Diferentemente de seus irmãos músicos mais jovens, Thad Jones, que tocou trompete com o maestro Count Basie, e depois foi líder de uma celebrada banda, e Elvin Jones, um baterista que formou seu próprio grupo após tocar por vários anos com o grande saxofonista John Coltrane, Hank Jones preferiu manter-se longe dos holofotes.
Tudo isto começou a mudar no final dos anos 80, quando Jones já batia na casa dos 60 anos. Uma onda de interesse no Jazz de piano o ajudou a gravar regularmente com seu próprio nome. Na época, o “The New York Times” o considerou um “musico extraordinário” que ressoava com a historia do Jazz, e que também personificava a idéia de classe sob a opressão, onde a certeza e o relaxamento encobriam a quase impossível improvisação.
Sua reputação foi sedimentada nos anos 90 com uma série de gravações, incluindo um álbum com um quarteto musical africano, e também um dueto recital com o baixista Charlen Haden dedicado aos “spirituals” e hinos sagrados. Hank Jones era filho de um diácono batista que não aprovava muito esta sua inclinação musical. Mesmo assim, começou a tocar profissionalmente já aos 13 anos de idade.
Antes de mudar-se para New York, Hank Jones tocava em bandas regionais, principalmente em Michigan e Ohio. Entretanto, em 1944 arriscou sua sorte na Grande Maçã. Numa entrevista em 2001, ele lembra de comentários feito sobre ele por músicos da época: “Talvez ele não seja somente um garoto caipira do interior. Talvez ele até conheça alguma coisa de acorde musical”.
Em 1947, Hank Jones abandonou a vida de itinerante para acompanhar a cantora Ella Fitzgerald. Permaneceu com ela até 1953, ocasionalmente tirando licença para gravar com outros músicos, entre os quais o saxofonista Charlie Parker.
Por questões financeiras, em 1959, começou a trabalhar para a rede de televisao CBS. Também participou do famoso aniversário do presidente John F. Kennedy no Ginásio de esportes “Madison Square Garden”. Hank Jones estava ao piano quando Marilyn Monroe cantou o “Parabéns a você”, entre suspiros, para Kennedy.
No meio dos anos 70 ele deixou seu trabalho fixo na televisão e formou juntamente com o basista Ron Carter e o bateirista Tony Williams o “Trio de Jazz”. Dois anos depois, começou a longa carreira como diretor musical e pianista de palco com a peça “Ain’t Misbehavin’, o musical baseado na obra de Fats Waller, e ao mesmo tempo ainda tocava no famoso Café Ziegfeld, localizado no coração de Manhattan.
Hank Jones recebeu vários prêmios, e um especial em 2009, por tudo que fez durante sua longa trajetória. “Acredito que a maneira que você pratica tem muito a ver com isto”. Ele explicou. “Se você pratica escala musical religiosamente, e pratica cada nota firmemente com a mesma intensidade, certamente você desenvolverá uma certa sonoridade.” “Eu costumava praticar horas a fio.” “Eu ainda pratico quando estou em casa”. Hank Jones estava com 78 anos, quando fez essa declaração.
Viva New York
Faleceu recentemente aqui no Estado vizinho de Nova Jersey, Al Goodman. Goodman fez parte do famoso trio de música R&B conhecido como Ray, Goodman & Brown. Para a turma da velha guarda, e assídua frequentadora dos bailes “blacks” da equipe Chic Show, em São Paulo, este trio cantava a famosa balada “Special Lady”, grande sucesso no início dos anos 80. “You gotta be a special lady, and a very exciting girl…”
Ray não se encontra mais entre nós meros mortais, mas sua música certamente continuará trazendo lembranças de uma época onde comecei a perceber que existia, sim, uma grande divisão, se nem tanto racial, mas com toda certeza cultural entre negros e brancos em São Paulo.
É claro que os defensores da nossa “democracia racial” não querem ouvir este tipo de coisa. Entretanto, a popularidade da equipe de bailes do “Chic Show”, entre jovens afrobrasileiros na decada de 70 e 80, era a prova contundente dessa divisão.
R.I.P. Mr. Ray Goodman.
Viva New York II
Os subúrbios de New York servem para moradia de mais de 600 mil milionários. Isto é mais do que em qualquer outra região do país e 18,7% a mais do que há dois anos. E também mais ainda do que em 2007 na época do alto boom imobiliário, de acordo com um recente estudo feito pela consultoria Capgemini.
O bilionário prefeito, Michael Bloomberg, é o novaiorquino mais rico do Estado, mas diferentemente desta turma de milionários, mora aqui em Manhattan. É bom lembrar que na última eleição para prefeito, Bloomberg, desembolsou a bagatela de mais de US$ 60 milhões para ser reeleito pela terceira vez consecutiva.

Edson Cadette