Manhattan, Nova York –  No dia 19 de abril de 1989, uma terça-feira à noite, cinco jovens moradores em Manhattan, há poucos quarteirões do “Central Park”, deixaram seus respectivos apartamentos para promover arruaças e atormentar os frequentadores. Na mesma noite, uma alta executiva de banco tambem deixava seu luxuoso apartamento localizado numa das áreas mais chiques da cidade, o “Upper East Side”(trad livre – a parte alta do lado leste ) para correr como sempre fazia.

Os cinco adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, e a executiva de pouco menos de 30, jamais haviam cruzado o mesmo caminho. Mas, naquela fatídica noite de primavera suas vidas ficariam marcadas para sempre na estória da cidade.

Apesar da boa situação econômica do país sob Ronald Reagan, os EUA enfrentavam problemas sociais e econômicos, além, é claro, do problema racial nunca resolvido. Os famosos Yuppies (modo que também fez escola no Brasil) e suas gastanças dominavam tanto a vida monetária quanto a vida cultural da cidade. O prefeito, à época era o judeu Edward Koch. Porém, quem quer que caminhasse no sentido norte para o bairro do Harlem, com toda certeza imaginaria estar em outro país.

Era como se o bairro, com sua expressiva população de afro-americanos e latinos, não fizesse parte da Ilha de Manhattan por causa das ruas sujas, escolas dilapidadas, muros pixados, apartamentos usados por crackeiros etc. A cidade enfrentava tambem outros dois problemas sérios: a AIDS e o aparecimento do crack.

Nova York encontrava-se dividida entre os endinheirados, na sua imensa maioria, brancos, e a grande massa trabalhadora, dependente de programas governamentais, constituida por negros e latinos. Junte-se a isso a tensão racial e se terá o que ficou conhecido, à época, como o caso da corredora do Central Park, ou em inglês, “the Central Park Jogger”. Lembro-me deste caso retratado pela coluna "Diário da Corte", do jornalista Paulo Francis, que juntou-se ao coro da mídia conservadora nova-iorquina que tratava os cinco jovens acusados de estuprar a corredora no parque, chamando-os de uma matilha de lobos selvagens.

Antron McCray, Kevin Richards, Raymond Santana, Kharey Wise e Yusef Salaam, os jovens acusados, teriam suas penas revogadas quando o verdadeiro assassino, o jovem portoriquenho Matias Reyes, um estuprador e assassino cumprindo prisão perpétua, confessou ter sido ele o autor do crime.

“Central Park 5” dirigido por Sarah Burns é um excelente documentário que lança os holofotes sobre o caso que, ainda hoje, quase 25 anos depois, ainda deixa as pessoas desconfortáveis quando tocam no assunto. O filme mostra tambem a ineficiência da polícia novaiorquina em esclarecer o crime, deixando de lado importantes pistas, que teria evitado que os cinco jovens inocentes permanecessem presos cumprindo penas por um crime que não cometeram.

Viva Nova York

Cinquenta e dois milhões. Este foi o número de visitantes que a cidade de Nova York recebeu no ano passado, segundo George Fertitta, o presidente da agência de turismo, NYC & Co.

De acordo com o prefeito, Michael Bloomberg, nem mesmo o furacão "Sandy", que atingiu a cidade no começo de outubro, e deixou um rastro de destruição, foi suficiente para impedir a visita de milhões de turistas no último trimestre do ano passado.

Com o indice de criminalidade em níveis baixíssimos, um alto investimento em cultura, e certamente a atração que e a cidade por si só representa, Nova York é o destino de 33% dos turistas que visitam os EUA anualmente. Orlando com seus parques temáticos é a única cidade norte-americana que atrai mais turistas.

Isso tudo, é claro, reflete a visão do prefeito Bloomberg que, segundo analistas, avançou um pouco mais a qualidade de vida e segurança dos novaiorquinos seguindo a cartilha do ex-prefeito e promotor público, Rudolph Giuliani. Mas, claro, sem a truculência e vulgaridade deste último.

P.S. O Governo brasileiro anunciou, no início deste ano, que o Brasil recebeu 60 milhões de turistas em 2012. 

Viva Nova York II

Mary Bailey era pouco conhecida, até mesmo entre seus vizinhos mais próximos. Esta senhora de 88 anos faleceu no começo de 20011. Ela nasceu no Estado de Massachussetts(Leste) e mudou-se com sua familia para Nova York em 1940. Ela estudou na prestigiosa universidade Columbia, e por um breve periodo foi professora primária.

Pouquíssimas pessoas tinham a noção que esta senhora era dona de uma vasta fortuna. Antes de morrer, Bailey deixou para a cidade um cheque de US$ 20 milhões para ser dividido em partes iguais entre suas instituições favoritas – o “Central Park” e a Biblioteca Municipal.

Segundo uma amiga da senhora Bailey, Lizanne Stoll, as duas quando saíam juntas cada uma pagava sua conta. Bailey era viúva de um senhor que faleceu durante a II Grande Guerra e não tinha herdeiros. Surpresas como estas, dão um toque de classe aquilo que poderiamos certamente chamar de filantropia. Sera que alguem aí de São Paulo poderia me dizer se algum ricaço tomou semelhante iniciativa nas últimas décadas? Duvido.

Viva Nova York III

O cantor Arnaldo Antunes, ex-Titãs, apresentou-se no inverno deste ano na tradicional casa de espetáculos Carnegie Hall. Acompanhado de cinco músicos, ele demostrou todo seu talento cantando músicas de um repertório que incluía baião, tango, canções de amor, e até mesmo um iêiêiê. Porém, a grande atração da noite ficou mesmo para a Orquestra Imperial, uma homenagem as “big bands” norte- americanas dos anos 50 que apresentou clássicos dos sambas e músicas de bailes.

 

 

 

Edson Cadette