exceção, tendo no “jogo bonito” do seu futebol, e no carnaval o ápice de sua felicidade, ficou estilhaçada, como se uma pedra lançada de estilingue tivesse atingido a vidraça..

Depois de um pouco mais de duas décadas de manifestações, bravatas de seus seguidores, inúmeras greves e críticas contra o governo no poder, o PT assumiu o Governo federal em 2003 no rastro de uma moeda estável e um clima de crescimento mundial que ajudou o país a aumentar significativamente seu Produto Interno Bruto (PIB). Muita gente, inclusive intelectuais de prestígio e a grande mídia, acreditava que somente o aumento do PIB seria suficiente para tirar milhões de brasileiros do estado quase absoluto da pobreza.

Por oito anos as grandes empresas brasileiras faturaram na onda crescimento mundial. O PT aumentou o número de funcionários públicos, empresas como a Petrobrás, Vale do Rio Doce etc. passaram a obter subsídios do BNDES para alavancar seus negócios.  O real permaneceu sendo considerado uma moeda forte.

Isso fez com que milhões de destituídos começassem a consumir melhor e a classe média passasse a viajar mais, especialmente, para os EUA para comprar  quinquilharias em Nova York ou visitar a Disneylândia, em Orlando, na Flórida.

 O Governo do PT começou a receber elogios ao redor do mundo, Lula virou “o cara” para o Presidente Barack Obama.  Revistas e jornais internacionais falavam do país como o exemplo a ser seguido. O país era o grande líder dos BRICs (Brasil, Russia, India, China e África do Sul) que demandavam das maiores economias sua entrada no grupo fechado conhecido como G8 – os donos do mundo.

Até mesmo os críticos mais ferrenhos dos petistas renderam-se ao charme do presidente Luis Inácio Lula da Silva, que virou personalidade de destaque frequentemente citada pela mídia internacional.

É claro que as estruturas arcaicas das instituições não estavam sendo sequer tocadas pela administração do partido dos trabalhadores. Oligarcas com raízes num Brasil colonial e escravagista não estavam sendo desalojados de seus postos importantes dentro do Governo – caso do ex-presidente e uma espécie de dono do Estado do Maranhão, o senador José Sarney.

O conluio entre o público e o privado continuava intacto. A corrupção seguia endêmica; imagens de políticos recebendo propinas e escondendo nas próprias cuecas, se tornaram conhecidas e quase folclóricas e o  mensalão – o caso mais emblemático de como a corrupção se enraizou  nas instituições do Estado nos últimos 11 anos de governos petistas.

Tudo isso sendo assistido por uma população anestesiada por uma suposta melhoria na vida e uma classe média que reclamava do Governo comendo churrasco e ouvindo música de gosto duvidoso, mas de carro novo na garagem.

Sob este clima, uma geração de jovens foi crescendo e recebendo suas informações via internet. Eles não estavam confinados a ideologias ensinadas em escolas conservadoras brasileiras. Muitos deles com experiências no exterior não acreditavam na falácia de que “Deus é brasileiro”.

Estes jovens começaram uma demonstração que pegou fogo como num paiol de pólvora. O Governo brasileiro mostrou claramente que não tinha ideia das frustrações que foram sendo acumuladas durante décadas nesta enorme panela de pressão chamada Brasil. A panela estourou.

Edson Cadette