Wolfe é conhecido no Brasil pelo livro “A Fogueira das Vaidades”. Aliás, o livro foi um dos primeiros que li assim que cheguei, aqui, em Nova York.
Na época da fundação do Partido, Cox vivia em São Francisco. Ele fez parte do famoso Comitê Central que incluía entre outros, Huey P. Newton, Bobby Seale e também Eldridge Cleaver. Este último, por sinal, autor da obra prima “Soul On Ice”.
O trabalho de Cox era viajar país afora para estabelecer e supervisionar a abertura de novos escritórios do Partido. Entretanto, ele era também um profundo conhecedor de armas. Quando criança, no Missouri (Sul), era fascinado, lendo tudo sobre armas que lhe caía nas mãos. Seu conhecimento era tanto que escrevia para o jornal do Partido “O Pantera Negra”, ensinando aos associados como atirar e também como poderiam a elas ter acesso.
Os “Panteras” adotaram o uso das armas para a auto-defesa do que eles viam como libertação negra das garras da classe dominante, opressora e racista branca. Cox também gostava de se gabar de que era a pessoa encarregada das ações militares do Partido. Conhecido como D. C., era chamado de “marechal de campo”.
O ativista também serviu como porta-voz e, numa fria noite de Janeiro de 1969, juntamente com alguns membros do Partido, e mais de 70 convidados apareceu no apartamento do compositor Leonard Bernstein, localizado na famosa “Park Avenue”, em Manhattan.
O pretexto era arrecadar fundos para a defesa legal do escritório numero 21 do Partido, em Nova York. Dezenove homens e duas mulheres haviam sido indiciados por tramarem matar policiais e explodir bombas na cidade, incluindo lojas no centro e o jardim Botânico.
“Algumas pessoas pensam que nós somos racistas. A mídia, em geral, acha útil criar este rótulo para seguir apoiando a estrutura de poder”, disse Cox aos convidados de Bernstein. “A mídia gostaria que a organização estivesse associada a uma imagem racista, porque isto, certamente, encobriria a verdadeira razão desta luta”.
Logo após o jantar, Cox foi acusado de conspirar o assassinato de Eugene Anderson, um membro do partido, mas também informante da polícia em Baltimore (Norte), em julho do mesmo ano.
Na época, ele afirmou que não teve absolutamente nada a ver com o crime, porém, fugiu para viver na França por causa do seu envolvimento no episódio. “Ele criou uma vida bastante confortável aqui”, disse sua esposa, Barbara Cox Easley, numa entrevista por telefone diretamente de “Camps-Sur-L’ Agly, onde cuidava das coisas do marido, acrescentando que, décadas de exílio, estavam deixando seu esposo bastante cansado. “O exílio fez isto com você”, ela concluiu na entrevista.
Viva Nova York
O judeus representam aproximadamente 3% da população dos EUA que está por volta de mais ou menos 300 milhões. A influência deste grupo se faz notar nas artes, na academia, na política, no setor empresarial etc.
É tão grande na cultura norte-americana que no calendário oficial seus feriados nacionais – Hosh Hashanah, Yon Kippur etc – são todos observados. Empresas fazem todo o tipo de acomodação aos judeus que observam estritamente sua religião.
Fiquei sabendo recentemente que existem por aqui nada menos do que 16 museus construídos para mostrarem os horrores perpetrados contra eles pelos alemães durante a Segunda Grande Guerra Mundial (1941-1945).
O maior e mais famoso encontra-se em Washington. O mais recente foi construído em Chicago no Estado de Ilinois a um custo superior a US$40 milhões.
Diferentemente da comunidade afro-brasileira que representa mais de 50% do total da população, mas que ainda luta para que sua história não seja apagada, os judeus norte-americanos não medem esforços para preservar, não somente sua identidade, mas também sua história e sua existência.
No Brasil geralmente quando se fala de cultura afro-brasileira pensamos primeiro em Carnaval, depois Samba e, por último, o Futebol. Áreas de uma grande importância cultural, mas não de influência econômica, política e ou social. Ou seja, áreas onde os afro-brasileiros tem livre acesso.
Ser negro no Brasil, e nao estar associado a um destes tracos culturais, é negar a raça como normalmente se diz por aí. Um estereótipos que me acompanhou durante anos quando ainda vivia no Brasil. Triste, muito triste.
Viva Nova York II
Outro dia estive na biblioteca, ou melhor, no Centro para Pesquisa da Cultura Afro americana chamado Schomburg, localizado na esquina da rua 135 e avenida Lenox, no coração do Harlem, para uma interessante palestra sobre afro-americanos em Nova York durante o século XIX.
A palestrante era uma simpática senhora chamada Carla L. Peterson. A senhora Peterson é uma renomada critica literária e também professora da Universidade de Maryland (Norte). Ela escreveu o livro “Black Gotham: A family History of African Americas in Nineteen Century New York”.
O livro é fruto de um trabalho de aproximadamente onze anos. É uma intrigante e instigante viagem a uma parte pouco conhecida da história de Nova York e também dos EUA.
Foi fascinante ficar assistindo a palestra e absorver a paixão com a qual a professora descrevia seu descobrimento sobre seus antepassados, principalmente, seu bisavô que saiu sem nada do Haiti para transformar não somente sua vida, mas também das futuras gerações de sua família.
Foram quase duas horas de histórias, perguntas e respostas, onde uma luz foi colocada num assunto que é pouco discutido. Ou seja: uma elite negra não escrava de profissionais liberais que, juntamente com outros imigrantes europeus, contribuiu para transformar Nova York na grande metrópole em que ela se tornou.

Edson Cadette