E olhe que no filme, o exterminador tentou eliminar a heroína do mapa de todas as formas possíveis.
É claro que não há por parte do Governo (ainda) nenhum plano de eliminação de jovens negros como gostariam os eugenistas do final do século XIX e começo do século XX. Podemos incluir nesta turma o venerado (para a intelligentzia brasileira) escritor Monteiro Lobato, admirador confesso da ideologia da higiene racial.
Entretanto, o Relatório do “O Mapa da Violência de 2011” é como uma daquelas bombas atômicas que arrasaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Grande Guerra Mundial, que levaram o Japão ao pedido incondicional de rendição. Em outras palavras: o Japão teve que tomar uma medida drástica em relação a sua própria sobrevivência.
No Brasil, um Relatório que tem o efeito de uma verdadeira bomba social de efeito retardado, no máximo, provoca editoriais dúbios na grande mídia, como foi o caso do Estadão (o poderoso O Estado de S. Paulo, da família Mesquita) sugerindo que os culpados são as próprias vítimas que, deliberadamente, escolheram a situação em que se encontram.
Ou seja: morarem em lugares insalubres, de pouca infra-estrutura, frequentarem escolas publicas de péssima qualidade, envolverem-se ainda jovens com a cola, o crack etc.
Se a mídia estivesse realmente interessada em investigar as causas profundas da mortandade precoce da juventude negra brasileira, deveria sair a campo e fazer uma pesquisa histórica do porque deste circulo vicioso da pobreza nesta população.
Que tal buscarem no legado da escravidão e no racismo latente brasieilro as razões para esta situação? É de conhecimento geral que o Estado brasileiro não espera muito destes jovens. Em outras palavras: tornarem-se cidadãos com uma vida produtiva, usufruindo de seus plenos direitos, e cumprindo também com suas obrigações cívicas.
Não por acaso ainda hoje, em pleno século XXI, a única saída disponível para muitos destes jovens continua sendo o sonho de se tornarem-se jogadores de futebol.
O Mapa da Violência 2011não deixa nenhuma dúvida de que os jovens, principalmente os das periferias brasileiras, são alvos em potencial, não apenas das milícias que proliferam nas cidades com a complacência governamental, mas também da própria Polícia Militar que é treinada com uma visão enviesada dos jovens negros, não importando sua classe social.
O Governo brasileiro parece paralisado nas suas ações para estancar o genocídio. O ex-presidente Lula deixou a Presidência com um índice de aprovação de mais de 80%, o que mostra o genocídio é aceito pela sociedade em geral; se naturalizou.
Nem mesmo durante o regime escravocrata, em que as condições de trabalho eram das mais cruéis e degradantes, e as ameaças de punições e mortes pairavam no ar diariamente, a expectativa de vida de um joven escravo era tão baixa com a que vemos no Brasil, agora em pleno século XXI. E olhe que estamos falando de um país que está entre as sete maiores economias do mundo, e não do Afeganistão.
Até quando este genocídio será aceito pela comunidade afrobrasileira é difícil prever. Se o MN brasileiro tivesse “cojones”, e não estivesse atrelado as tetas do Estado, talvez pudéssemos testemunhar algum tipo de manifestação popular, ou alguma reação exigindo do Governo respostas concretas sobre esta situação vergonhosa.
O que se observa, mesmo à distancia como é meu caso, e que enquanto o Governo oferecer farelos fiduciários a esta turma, eles meterão seus rabos entre as pernas e permanecerão calados. Enquanto isso o extermínio continua.
PS: Se você buscar no site da SEPPIR, não encontrara menção alguma deste Relatório. Isto de uma Secretaria com status de Ministério, criada especialmente para abrir os olhos da população em geral sobre o fosso social e econômico que separam negros e brancos no Brasil. Legado, é claro, dos mais de 300 anos no país de uma instituição nefasta chamada escravidão.

Edson Cadette