Segundo o Governo Federal, instituições veneráveis que representam o “sucesso” do mundo capitalista, como as montadoras Ford, Chrysle e GM, e os bancos “Citigroup” e “Bank of America”, que estavam a ponto de sucumbir na turbulência financeira, eram muito importantes para a estabilidade econômica. O medo que tomou conta do país era de que, se estas e outras empresas afundassem, o famoso “american way of life” (modo de vida norte-americano) iria fatalmente para o buraco.
Por esta única razão, o Governo Obama foi obrigado a criar um fundo monetário usando o dinheiro público para tentar estancar a hemorragia, e com isso salvar, não somente os EUA do pior desastre financeiro desde o colapso da Bolsa, em 1929, mas também o sistema capitalista no mundo.
O Programa de Ajuda para Ativos no Passivo, ou TARP em inglês, foi a solução encontrada para conter os estragos que pareciam não ter fim. Claro que houve uma choradeira generalizada dentro do Partido Republicano que é contra qualquer iniciativa do presidente democrata Barack Obama.
Para os Republicanos, Obama está levando o país para o Socialismo. Ou seja, as mãos do Governo atual estarão em, praticamente, todas as atividades econômicas.
O Fundo, certamente, ajudou a estancar o problema. Porém, ficamos sabendo pelas mídias que muitas das empresas que receberam ajuda do Governo com uma mão, distribuiram milhões de dólares a seus funcionários com a outra. Em outras palavras: enquanto essas intituições de chapéu na mão choramingavam por uma ajuda financeira, ao mesmo tempo, tratavam seus altos executivos à pão de ló, distribuindo dinheiro público.
Segundo informou o Procurador Geral pelo Estado de Nova York, Andrew Cuomo, os bancos distribuiram a altos funcionários a bagatela de US$ 33 bilhões em compensações financeiras, em 2008.
Quando estas compensações eram astronômicas, mas, de certa maneira, tinham efeito positivo na Economia em geral, poucas pessoas estavam dispostas a criticar a concentração de renda nas mãos de tão poucas pessoas. Porém, como a Economia, que já vinha se arrastando desde o final de 2007, entrou em total parafuso no último trimeste de 2008, todos os holofotes se viraram para Wall Street.
Isso fez com que o Governo Obama apresentasse tambem um projeto de Lei para tentar colocar um teto máximo nos ganhos que um funcionário poderia receber, no caso de sua empresa ser beneficiada com a ajuda do Governo. A medida visa colocar um fim na prática de pagamentos estratosféricos se o risco der certo, mas nenhuma responsabilidade se o risco der errado.
Há um consenso generalizado contra estes riscos excessivos. A Emenda ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, onde os senadores se mostram bastantes relutantes. A bem da verdade, é preciso dizer que muitas destas empresas já pagaram seus “empréstimos” ao Governo Federal.
Contudo, ainda paira no ar a sensação de que a menos que o Governo Federal crie mecanismos para uma melhor fiscalização do mercado financeiro, os senhores do universo de Wall Street poderão voltar a colocar, não somente suas empresas em risco por causa de suas ganâncias pecuniárias, mas tambem todo o sistema financeiro mundial.
Mulher no topo
Ursula M. Burns é mais velha do que eu um ano. Ou seja, tem 50 anos. Li outro dia no periódico “The New York Times”, que ela acabava de ser nomeada chefe de diretoria da companhia Xerox USA, uma das 500 mais poderosas empresas no país. Ainda no mesmo artigo, a Xerox anunciava um receita de US$ 176 bilhões, em 2008.
A senhora Burns é veterana na companhia. Ela começou sua carreira como estagiária na área de Engenharia, na década de 80. Como presidente, já estava no comando de uma vasta área de operações, conduzindo importantes reuniões com os homens de negócio de Wall Street, acompanhada pela ex-chefe de diretoria, Anne Mulchy.
Esta é, também, a primeira vez na história da empresa que, uma mulher é substituída por outra como Chefe de Diretoria. Nesse caso, é importante frisar que a nova chefe é afro-americana. Em 2007, a senhora Burns foi receber a medalha nacional de tecnologia oferecida a Xerox. A medalha foi entregue pessoalmente pelo então presidente, George W. Bush. “Atta Girl!” (Trad. Livre – É isso aí garota!)

Edson Cadette