Para aqueles que não tem a mínima idéia sobre quem estou falando, Angelou fez parte do famoso elenco da série Roots, nos anos 70 e contracenou com Louis Gosses Jr. e Cicely Tyson, no papel de avó do escravo Kunta Kinte.
Juntamente com Toni Morrison, a escritora e Prêmio Nobel de literatura, Angelou representa a ligação dos EUA às primeiras décadas do século XX, tempo em que os negros norte-americanos ainda eram vistos, em muitas partes do país, como sub-humanos.
É impossível falar da luta dos afro-americanos pelos direitos civis sem lembrar as importantes contribuições literárias de escritores como Maya. Seu livro de memórias “I know Why the Caged Bird Sings” (“Eu Sei Por que O Passarinho Engaiolado Canta”) é sobre uma infância atormentada pelo abuso sexual. Publicado há quarenta anos, segue sendo um marco na literatura norte-americana.
O famoso centro intelectual da história dos afro-americanos, o Schomburg, que faz parte da Biblioteca Municipal, adquiriu recentemente todos os papéis da escritora, incluindo uma carta datilografada de James Baldwin, datada de Novembro de 1970, e outra do carismático ativista Malcolm X, de 15 de Janeiro de 1965, um pouco antes de ser morto. “Você consegue comunicar-se porque tem bastante (alma) e por manter seus pés firmes no chão”, disse Malcolm a Angelou, na carta. Tudo isso e muito mais, num total de mais de 300 caixas, e mais papéis pessoais e outros documentos.
Esta é, sem dúvida, uma coleção que documenta a carreira literária dela, disse, em entrevista, Howard Dodson, director exceutivo do Schomburg.
A aquisição do acervo histórico está sendo considerada por muita gente na cidade como um golpe de mestre de Dodson, que irá se aposentar à frente do Centro, em 2011. O arquivo de Angelou fará parte de um acervo ainda maior que inclui 10 milhões de outros ítens, entre os quais coleções pessoais do historiador e professor John Henrick Clarke, da dramaturga Lorraine Hansberry e do ativista Malcolm X.
O Schomburg, que está localizado na Rua 135 com a Avenida Lenox, no Harlem, abriga também o manuscrito original do livro “Native Son”, obra prima do escritor Richard Wright. “Nada é tão precioso para mim como esta biblioteca”, disse Angelou. “Para uma pessoa que cresceu nos anos 30 e 40 no segregado Sul, com tantas portas fechadas sem qualquer explicaçao, bibliotecas e livros diziam, “Estamos aqui, leia-nos”, disse. “Com o tempo aprendi que me sinto melhor e mais a vontade cercada por livros”, acrescenta.
Maya Angelou arquivou, com o passar dos anos, todos sus papéis e documentos relacionados ao teatro, à televisão, ao cinema, e à literatura, na Universidade Wake Forest, na Carolina do Norte (Sul). No entanto, conta que mantém uma forte conexão com o Harlem, e também com o Centro Schomburg. Ela possui uma casa na vizinhança e é amiga pessoal do diretor executivo do Centro.
Os papéis de Angelou são como uma janela aberta mostrando 40 anos de uma época, e também o trabalho de uma mulher da renascença literária que tornou-se a “poetisa do povo”.
Ela ganhou 3 Prêmios Grammy pelos seus livros de poemas, e foi agraciada pelo então presidente Bill Clinton com a Medalha Nacional das Artes no ano 2000. Angelou costuma dizer que a transparência a respeito de sua vida e do seu trabalho a conectam com a longa tradição afro-americana de preservar e recontar a história pessoal.
“Guarde estas coisas que falam de sua história e a proteja”, ela disse. Durante a escravidão, quem era capaz de ler ou escrever ou manter qualquer coisa? A habilidade de ter alguém para dizer sua história é tão importante. A história diz. “Eu estive aqui. Talvez eu seja vendido amanhã, mas você sabe que eu estive aqui”, diz.
Viva Nova York
Frederick Douglas(1818-1895) nasceu no cativeiro. Aos vinte anos conseguiu escapar de seus donos, e logo em seguida tornou-se um fervoroso defensor da Abolição nos EUA. Quando sua sua reputação como orador foi questionada se havia sido mesmo escravo, Douglas arriscou-se a ser recapturado como fugitivo para colocar um ponto final a absurda especulação.
Depois de um largo período passado no Reino Unido, onde seus apoiadores arrecadaram fundos para comprar sua liberdade, Douglas voltou aos EUA em 1847, e expandiu seu ativismo contra a escravidão, lançando o periódico “Star”. Quando o país entrou em Guerra Civil, liderou o chamado para alistamento dos afro-americanos para lutarem ao lado do Exército da União, e nos anos seguintes, depois do final da guerra, na chamada época da Reconstrução.
Recentemente, fiquei sabendo que Douglas foi um grande amigo do presidente Abraham Lincoln, tendo inclusive sido convidado por Lincoln para visitar a Casa Branca, a fim de discutirem a situação dos afro-americanos. Diga-se de passagem que Lincoln era a favor do retorno dos afro-americanos para a África.
Após o assassinato de Lincoln, sua esposa, Mary Todd Lincoln, agraciou Frederick Douglas com a bengala pessoal do presidente, uma prova irrefutável da estima que o presidente nutria pelo ex-escravo.
Viva Nova York II
Angela Bassett recentemente foi capa da revista feminina “Essence”. Esta talentosa e belíssima atriz foi esnobada duas vezes pela Academia de Cinema de Hollywood. Primeiro, no papel de Betty Shabazz, no filme Malcolm X, em 1992, e no ano seguinte, foi passada mais uma vez no papel da cantora Tina Turner no filme “What’s Love Got To Do With It”.
Neste último, ganhou o “Golden Globe” como a melhor atriz do ano. Poderíamos até dizer que, por causa de certos aspectos estéticos, Bassett ainda não é vista como uma verdadeira estrela hollywoodiana.
Sem dúvida, é uma das mais respeitadas e celebradas atrizes de sua geração. Em 2009 trabalhou no filme “Notorious”, a história da vida do cantor de música rap Christopher Wallace, mais conhecido como “Notorious B.I.G.” .
Este ano, fará o papel de uma cientista no antecipado “Lanterna Verde”, uma das grandes produções hollywoodianas com estréia programada para o verão. Casada com o também talentoso ator Courtney B. Vance, da série “Law & Order” (Lei & Ordem), ambos tem dois filhos.
Ela credita sua forca, energia e também perseverança à sua mãe e a avó.
Bassett acredita na sua forca como um exemplo positivo dentro da comunidade afro-americana, e nisso, há de se concordar: está coberta de razão.

Edson Cadette