Agora, aos 85 anos, este octogenário senhor está lançando um novo livro que, com toda certeza, será bastante debatido por todos aqueles que acreditam que a cultura ocidental (EUA e Europa) elevou a qualidade de vida de milhões de seus habitantes.
No novo livro intitulado “The Changing Body: Health, Nutrition, and Human Development in the Western World since 1700” (Mudança do Corpo: Saúde, Nutrição, eo desenvolvimento Humano no Mundo Ocidental desde 1700), Fogel, juntamente com Roderick Floud, Bernard Harris e Sok Chul Hong argumenta que, “na maior parte, se não na quase totalidade do mundo ocidental, à altura, a forma e a longevidade do corpo humano mudou mais substancialmente foi muito mais rápido durante os últimos 300 anos do que nos muitos milênios anteriores”.
“Eu não sei se há uma história maior na história humana do que a melhora na saúde, o que inclui a altura, o peso, a incapacidade física, e longevidade”, disse Samuel H. Preston, um dos principais demógrafos do planeta, e também sociólogo da universidade da Pensilvânia. “Sem as melhorias ocorridas no século 20 nas áreas da nutrição, saneamento e medicina, somente a metade da atual população norte-americana estaria viva,” disse ele.
Quando Fogel ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 1993, o Comitê sueco declarou o seguinte: “Por ter renovado a pesquisa na história econômica aplicando a teoria econômica e métodos qualitativos para explicar mudanças econômicas e institucionais.”.
Na verdade, o seu argumento é bastante simples. Ou seja: a saúde e a nutrição da gestante e de seus filhos contribuem para o vigor e a longevidade da próxima geração. Se os bebês não recebem nutrição suficiente no útero materno e no começo de suas vidas, eles se tornarão mais frágeis e mais vulneráveis a doenças no futuro. Estes adultos fracos produzirão uma geração futura fraca. Cria-se, com isso, um ciclo vicioso.
É claro que nem todos os estudiosos do desenvolvimento humano concordam com as teorias de Fogel. Um destes dissidentes é o economista da Universidade de Princepton, Angus Daeton. Ele faz pesquisas na área de saúde nos países ricos e pobres. Daeton afirma ser um admirador do trabalho desenvolvido por Fogel, mas é cético quanto à ênfase na nutrição, bem como sobre os resultados ocorridos na área da altura.
“Nós realmente não entendemos porque os adultos africanos e suas crianças são bem mais altos do que os adultos e crianças indianos. Não deve ser sua renda, porque os indianos são bem mais ricos”, ele disse. A índia tem o dobro de renda per capita dos africanos do Quênia, e três vezes mais do que os africanos da Tanzânia.
Uma coisa que, com certeza, não passou pela cabeça de Fogel quando ele começou a pesquisar estas mudanças foi que a obesidade iria tornar-se um enorme problema nos EUA, e também no resto do mundo Ocidental. Com a obesidade surgem os problemas como ataque cardíaco, hipertensão, derrame, e, até mesmo, o câncer. Estes problemas de saúde certamente ameaçam todos os ganhos citados pelos pesquisadores.
Fogel se mantém um otimista nato apesar dos alarmistas de plantão. “O corpo humano é bastante flexível e receptivo à mudanças”, disse. Um fato que o enche de otimismo é que a tendência dos corpos grandes e de longas vidas continuarão no futuro.
Viva Nova York
Em 1932, 400 cidadãos afros-americanos no Sul dos EUA, mais precisamente no Estado do Alabama, foram deixados sem tratamento médico por 40 anos. Foram usados como objetos de estudos sem seus conhecimentos pelo governo norte-americano para um estudo da sífilis.
Segundo o Governo da época, estes cidadãos eram portadores de “bad blood” (sangue ruim), um termo genérico usado para descrever doenças como sífilis, anemia e fatiga. Provavelmente este é o caso mais notório de racismo do Governo norte-americano em relação aos cidadãos afro-americanos no século XX.
Este episódio mostra o porquê da contínua desconfiança da comunidade afro-americana em relação às pesquisas médicas. O experimento só terminou porque foi denunciado por um jornalista. Quando se tornou público, pelo menos 100 cidadãos afro-americanos já haviam morrido. Esta experiência médica é conhecida como “Tuskeege Syphillis Study” (Estudo Sifilítico Tuskeegee).
Histórias como estas fazem parte do passado dos EUA, que tem como eixo central de sua ideologia a idéia de que todos os homens foram criados iguais perante a Deus. E claro que esta idéia de “igualdade” descrita na Carta Magna estava reservada somente aos homens brancos europeus.
Uma idéia que, infelizmente, ainda hoje, mesmo com a eleição do presidente e Barack Obama, continua sendo difundida entre os cidadãos brancos. Haja vista o episódio no qual o presidente foi obrigado a provar ao pais que sua certidão de nascimento era norte-americana, e não africana, como diziam os críticos. O episódio demonstra que a idéia da superioridade branca e européia continua forte, apesar do grande caldeirão cultural em que os EUA se transformaram.
Viva Nova York II
Ao som da cantora Jennifer Hudson entoando “Happy Birthday”, e do músico Herbie Hancock tocando Jazz, e mais de 100 convidados “íntimos” que pagaram US$ 35,800 pelo prazer de estar ao lado do presidente Barack Obama no dia da celebração dos 50 anos no dia 4 de Agosto de 2011. Ele celebrou seu aniversário em Chicago fazendo o que gosta: arrecadando dinheiro para a campanha da reeleição neste ano de 2012.
Confira a Lavagem da Rua 46 – Brazilian Cultural Parade & Festival.

Edson Cadette