Não só as vítimas diretas do Holocausto,o povo judeu, mas, todos os que querem um mundo livre dos horrores do nazismo, jamais deixarão que essa história caia no esquecimento.
Como seria bom se pudéssemos fazer o mesmo sobre a história da escravidão no Brasil, igualmente um crime de lesa-humanidade.
Uma recente exibição, no Museu Histórico alemão de Berlim, mostra como a patuléia alemã aceitou e celebrou o Kaiser. As casas alemãs continham logotipos nazistas e suas cores. Uma tapeçaria tributo à união entre a Igreja, o Estado e o Partido, foi tecida especialmente para a Igreja pelos fiéis, a pedido do próprio padre da paróquia.
“Isto é o que podemos chamar de automobilização da sociedade”, disse um dos curadores, Hans Ulrich Thamer. Como pessoa, Hitler era comum. Ele não era nada sem o povão.
A exibição “Hitler e os Alemães: Nação e Crime” é considerada a primeira desde o final da II Gurerra Mundial a focar exclusivamente Adolf Hitler. Os curadores tiveram o cuidado de tirar da exibição qualquer artefato que pudesse dar a impressão de glorificação do Kaiser. Sua farda por exemplo, continua armazenada.
Apesar dos alemães terem deixado para trás a culpa desse passado repugnante recente, reafirmando seu orgulho e também uma quase nova identidade nacional, principalmente depois da união das duas Alemanhas, há sinais claros de descontentamento.
Um best-seller de um ex-banqueiro afirma, entre outras coisas, a superioridade genética dos alemães, dizendo que os muçulmanos estão levando o país para a sarjeta. Um político conhecido condena a “invasão” de culturas estrangeiras. E, por último, um político holandês de extrema direita, com seu discurso xenófobo, atrai centenas de pessoas nas suas palestras.
Os organizadores começaram a discussão do projeto há 10 anos, informa Thames. Uma exibição, em 1995, mostrou guardas cometendo atrocidades no leste do país, usando os mesmos métodos da polícia nazista, a SS. A reação do público foi fria. Na verdade, o público não estava preparado para encarar a responsabilidade pelo ato criminoso.
Aproximadamente mil ítens estão distribuídos na exibição incluindo fotografias, uniformes e uma narração explicando o apelo inicial de um homem e um partido que oferecia empregos, orgulho, e um propósito e, ao mesmo tempo, empregava violência e brutalidade à baciada a qualquer um que se opusesse à sua doutrina.
“Esta exibição é sobre Hitler e a Alemanha – significando o processo social, político e individual pelo qual a maioria dos alemães tornaram-se participantes ativos, conspiradores e co-criminosos no holocausto”, disse Contanze Stelzenmuller, do Fundo German Marshall , com sede nos EUA.
A exibição de fotos de jovens e velhos adorando o Kaiser procura desmistificar a noção de que era difícil resistir ao espírito nazista. O carpinteiro Johann George Elser, um dos poucos que não se deixaram levar pelo fanatismo, foi enforcado após uma tentativa de assassinato de Hitler no começo da Guerra. Sua história, entretanto, deixou muitos de boca aberta durante a exibição, ao mostrar que seus seus pais e avós não rejeitaram Hitler. Porque todo mundo enlouqueceu.
“Meu pai pertenceu a brigada jovem do Hitler”, disse Gutfreund Keller, enquanto caminhava pela exibição com seu marido e duas filhas. “E difícil de entender”, ela disse resignada.
Viva Nova York
O campus da Universidade de “Long Island”, localizado no bairro do Brooklyn, estará administrando a partir de março, o começo da primavera por aqui, um curso de História chamado Hip Hop & Spoken Words (Hip Hop & Poesia), onde serão discutidos tópicos como as raízes, tanto africana como nova-iorquina da música Rap. Com direito, é claro, a discussões acaloradas sobre as famosas brigas entre seus astros e estrelas. A mais recente, entre as “divas” Lil’ Kim e Nicki Minaj.
As aulas lançarão um olhar sobre “a poesia e política que influenciaram o movimento cultural mais influente da nossa época,” disse o professor universitário, responsável por ministrá-las, o jovem de 35 anos, Bryonn Bain, poeta e anfitrião nascido no Brooklyn. “É tão importante estudar os grupos nacionalistas de Rap dos anos de 1960, e a poesia do artista Tupac Shakur, como estudar as obras do poeta Shelley e as do dramaturgo Shakespeare”, acrescenta.
Bain deu inicio as suas aulas no começo do ano com uma apresentação apaixonada de um dos poemas de Shakur, “Temple Worship” (Templo de Oração). As poesias dos próprios estudantes, que serão apresentadas nas estações do Metrô da cidade farão parte do curso.
Depois de mais de 35 anos na agenda cultural dos EUA, o gênero musical Hip Hop há muito tem sido visto como uma forma legítima de arte para ensinar tópicos acadêmicos, diz Michael Cirelli. diretor executivo do programa de poesia para jovens da ONG “Urban Word NYC”.
“O Hip Hop está sendo estudado por sua própria significância cultural,” afirma Cirelli. Na sala de aula, o estudantes gritam em voz alta nomes legendários como o do Dj Grandmaster Flash, e do dançarino de “break”, “Crazy Legs”, precursores dessa forma de arte.
“Ficarei nervoso,” disse Jamal Carr, um jovem de apenas 19 anos, estudante do primeiro ano. Ele espera aprender com a história do Hip Hop para conseguir seu próprio sucesso nesta área musical. “Entretanto, estou bem sério sobre a importância deste curso, tenho que ultrapassar esta barreira e ser resoluto quanto a isso.”
Bain brinca ter conseguido seu segundo diploma vendo diversas apresentações na casa de artes “Nuyorican Poets Café” localizada aqui no “east village”, a parte baixa no lado leste de Manhattan. Ele espera que as pessoas vejam oHip Hop e a poesia como uma ferramenta para justiça social e uma força política.
Como estudante de Direito da Universidade Harvard, no final dos anos 90, Bain passou três dias numa cadeia por um crime que não cometeu. Isto o levou a escrever “Lyrics on Lockdown” (versos sobre o xadrez – tradução livre), um monólogo poético baseado na experiência , e também na sua correspondência com um presidiário do Texas no corredor da morte.
“A linguagem é poderosa,” diz Bain. “Gostaria muito de engajar os jovens poetas, escritores, e pensadores nos versos do nosso tempo. Celebrando, mas também olhando criticamente.
No Brasil, mal aprendemos a história africana e suas ramificações na cultura brasileira nas escolas públicas. Imaginem, então, um curso universitário sobre a música Rap e sua influência na cultura do país nos últimos 35 anos. Se ficar esperando por isso em pé, com toda certeza, me cansarei.
Viva Nova York II
No dia 19 de Marco de 2006 comecei a escrever regularmente para a Afropress. Desde que mudei para Nova York, no começo dos anos 90 alimentava o sonho de poder escrever algum dia para a mídia brasileira.
Entretanto, o sonho só foi mesmo concretizado mais de 15 anos depois como que por acaso. Após ler na Folha uma matéria sobre a Afropress, entrei em contacto com o editor Dojival Vieira que, prontamente, fez, não só o convite para que eu passasse a mandar notícias da “big apple”, como também sugeriu o nome da coluna.
Nestes cincos anos escrevi sobre diversos assuntos com total liberdade. Meu editor favorito, Dojival Vieira , pegou, virtualmente, nas minhas mãos e ensinou-me como escrever boas colunas. Espero contar com seu apoio e também da Afropress para os próximos 5 anos. Thank you, Mr. Vieira!

Edson Cadette