Alerta geral a todos os pais! Se você é pai ou mãe de algum criança, tome muito cuidado. Seu filho é alvo em potencial de seguranças racistas que trabalham para as grandes redes de supermercados na cidade de São Paulo.
Há pouco mais de um ano, um homem negro foi duramente espancado no estacionamento do supermercado Carrefour, em Osasco, região metropolitana da Grande São Paulo, enquanto aguardava juntamente com seu bebê no carro, o retorno de familiares.
Após ser abordado com truculência por boçais uniformizados, este cidadão foi levado para uma sala e torturado por seguranças que o tomaram por suspeito do roubo do seu próprio carro – um EcoSport.
Tudo porque esse cidadão estava na direção de um carro, que não condizia com o seu perfil sócio-racial. Ou seja: nestes oitos anos de Governo petista, onde é farta a propaganda de que a classe C foi a que mais ascendeu socialmente, observa-se que a sociedade ainda não está preparada para a ascenção daquela que compõe metade da população brasileira: a parcela negra.
Após a repercussão da denúncia, o caso acabou em acordo extra-judicial em que o cidadão foi indenizado, na esfera cível, pelo supermercado, em termos considerados por ele satisfatórios. Na esfera policial, ainda aguarda-se a conclusão do inquérito.
Agora cai como uma bomba (se é que podemos chamar assim, mais um caso de racismo no Brasil de bomba, uma vez que a comunidade afro-brasileira sofre preconceito racial diariamente) a notícia de que uma criança negra de apenas 10 anos foi humilhada por seguranças(mais uma vez) dentro de uma sala “privada” do supermercado Extra localizado na Penha, na zona Leste da capital paulista.
Segundo o relato, o garoto foi obrigado a tirar a camisa e também a bermuda para mostrar que não havia furtado nada do supermercado. Todos os ítens que carregava em suas pequenas mãos haviam sido pagos devidamente.
O menino carregava consigo a nota fiscal emitida por um caixa do próprio supermercado para provar que estava dizendo a verdade. Mas como no país da “democracia racial” o negro é sempre o suspeito número um, e aí não importa sua idade, os seguranças não pensaram duas vezes: levaram a criança, não para um averiguação, mas com o intuito único e exclusivo de humilhá-lo, maltratá-lo, amedrontá-lo com ameaças.
“Você é um neguinho fedido, você e um neguinho fedido” foram as palavras usadas na verdadeira sessão de tortura psicológica a que a criança foi submetida. Ameaçaram ainda chicoteá-lo. (Alguém pensou em senzala?) Isto mesmo depois de constatarem que o menino não havia roubado absolutamente nada.
Lendo as reportagens sobre este episódio, nota-se que a mídia ainda reluta em dar nome aos bois, ou seja, chamar de racismo quando há racismo. É possível observar também seu grau de supresa com casos como estes.
O mito da democracia racial está tão enraizado na psiquê daqueles que detém o poder que eles se recusam a ver o óbvio ululante. Ou seja: o problema racial brasileiro é muito mais sério do que se pensa. Nestes dois casos, fica evidente que o objetivo dos seguranças é tentar colocar o gênio de volta na garrafa. Em outras palavras: é tentar fazer com que o negro volte ao seu lugar de subserviência.
Parece mentira, mas há pessoas no Brasil que ainda acreditam que o problema racial foi oficialmente resolvido em 1888. Bem, se isto realmente aconteceu, então esqueceram de uma coisa: avisar aos seguranças das grandes redes de supermercados.
*O título original do artigo é “A próxima vítima pode ser seu filho”.

Edson Cadette