No ano seguinte, o partido foi banido e o jovem Tekere, juntamente com Robert Mugabe, então secretário geral, preso, enquanto o governo do então Primeiro ministro Ian Smith reprimia violentamente qualquer manifestação da vasta maioria negra de cidadãos por voz e expressão políticas.
Depois de onze anos presos, ambos se refugiaram em Moçambique, o pais que havia se tornado base para a luta dos guerrilheiros que lutavam para libertar o Zimbábue do controle inglês.
Quando isso aconteceu em 1980, analistas políticos consideravam Tekere ainda mais radical do que Mugabe, que, na época, a bem da verdade, buscava uma solução pacífica para o conflito com o governo Tekere, juntamente com um guarda-costas, foi acusado de matar o gerente de uma fazenda de brancos, meses depois da independência.
Por causa de uma antiga lei em vigor no Governo Ian Smith, que protegia autoridades governamentais de acusações criminais, Tekere conseguir livrar-se da acusação. Foi removido, porém, de seu posto de ministro e tornou-se um crítico feroz da corrupção, marca tradicional de Mugabe.
Em 1988, Tekere foi expulso do partido. Teve de formar a sua própria agremiação, concorrendo contra Mugabe, em 1.990, sem, no entanto, obter sucesso na tentativa de afastá-lo do poder.
Mugade disse, em declaração publicada no jornal estatal sob seu controle, que a morte recente de Tekere trouxe de volta memórias “da nossa escapada da Rodésia para juntarmos a milhões de jovens zimbabuanos lutadores situados em várias partes do país”. Apesar das diferenças políticas, Mugabe, de 87 anos e há 31 no poder, descreveu Tekere como uma pessoa “sem medo e altamente temperamental”.
Em 2007, Edgar Tekere escreveu um livro de memórias, no qual responsabilizava Mugabe por construir um país “onde os cidadãos viviam com um medo constante do seu próprio governo, da máquina governamental nascida das forças de libertação, mas agora infelizmente, associada principalmente com crueldade e força bruta.”
Viva Nova York
O grande acontecimento cultural que Nova York espera ansiosamente é a abertura do Museu de Arte Africana. Até o momento foram arrecadados US$ 86 milhões para a construção do Museu na esquina da Rua 110 com a 5ª Avenida.
A previsão de custo da obra é de US$ 95 milhões. O Museu ocupará o primeiro andar de um prédio de condomínios de 19 andares. Quase todos os apartamentos do prédio já foram comprados (onde está a crise imobiliária?), inclusive a cobertura pelo valor de US$ 3,1 milhões. Detalhe: o prédio fica em frente ao famoso Central Park.
A abertura do Museu, inicialmente prevista para o final deste ano, já foi adiada várias vezes. A presidente , a bela e elegante Elsie McCabe Thompson, esposa de um político local, e talvez o futuro prefeito da cidade, disse recentemente que o Museu estava “tomando uma medida mais prudente” em adiar sua abertura para o outono de 2012.
Viva Nova York II
Depois de muita discussão, piadas ad nauseaum nos programas de comédias noturnas na TV, uma disputa judicial entre a diretora (demitida) e os produtores, finalmente o show mais caro na história da Broadway fez sua estréia em Nova York.
“Spider Man: Turn off the Dark” estreiou no dia 15 de junho próximo passado. O principal crítico do NY Times, Ben Brentley, escreveu longa crítica com o titulo “Uma picada radioativa, 8 pernas, e 183 pré- apresentações”. Na apresentação, que ele viu antes da estréia, descreveu-a como ver o dirigível alemão Hinderburg queimando no ar e se espatifando no chão. Ai!
É claro que para os fãs deste super herói criado em 1962 por Stan Lee, e os turistas que “invadem” a Grande Maçã no verão, nada disso tem importância.
Fiquei sabendo, por meio de Carolina Catharino, irmã mais velha da Nubia, minha filhinha, que passara alguns dias na cidade e estava tentando conseguir comprar o ingresso para o show, que o preço está em torno de US$ 300.
Os investidores estão desesperadamente (não procurando a Susan), mas sim interessados em recuperar o investimento de mais de US$ 60 milhões colocados no musical. Good Luck!
Viva Nova York III
Corri para entrar no vagão do Metrô. Assim que as portas fecharam, notei aquela linda mulher sentada e absorvida numa conversa civilizada com uma colega. Tudo indicava que eram amigas próximas. Estava concentrado na minha leitura, porém, não consegui deixar de levantar meus olhos e observá-las.
Estava ali, sentada como se fosse uma rainha nubiana, de perna cruzadas, obervando súditos. Seus lábios carnudos moviam-se como se estivessem comendo o fruto proibido.
Cinco minutos depois cheguei a minha parada. Após guardar meus óculos na bolsa, junto com o livro, e ao seguir para a baldeação, notei que ela estava caminhando ao meu lado. Não pude resistir, mirei em seus olhos castanhos escuros e disse: “Você é muito bonita”. Recebi um muito obrigado cordial. Sua resposta foi a indicação de que classe, beleza e educação ainda existem nesta metrópole.
Caminhei para o Metrô que estava se aproximando. Entrei e as portas fecharam. Pensei por um instante se algum dia encontrarei novamente esta linda mulher. Depois disso voltei a minha leitura.
Impressões em vídeo
Jassvan de Lima é um alagoano que vive nos EUA desde de 1969. Um aficcionado, não somente da música norte-americana, mas também da brasileira, em especial, da Bossa Nova. Ele tem um programa todas as quarta-feiras à noite entre 23h e 01h da madrugada na Rádio WKCR, 89.9. O estúdio está localizado na prestigiosa Universidade Columbia, localizada no Harlem. No último dia 15 de Junho Jassvan recebeu a Afropress para uma entrevista exclusiva antes de entrar no ar.
Ele falou de sua paixão pelo Blues, pelo Jazz e pela Bossa Nova e também de sua nova paixão, o Hip-Hop. Isso mesmo. Jassvan disse que este é, certamente, o movimento musical mais importante surgido nos EUA nos últimos 30 anos.
Veja abaixo a entrevista – Parte 01 e 02.

Edson Cadette