O julgamento está sendo visto como um divisor de águas na questão dos Direitos Humanos nos tempos modernos, e como, finalmente, ditadores africanos não estão mais saindo impunes de crimes cometidos contra populações indefesas.
O ditador foi também o primeiro líder de um país a ser condenado por um Tribunal Internacional desde o julgamento de Nuremberg, na Alemanha, após a Segunda Grande Guerra, que levou ao banco dos réus os líderes do nazismo.
“O senhor Taylor foi condenado por “ajudar e incitar, bem como planejar alguns dos mais hediondos crimes da história humana”, disse Richard Lussick, o juiz que presidiu o julgamento. Se a sentença for cumprida integralmente, Taylor de 64 anos passará o resto de sua vida na prisão.
A principal promotora de acusação, Brenda Hollis, disse, numa entrevista coletiva transmitida para o Oeste da África: “A sentença de hoje não substitui órgãos amputados; não trará de volta aqueles que foram mortos. Não cicatrizará as feridas daqueles que foram estuprados ou foram forçados a tornarem-se escravos sexuais”.
Segundo um dos advogados de Taylor, Morris Anya, a sentença não é justa. Segundo o mesmo advogado, a pena é excessiva, levando em conta o estado de saúde do ditador e também sua idade avançada. A equipe jurídica de Taylor entrará com um pedido de anulação da sentença.
Do lado de fora do Tribunal, acompanhando o julgamento, e pedindo Justiça para as centenas de vítimas das atrocidades, estava Salamba Villa, que trabalha para uma ONG africana.
Ibrahim Sorie, um advogado de Serra Leoa, que estava sentado nas galerias do Tribunal, disse que a sentença foi justa. “Ela restaura nossa fé no estatuto das Leis, e nós vemos que a impunidade está terminando para os grande tubarões do alto escalão dos Governos,” disse Sorie.
Por causa de um acordo prévio com o Governo britânico, Taylor irá cumprir a pena na Inglaterra. Entretanto, por causa da apelação, que deverá ser julgada em não menos que um ano, permancerá numa, relativamente confortável, prisão supervisionada pela ONU na Holanda.
Entre os crimes de que o ex-ditador da Libéria é acusado estão assassinatos, estupros, o uso de crianças como soldados, mutilação de centenas de pessoas e a retirada dos chamados “diamantes de sangue” para o financiamento da guerra contra a população civil.
Os promotores disseram que os motivos para a prática de tais atrocidads, não foram a defesa de algum tipo de ideologia, mas, únicamente, a avareza e a sede de poder.
Na Libéria, governada por Taylor à ferro e fogo, não tinha recursos financeiros para sediar um julgamento de tal magnitude.
Entre as testemunhas que depuseram contra Taylor estavam homens com mãos decepadas e mulheres vítimas de estupros. Ajudantes e capangas do ditador também testemunharam. Um dos facínoras descreveu um ritual em que ele e outros se juntaram a Charles Taylor para comer corações humanos.
Os três juízes que compunham a bancada, um de Uganda, outro de Samoa, e o último da Irlanda, mostraram muita tolerância com Charles Taylor durante sua defesa. Ele passou 81 dias de um julgamento de sete meses contando sua estória sem ser interrompido. Argumento, em sua defesa, ter ouvido falar das atrocidades “e que ninguém neste planeta teria deixado de ouvir sobre as atrocidades em Serra Leoa, mas que nunca, jamais, teria permitido a prática dos crimes de que é acusado.
Viva Nova York
Lana Turner (não a atriz) é uma corretora imobiliária de 60 anos, que reside no bairro do Harlem. Recentemente, para a judar na venda de um casarão, a senhora Turner resolveu inovar na sua técnica de vendas. Tirou do seu baú pessoal peças de vestuário do século XIX e organizou um show de moda pelos quatro andares do casarão.
A exibição “Encontrando Estilo no Tempo” foi montada pelos estilistas Jacobs and Melton. Na exposição, ela incluiu 58 vestidos, além de luvas e chapéus. As roupas variavam da moda dos anos 1890, com vestidos encontrados numa pilha de lixo, até um modelito negro usado pela estilista Vera Wang.
Também foram expostos um par de vestidos ornamentados com penas de avestruz criadas por Arnaldo Scaosi. Turner usou todas estas vestimentas em diferentes ocasiões. Algumas para dançar jazz nos clubes do bairro e outras para ir a famosa Igreja Batista Abyssinian.
Resta saber agora se o show com roupas antigas irá ajudá-la a vender o casarão que está no mercado pelo preço de US$1.6 milhão.
Para quem estiver em Nova York e quiser ver a exposição, Turner deixa uma coisa clara: “A casa está a venda, meus vestidos não!”.
Viva Nova York II
Ernest C. Wither é conhecido por suas fotografias tiradas nos anos 50/60 na época da luta pelos direitos civis, mostrando as indignações sofridas por cidadãos afro-americanos.
É de Wither a famosa fotografia do reverendo Martin Luther King Jr., em sua primeira viagem, num dos ônibus após o início da rebelição negra contra a segregação, em 1.955, no Estado do Alabama (sul). É dele a famosa foto dos lixeiros grevistas carregando placas com os dizeres: “Iam a man” (Eu Sou um Homen).
Foi também o único fotógrafo a cobrir o julgamento inteiro do jovem Emmett Till, o jovem de Chicago brutalmente assassinado no Mississipi (Sul) enquanto passava suas férias na casa de parentes porque ao sair de uma quitanda supostamente assoviou para uma mulher branca. Este caso ficou célebre porque a mãe do jovem Emett Till fez questão de deixar o caixão do filho aberto para mostrar o grau de violência ao qual o filho foi submetido.
Wither também estava no quarto 306 do Motel Lorraine, no Mississipi, quando o reverendo King foi assassinado, no dia 4 de abril de 1968.
Agora, porém, uma revelação, que surpreendeu a muita gente:considerado um dos principais fotógrafos daquele período, recentemente revelou-se que Ernest C. Wither era também um informante do FBI.
Uma investigação, que durou dois anos, mostra que o fotógrafo, falecido há dois anos aos 85 anos, colaborou com agentes do FBI nos anos 60 e monitorava os principais líderes do Movimento dos Direitos Civis.
“É uma enorme traição”, disse Athan Theo Harris, um historiador e autor de livros sobre o FBI, ao saber do passado do fotógrafo como agente policial. “Isto mostra o grau de penetração que os agentes do FBI e, consequentemente, o Governo dos EUA tinham no Movimento pelos Direitos Civis”. “Este homem era de total confiança da comunidade afro-americana”, acrescenta o historiador.

Edson Cadette