Duvalier Jr. herdou, aos 19 anos do seu pai, François Duvalier, mais conhecido como Papa Doc, o patriarca da ditadura da família, um dos países mais pobres do planeta. Ficou à frente do Haiti por 15 anos com a ajuda dos nefastos “Tom-Tom Macoutes”, a polícia secreta, que se notabilizou pelos requintes de crueldade contra adversários políticos.
Ao deixar o país, fugindo para Paris (onde mais?) no meio dos anos 80, levou consigo uma fortuna estimada em mais de US$ 300 milhões. Segundo reportagem recente do “The New York Times”, Duvalier está “duro”, por isso deixou a França. Seu retorno, na verdade, fazia parte de uma jogada esperta para tentar reaver US$ 6 milhões depositados em bancos suíços.
Ao tomarem conhecimento da intenção de Duvalier, autoriddes suíças preocupadas em melhorar a imagem do país, que se tornou conhecido não apenas pela pontualidade dos seus relógios, mas como porto seguro de dinheiro roubado por ditadoras em várias partes do mundo, criaram o que está sendo chamada de “Lei Duvalier”. Ou seja:passaram a usar de mais discrição para fazer retornar bens roubados aos países de origem.
Se Baby Doc tivesse conseguido entrar e sair discretamente, poderia argumentar perante as autoridades suíças que o Haiti não estava mais interessado na sua pessoa.
Sua volta abriu velhas e profundas cicatrizes, e pedidos de justiça de grupos internacionais de direitos humanos, o mesmo ocorrendo com pessoas seqüestradas e torturadas durante seu repressivo regime.
Diante da pressão, o atual governo haitiano foi obrigado a agir entrando com um pedido formal de acusação e ordenando a Duvalier que permanecesse no país enquanto a Justiça haitiana decide se o levará ou não a julgamento.
Um grupo de jornalistas e líderes comunitários pressiona para que ele seja julgado por crimes contra a humanidade. “O que é importante não é como tudo isto acabou”, disse Michele Montas, um ex-jornalista de rádio que esteve detido por uma semana, em 1980, e foi obrigado a fugir do país. “O que e importante é a jornada”, acrescentou.
Perguntado se Duvalier se arrependeu de ter retornado, seu advogado, Gervais Charles balançou os ombros. “Ele ficou surpreso que tanta gente jovem que não o conhecia quando ele ainda era presidente tenham se apresentado para aplaudí-lo. Entretanto, muita gente estava enraivecida também com sua presença, e agora há o problema judicial. Ele certamente deve ter tido emoções contraditórias sobre tudo isto”, finalizou o advogado.
Viva Nova York
As aventuras de ” Huckleberry Finn” é um daqueles livros sobre os quais a gente escuta bastante, lê partes dele nos jornais literários, e ainda vê o filme baseado na estória.
O clássico da literatura norte-americana atravessou todo o século XX como um dos mais importantes livros publicados nos EUA. Conta a estória de um adolescente fugindo das garras de um pai canastrão e abusador, e de sua amizade com um ex-escravo tentando escapar das amarras da escravidão, no sul dos Estados Unidos.
O livro tem uma importância tão grande para a literatura norte-americana que o escritor Ernest Hemingway declarou o seguinte: “Toda a literatura moderna dos EUA bebe na fonte de “Huckleberry Finn.”
A última controvérsia a respeito do livro tem a ver com um termo tido como altamente depreciativo e ofensivo aos afro-americanos – a palavra “nigger”. Um termo usado no sul dos EUA durante a escravidão, e logo após, para mostrar que os negros estavam somente um grau acima, em inteligência, em comparação a macacos.
Há uma variação do termo – “NIgga” – que é usado pelos “rappers” “ad nauseaum” em suas músicas, e foi adotado amplamente pela molecada, tanto branca como negra, e que simboliza camaradagem entre eles. É claro que esta molecada não tem a mínima idéia do que ele representou na relação entre negros e brancos, principalmente durante a escravidão.
Uma nova edição do livro está nas livrarias, editada por Alan Gribben, professor da Universidade Auburn, em Montgomery, no Alabama(Sul). Gribben substituiu a palavra “nigger” por escravo.
Escrevendo numa época progressista, em 1876, após a Guerra Civil, o autor Mark Twain sentiu-se livre para escrever o destino paralelo de dois párias. Um virtuoso, mesmo que estereotipado, o negro fugindo da escravidão, e o esperto jovem branco fugindo dos abusos do pai. Twain, com muita astúcia, coloca tanto negros como brancos no mesmo barco.
Há um ditado popular que diz que o inferno está cheio de boas intenções. Se a intenção de Gribben com a nova edição de uma obra de 126 anos era apaziguar os politicamente corretos, pode até ter conseguido.
O problema é que muitos adolescentes desconhecerão a maneira como os negros norte-americanos eram tratados durante, e por muito tempo depois da abolição, perdendo, dessa forma, a oportunidade de aprender a verdadeira história do relacionamento entre negros e brancos.
For Colored Girls
O que se consegue quando colocamos juntos nove mulheres talentosas para fazer um filme? Resposta: “For Colored Girls”.
Sem dúvida, o melhor filme que eu vi este ano. Um “tour de force” [expressão idiomática francesa que pode ser traduzida por uma proeza, uma façanha]. É verdade que o filme foi lançado no final do ano passado, porém, só consegui vê-lo recentemente em DVD.
Detalhe: o cineasta Jeferson De, que esteve recentemente em Nova York promovendo o filme “Broder”, contou-me que ficou tão impressionado que está pensando sériamente em fazer uma adaptação brasileira para o cinema ou para o teatro.
O filme é baseado na peça experimental “For Colored Girs Who Have Considered Suicide When The Rainbow is Enuf”, da escritora Ntozke Shange. A peça foi apresentada pela primeira vez na Califórnia, em 1974, e aqui, em Nova York, em 1977. Em 1980, recebeu a versão em livro.
A nova versão é assinada pelo director Perry Tyler, o mesmo das várias produções dos filmes “Medea”. Nos filmes, o diretor faz o papel de uma matricarca que anda armada, e gosta de meter a mão em quem se mete com ela.
Filmado inteiramente no Harlem, conta a luta, os desafios e também os obstáculos enfrentados no dia a dia por nove mulheres. No elenco estão Woopy Goldberg, Philicia Rashad, Loretta Divine, Jannet Jackson (parecidíssima com o irmão Michael), Thandie Newton, Kimberly Elise, Anika Noni Rose, Kerry Washington e a jovem Tessa Thompson.
O filme conta ainda com a participação especial da cantora Macy Gray, que vem se especializando em personagens não muito edificantes. Se para dirigir “For Colored Girls”, Perry teve que nos torturar com sua série “Medea”, a tortura, então, valeu à pena. O filme é imperdível para quem gosta de filmes direcionados ao público adulto.
A grande Meca
Diferentemente dos meus “companheiros” latinos, a vasta maioria dos imigrantes mulçumanos chega aos EUA com um diploma universitário. Muitos deles são altamente qualificados e chegam falando não somente o inglês, mas também árabe e francês.
Segundo as estatísticas do Governo norte-americano, mais de 6 milhões de mulçumanos vivem nos EUA. Apesar da retórica dos aiatolás e líderes religiosos dos países árabes contra o grande satã, a verdade e que os EUA, continuam sendo a grande Meca para milhões de imigrandes que chegam a seus aereoportos diáriamente.

Edson Cadette