Queens, Nova York – A autobiografia “Casagrande e seus Demônios”, escrita pelo ex-jogador em parceria com o jornalista Gilvan Ribeiro, é um livro pequeno. Digo pequeno devido a importância que o próprio jogador tem na história do futebol brasileiro, principalmente no Corinthians, em que foi um dos líderes do movimento de renovação do futebol conhecido por "Democracia Corinthiana". É claro que numa lista dos 100 melhores jogadores brasileiros de todos os tempos, é provável que Casagrande se encontre entre eles, por suas qualidades técnicas e a raça do centroavante que, em campo, mantinha sintonia fina com o “Magrão”, o saudoso doutor Sócrates.

O livro conta a estória do jogador com as chamadas drogas pesadas que quase o levaram à morte e total destruição da família. Casagrande somente admitiu ser um usuário quando tinha mais de 40 anos, depois de sofrer várias convulsões e correr riscos reais de morte. Num desses episódios, estava em casa sózinho com o filho mais novo.

Toda a estória foi contada na televisão no “Domingão do Faustão”, que tem recordes de audiência para o horário e onde o drama do ex-jogador, óbviamente, comove pela sinceridade e pela coragem. Diferentemente de seu ídolo, companheiro de trabalho e amigo,  o doutor Sócrates, que jamais admitiu ter problemas com alcoolismo, que o levou à morte precoce em 2011, Casagrande assumiu em rede nacional que precisava de ajuda.

Claro, que sendo editado por uma editora pertencente ao conglomerado global para o qual o ex-jogador trabalha como comentarista, a autobiografia naturalmente passou pelo crivo e aprovação da direção da emissora. Casagrande insinua que o seu nível intelectual era um pouco acima da média dos demais jogadores, o que, seguramente, é verdade, uma vez que todos sabemos que a maioria dos atletas, mesmo dos grandes clubes, não tiveram formação escolar, ou a tiveram apenas no nível fundamental, tendo em vista que são também eles oriundos de famílias extremamente pobres, majoritariamente negras.

Por ter um nível intelectual um pouco acima da média dos jogadores do seu tempo e pela ousadia de se assumir como um contestador de regras, acabou se tornando um dos líderes da "Democracia Corinthiana". Verdade seja dita, o movimento liderado por Casagrande, Sócrates e Wladmir, refletia o clima diretas-já, típico daqueles tempos de fim de ditadura iniciada em 1.964 e que só acabou em 1985.

Casagrande cresceu na periferia de São Paulo, mais precisamente na Penha, na zona leste, numa família católica e bastante conservadora. Lendo o livro não é possível saber como foi sua infância, tampouco como foi seu relacionamento com os pais. Somente no final ele nos revela que seu pai tambem tinha sérios problemas com o álcool. O jogador também não toca na sua vida escolar e apenas menciona "traquinagens" que comitia na companhia de amigos, sem entrar em detalhes.

 Fica difícil, dessa forma, saber o que se passava na cabeça do jovem Casagrande. As informações sobre sua vida escolar, óbviamente, seriam importantes para compreender em que mundo vivia "Casão", como até hoje é carinhosamente chamado pelos amigos, um jovem branco da periferia paulistana com sonhos de se tornar um astro do futebol. 

Com exceção da parte em que fala do seu envolvimento com o mundo das drogas, em que começou com a “inofensiva” maconha terminando por furar as veias para injetar cocaína, os capítulos do livro são curtos. O ex-jogador nos fala como foi sua carreira, o que viveu nos times em que jogou no Brasil e na Itália, para onde se transferiu por algum tempo.

É uma pena, porém, que trate tão pouco dos bastidores, inclusive das disputas internas que são normais em qualquer clube na disputa das posições por parte dos jogadores, que critérios usam os treinadores para montar uma equipe vitoriosa.

Trata quase nada de como era o dia a dia dos atletas, da vida nas concentrações e o que faziam os jogadores nesse periodo de recolhimento que antecede aos jogos. Casagrande relata ter assinado uma petição contra o racismo, mas não nos dá detalhes sobre o assunto. Seria interessante saber dele como reagia quando seus companheiros negros de time eram humilhados com apelidos racistas tanto por adversarios quanto por torcedores.

Casagrande termina o livro assumindo uma "mea culpa" por seu estado atual. Diz que não se arrepende de nada do que fez na vida. Porém, acredita que poderia ter tomado outras atitudes durante seus anos como jogador professional. Seu relato sobre sua condição atual de ex-drogado, que luta todos os dias para se manter longe do vício, nos dá uma ideia de sua humanidade.

Para os amantes do futebol fica a esperança de um segundo livro onde "Casão" poderia nos contar como funcionam até hoje os bastidores das grandes equipes do Brasil.

Serviço:

Casagrande e seus demonios

Editora:  Globolivros

Páginas: 264

EUA

A população dos EUA gira em torno de 300 milhões, incluídos os imigrantes não documentados. Um recente estudo feito pelo Centro de Doenças, Controle e Prevenção afirma que 72,5 milhões de adultos se consideram obesos, apesar de aqui o Estado taxar o consumo de refrigerantes, anunciar que busca servir merendas mais saudáveis nas escolas e tambem obrigar os restaurantes de “fast-food” a informar seus fregueses sobre a porcentagem de calorias em suas refeições. A obesidade é um problema seríssimo e custa aos cofres públicos anualmente US$ 47 bilhões em despesas com hospitais.

O problema é que a cultura do sendentarismo, um dos fatores que leva à obesidade está tão enraizada na psiquê do norte-americano que os políticos, as empresas, as famílias e as pessoas, de um modo geral,  terão que mudá-la, mudando radicalmente os seus comportamentos.

Os EUA estão tentando espelhar-se na Grã Bretanha, onde o Governo criou um programa para atacar o problema em todas as áreas – escolas públicas, servicos de saúde e indústria alimentícia.

A Grã Bretanha restringe a propaganda nos alimentos mais gordurosos, mais salgados e mais doces, principalmente, durante os programas infantis. Desde 2011 é obrigatório nas escolas públicas aulas de culinária para alunos entre 11 e 14 anos de idade. A esperança é mudar os hábitos de consumo de uma geração de criianças que cresceram comendo o “junk-food” e comida congelada.

O objetivo do governo inglês é fazer com que esta geração coma mais em casa e não nos MacDonald’s que na Inglaterra são chamados “Fried and Chips”. Vai ser difícil seguir essa linha nos EUA. Pretender obrigar o americano médio a seguir uma dieta, mesmo que para seu próprio bem, é visto por muitos  como uma intromissão demasiada e indevida do Estado na vida das pessoas.

Viva Nova York

O museu Frick, localizado no número 1 da Rua 70, no lado leste de Manhattan, em frente ao Central Park, está com um bela exposição de arte francesa chamada Linha Impressionista – de Degas a Toulouse-Latre: Desenhos e Impressões de Clark. A exposição conta com mais de 58 objetos de arte. Os grandes destaques ficam para o desenho com grafite de uma mulher nua feita por William-Adolphe Bouguereau, e a cabeça de uma mulher feita a lápis por Pierre Puvis de Chavannes.

Viva Nova York II

A Biblioteca Pública de Apresentações Artísticas de Nova York apresentou recentemente a exposição 100 anos de Flamenco, em que era possível encontrar fotografias, posters, roupas, castanholas, os programas das antigas apresentações e livros. Havia tambem filmes e músicas.

Entre os filmes está um feito em 1918 feito com a dançarina espanhola La Macarrona (Juana Vargas) e outro feito pelo inventor da lâmpada, Thomas Edison, chamado Carmecita, com duração de pouco mais de 30 segundos. Interessante observar como uma dança espanhola e uma cidade cosmolita como Nova York se completaram nos últimos 100 anos.

 

Edson Cadette