Queens, Nova York – David David Kato assumiu sua homossexualidade no início da década de 90, porém, só pôde fazê-lo, não em seu próprio país – Uganda -, mas na África do Sul. O motivo: a maneira como, em pleno século XXI, o homossexualismo ainda é visto em Uganda.

Como um franco defensor dos direitos dos homossexuais no seu país, onde a homofobia é tão severa que há um projeto de lei sendo discutido no parlamento autorizando a decretação da pena de morte a todos os que assumirem orientação sexual que não seja hetero.  Kato vivia sob constante ameaça de morte.

No final de 2010, um jornal local chamado “Rolling Stone” publicou matéria de capa com o titulo “100 fotos dos principais homossexuais do país”, com a foto de Kato. A manchete vinha acompanhada do subtítulo: “devem ser enforcados”. Pois bem, em janeiro de 2011, Kato passaria a engrossar as estatísticas: foi assassinado.

Segundo a versão oficial, teria sido vitima de assalto, porém, ninguém tem dúvidas – especialmente a pequena comunidade gay de Uganda  – que sua morte foi provocada pelo preconceito plantado por evangélicos norte-americanos que atuam no país.

“O Governo de Uganda e os chamados evangélicos norte-americanos devem ser cobrados pela morte de David Kato”, disse Val Kalembe, a diretora de um dos grupos de direitos humanos de Uganda.

Os evangélicos repudiam qualquer acusação de violência, porém, o projeto de lei contra o homossexualismo em Uganda foi desenvolvido por parlamentares que estiveram em contato direto e foram estimulados por esse grupo.

Muitos africanos tem um visão esteriotipada sobre o homossexualismo. Alguns acreditam que é um produto importado do ocidente e a maioria dos países da África tem leis severas contra. Ao norte da Nigéria, por exemplo, homens homossexuais podem morrer  apedrejados. No Quênia, país com fortes inclinações ocidentais, homossexuais podem pegar anos de cadeia.

Uganda, ao que tudo indica, está na vanguarda das restrições. O ministro de Ética e Integridade, Nsaba Buturo, que  se autodeclarou  cristão devoto, disse: “Homossexuais podem esquecer sobre direitos civis.”

Kato tinha um pouco mais de 40 anos. Segundo seus amigos, falava bem rápido e andava sempre inquieto. Tinha consciência do perigo em que vivia, mesmo quando falava de sua homossexualidade para alguma entrevista mais reservada. Na última que concedeu disse que gostaria de ser um “bom defensor do direitos humanos vivo, não um defensor morto.”

Holocausto Judeu

Uma das frequentes alegações dos alemães, principalmente, após o desfecho da Segunda Grande Guerra Mundial (1941-1945), era de que a população, em geral, não sabia da existência de campos de extermínio. Em outras palavras: alegavam que as atrocidades contra os judeus aconteciam em lugares remotos distantes das vistas da população.

Pois bem, há 13 anos, o Museu Memorial do Holocausto, em Washington, começou o penoso trabalho de catalogar todos os guetos, campos de concentração e de trabalhos forçados erguidos e mantidos sob o nazismo em toda a Europa.

Os pesquisadores, até o momento, conseguiram catalogar mais de 40 mil guetos e campos em áreas controladas pelo alemães na França, Rússia e na própria Alemanha, entre 1933 e 1945.

Os campos documentados incluem, não sómente os “Centros da Morte”, mas locais de trabalhos forçados para prisioneiros judeus, além de instalações eufemisticamente chamadas de “Centros de Cuidados”, onde mulheres grávidas eram obrigadas a abortarem, ou tinham seus bebês mortos após o nascimento, e bordéis onde as mulheres judias eram violentadas sistemáticamente por soldados nazistas.

Lugares conhecidos pelas atrocidades como Auschwitz e o gueto de Varsóvia, ambos na Polônia, na verdade, são apenas uma pequena parte do total.

Os coordenadores do projeto, Geoffrey Megargee e Martin Dean, estimam que, entre 15 e 20 milhões de pessoas morreram nesses lugares, que eles identificaram em dois volumes de um enciclopédia de sete, que deverá ser publicada pelo Museu até 2025.

Quando os pesquisadores começaram o trabalho em 2000, Megargee disse que esperava encontrar mais ou menos 7 mil campos nazistas e guetos, baseado nas estimativas pós Guerra. Entretanto, os numeros seguiam aumentando: primeiro foram 11,5 mil, depois 20 mil, depois 30 mil, e agora um total de 42,5 mil registros.

Os numerous finais são assombrosos: 30 mil campos de trabalhos forçados; 1.150 guetos judeus; 980 campos de concentração; 1.000 campos de prisioneiros de Guerra; 500 bordéis de escravas sexuais; e milhares de outros locais usados para eutanásia de velhos e enfermos, para abortos ou para transporte de vítimas para os “Centros da Morte”.

Somente em Berlim, os pesquisadores encontraram 3 mil campos, e as chamadas “Casas de Judeus”. Em Hamburgo, haviam, pelo menos, 1.300 destes sinistros lugares.

O pesquisador Dean, um dos responsáveis pelo trabalho, disse que estas descobertas não deixam dúvidas de que muitos alemães , apesar da frequente afirmação de ignorância, deveriam saber da existência dos campos de extermínio.

“Você, literalmente, não podia ir a lugar algum na Alemanha sem encontrar um campo de trabalhos forçados, campos de prisioneiros de Guerra, campos de concentração “ ele disse. “Eles estavam por todos os lugares”, acrescenta.

Viva Nova York

Não me lembro que idade tinha quando vi pela primeira vez “Deep Throat”( Garganta Profunda), um classic do cinema pornográfico. Deveria ter, entre 18 ou 19 anos. O filme é de 1972 e causou frissom em todo mundo.

A estória gira em torno de uma mulher que se sente culpada por não conseguir atingir o orgasmo de maneira convencional. Numa visita ao médico, ela descobre que seu ponto G está localizado na garganta. Quem fez a descoberta foi Harry Reems, no papel de um jovem médico que não somente descobre o ponto G de sua paciente, mas tambem administra a cura para a personagem interpretada pela atriz Linda Lovelace.

Posso afirmar, com toda certeza, que assisti o filme num daqueles pulgueiros, especialiazados na exibição de filmes pornográficos. Estou falando da região entre a Avenida S. João e a Ipiranga, centro de S. Paulo.

Li outro dia no The New York Times que o filme, desde que foi lançado há 40 anos, arrecadou mais de US$ 600 milhões. Detalhe: o seu protagonista principal, Reems, recebeu somente a mixaria de US$ 250.00. Entretanto, segundo ele próprio, houve outras compensações, como festas na mansão do criador do império da Playboy, andar no meio de celebridades e, claro, fugir da multidão de mulheres que queriam ser examinadas pelo doutor Young.

Nem tudo foi brilho na vida de Reems. Somente dois anos depois do filme, ele foi processado pelo Governo norte-americano por conspiração e envolvimento com a máfia, acusado de transportar material ilícito para outros Estados.

O filme “Garganta Profunda”, segundo reportagens da época, teria sido financiado por associados da família Colombo. Em 1977, sua sentença foi posta de lado por um juiz federal.

Reems estrelou mais de 100 filmes, entre eles, um outro clássico da indústria pornográfica, “The Devil in Miss Jones”(trad livre – O Diabo na Senhorita Jones), também visto por este escriba em minha juventude.

Em 2005, numa entrevista ao periódico “The Ottawa Citizen”, ao ser perguntado sobre a ligação de sua carreira com a indústria pornográfica, e como um corretor imobiliário de sucesso, ele disse: “Continuo vendendo sujeira”.

Reems faleceu outro dia na cidade de Salt Lake City, no Estado de Utah (Centro-Oeste).  RIP (Descanse em Paz, mister Reems!)

 

Edson Cadette