O fotógrafo mais influente deste período, Charles Moore, era branco. Ele se destacou diante do batalhão de fotógrafos que encheram o sul do país para capturar cenas da dramática colisão massiva e passiva, da resistência de negros e brancos. Moore trabalhou, primeiro, para os jornais locais em Atlanta, onde nasceu, e depois para a influente revista Life.
A televisão ainda estava na sua infância; tinha cerca de 15 anos. As revistas de formato grande eram extremamente populares, na época em que a Life dedicou 13 páginas de uma edição na cobertura do famoso confronto na Universidade do Mississipi, onde pela primeira vez um estudante negro foi autorizado a freqüentar a sala de aula.
A atmosfera era tão hostil aos negros que a Guarda Nacional foi obrigada a acompanhar o estudante James Meredith até a sala de aula. Isto tudo é contado com detalhes no ótimo livro “An American Insurrection”, de William Doyle.
Em 1963, a Life dedicou 11 páginas de uma outra edição para as fotos de cães pastores da Polícia atacando negros, em Birmingham, no Alabama. Estas imagens, juntamente com as imagens da guerra do Vietnam de outros fotógrafos, criou o que ficou sendo conhecido aqui como a era de ouro do fotojornalismo.
Hoje em dia, com o aparecimento da tecnologia, qualquer pessoa de posse de um celular pode tirar fotos instantâneas e, imediatamente, colocá-las na rede virtual. Os Editores da grande mídia estão mais ocupados do que nunca separando fotos de cidadãos oferecendo imagens de tornados, tsunamis, terremotos, maremotos etc.
Entretanto, para a velha guarda do jornalismo, tem-se a idéia de que o profissionalismo da era de ouro do fotojornalismo não está sendo passado para as novas gerações. Por isso, Moore Moore e seus colegas costumavam discutir nas redações a importância de sua arte.
“Documentar as injustiças sociais continua sendo a principal meta da nossa profissão, e continua sendo uma forte força motivacional em foto jornalismo”, disse Bran Storm, fundador da “MediaStorm.org”, primeira website a receber o prestigioso premio Alfred I. DuPont-Columbia University de jornalismo.
Como constante lembrete, Storm tem na parede do seu escritório, no bairro do Brooklyn (NY), a foto de um casal de negros sendo forçosamente empurrados contra a parede pela pressão de uma mangueira de bombeiro. A foto foi tirada por Charles Moore.
Viva Nova York
O Senado de Nova York rejeitou enfaticamente a proposta de legalização do casamento homossexual no Estado. Foi uma triste derrota para aqueles que são a favor da medida, mostrando o quanto o assunto ainda divide o eleitorado, em um Estado predominantemente liberal e democrata, e onde as organizações dos direitos dos gays gastaram mais de US$ 1 milhão tentando persuadir o voto a favor na casa legislativa.
Foi uma dura derrota, tanto para o governador, David Patterson, como para o prefeito Michael Bloomberg. Ambos são a favor do casamento entre homossexuais.
Os Senadores que votaram contra o projeto dizem que o público está mais preocupado com a situação econômica do país, e acreditam também que ainda não chegou o momento para se adotar o casamento homossexual.
Os republicanos, que entraram em acordo com os democratas, prometeram votar a favor da emenda somente se estes conseguissem 32 votos. Neste caso seriam necessários somente alguns votos republicanos para que a medida fosse aprovada.
No entanto, os democratas mesmo como o total apoio do governador não conseguiram os 24 votos. Toda a bancada republicana votou contra a medida.
Segundo pesquisas de opinião, o casamento entre homossexuais é aprovado pelos nova-iorquinos. Entretanto, o eleitorado está altamente dividido neste tema. Aqui, 51% dos eleitores registrados são a favor, enquanto 42% são contra. O tema voltara ao debate em 2011 quando uma nova casa legislativa será instalada.
Viva Nova York II
Outro dia, a grande dama da musica “soul” norte-americana, a septuagenária Roberta Flack, bastante famosa no Brasil e também nos bailes do grupo “Chic Show”, em São Paulo, por causa de seu sucesso “The Closer I get to You”, deixou o estúdio onde estava trabalhando num novo CD com regravações das músicas dos Beatles rumo à sua casa.
Ela pegou um dos famosos táxis amarelos que circulam pela ilha de Manhattan, com destino a seu apartamento. Flack mora num dos endereços mais conhecidos da cidade, mais precisamente no famoso edifício Dakota, em frente ao Parque Central com a Rua 72, do lado Oeste da ilha.
Neste prédio moravam o ex-Beatle John Lennon e sua esposa Yoko Ono. Esta última, mesmo depois da morte do marido, continua morando lá.
Após pagar o táxi pegou o recibo e correu para o seu apartamento tentando proteger-se da chuva forte que caía. Ao entrar em casa, notou que seu material musical havia ficado no banco traseiro do táxi. Após o pânico inicial, ligou para o serviço de ajuda da cidade. O atendimento não foi lá muito cortês.
Então, resolveu pegar o endereço do escritório que cuida dos táxis e das limusines. Pouco tempo depois, estava na porta do escritório descrevendo ao gerente o ocorrido. Para sua sorte ela guardou o recibo. O motorista do taxi já estava a caminho de sua casa quando recebeu o chamado.
Prontamente dirigiu-se ao escritório com o material que ainda se encontrava no banco de passageiros. “Foi uma coisa maravilhosa” disse Flack. Ela fez questão de ser levada para casa novamente pelo mesmo motorista. “Agradeci imensamente e ainda dei-lhe uma enorme gorjeta”.
Depois deste enorme susto Roberta Flack certamente aprendeu a lição. Antes de fechar a porta do táxi, vai averiguar que não deixou algum de seus pertences para trás.

Edson Cadette