Segundo seus defensores, com sua criação, o racismo teria sido prontamente eliminado. Entretanto, o que a vasta maioria dos brasileiros (aí incluidos tambem os afro-brasileiros) não sabe e que ela foi criada, não porque os negros vinham sofrendo discriminação desde sua Abolição em 1888, e os legisladores no país perceberam que a discriminação racial não era simplesmente latente, mas manifesta, impedindo o seu avanço social.
O que pouca gente sabe é que a Lei Afonso Arinos foi criada porque uma dançarina afro-americana foi barrada em um hotel em São Paulo um ano antes, causando um mal estar tremendo nas relações entre o Brasil e os EUA. Este episódio causou grande embaraço a nossa elite, que vendia ao mundo a imagem de um país em que já havia sido “resolvido” pacificamente o problema racial. O nome da dançarina: Katherine Durham.
Lembro me que escrevi um artigo quando faleceu, em 2006, onde buscava responder a questionamentos sobre sua passagem pelo Brasil. Aparentemente não somente esteve (não se sabe se para dançar), mas foi prontamente discriminada por causa da cor da sua pele. Após o incidente, o então senador mineiro Afonso Arinos, junto com o sociólogo Gilberto Freyre, então deputado por Pernambuco, à toque de caixa, criaram o projeto de Lei, que acabou sendo promulgada em apenas um ano.
O debate sobre a escravidão brasileira sempre foi convenientemente suprimido em âmbito nacional. Debater este tema é o mesmo que arrancar dente sem anestesia. Enquanto isso, a sociedade aceita com poucos questionamentos a posição do negro na hieraquia social.
A relutância das escolas estaduais em ensinar sobre a História da África e dos afro-brasileiros é apenas um dos muitos exemplos do racismo manifesto brasileiro. O mito da democracia racial se auto alimenta, apesar de dados mostrando sua falácia. Falem o que quiserem a respeito da sociedade norte-americana, mas diferentemente do Brasil, eles não empurram seu problema racial com a barriga, por mais espinhoso que o tema seja.
Vejam só a diferença, leitor(a). Recentemente, o candidato negro Barack Obama fez um discurso ao vivo sobre a questão racial. Ele conclamou o país a debater o tema abertamente. Vale à pena relembrar que a população afro-americana é apenas 12% de um total de mais de 250 milhões de cidadãos. Se os donos do poder no Brasil perguntassem ao negro como ele vê o preconceito/racismo, ficariam surpresos com as respostas que certamente receberiam.
Infelizmente, quando o tema é racismo no Brasil, a voz de indignação do negro brasileiro é rapidamente abafada. E assim, a sociedade segue esperando que o enorme problema desapareça no ar como as cinzas de um defunto jogadas do alto de algum arranha-céu em São Paulo.
ESGOTO À CEU ABERTO
Foi exatamente isto que uma grande amiga me disse há alguns dias quando nos falamos por telefone e comentei sobre o que estava acontecendo no Rio. Ela me disse que havia estado no Rio, no ano passado, e que a cidade mais parecia um grande esgoto à céu aberto. Eu estava planejando um outro título para esta coluna, mas o que ela me disse caiu como uma luva para o que eu queria escrever sobre a cidade.
O slogan da cidade do Rio de Janeiro deveria ser mudado para VERGONHA MARAVILHOSA. A cidade mais conhecida do Brasil mundialmente se encontra no meio de uma epidemia com o mosquito AEDES AEGYPTI (DENGUE) por causa da corrupção incompetência e burrice daqueles que tem como obrigação zelar pelo bem estar da cidade e por seus cidadãos. O mosquito da Dengue encontrou nas horríveis periferias da cidade, com seus esgotos à céu aberto, um habitat favorável para sua multiplicação. O número de mortes que vem ocorrendo a cada dia na cidade mostra o total despreparo da administração federal, estadual e municipal.
As declarações inóquas, tanto do governador Sergio Cabral como a do prefeito César Maia, não resolvem o problema. Só expõe e revelam a dissonância entre o prefeito e o governador, como também a incompetência de ambos para resolver um problema que deveria ter sido resolvido há pelo menos 50 anos.
A semana passada assisti atônito (não sei porque amadorismo, ignorância e corrupção relacionados à políticos brasileiros ainda me causam espanto) alguns vídeos do jornal RJTV. Mais uma vez, é notório o descaso com as populações de afrodescendentes que sofrem indiscriminadamente com o que anda acontecendo. A pobreza e o descaso estão estampados nos rostos tristes dos cidadãos que se encontram nas filas dos decrépitos hospitais do Estado. Diagnósticos errôneos por médicos incompetentes estão mandando crianças para a sepultura. O triste em tudo o que está acontecendo é que nenhuma autoridade é responsável pelo caos que o Rio vive ha mais de 20 anos. Corrupção endêmica, proliferação das favelas, violência policial, desrespeitos às regras e leis etc. A cidade com toda sua beleza natural parece como aquela deliciosa maça vermelha que após a primeira mordida você percebe que está toda bichada. O governador e o prefeito do Rio merecem aquilo que a Geni recebeu na famosa música do cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda. Eles merecem bosta na cara.
OBAMETRO
 A campanha do senador Barack Obama arrecadou 40 milhões de dólares no mês passado. O dobro da sua concorrente Hillary Clinton.
 A celeuma causada pelas declarações do Pastor Jeremiah A. Wright causaram menos estragos do que os céticos esperavam. Barack continua na frente quanto aos números de delegados e também nas intenções de votos. Em um confronto direto com o candidato republicano John McCain ele venceria as eleições em Novembro.
 O ex-presidente Jimmy Carter está sendo “pressionado” por quase toda sua família para apoiar Obama. Ao ser questionado qual candidato do partido Democrata apoiaria respondeu: “Minha esposa apóia Obama, meus filhos apóiam Obama, meus netos apóiam Obama. Como superdelegado nao posso declarar ainda meu apoio, mas acredito que para o bom entendendor as sugestões da minha família bastam, né?”
 O ex-presidente Jimmy Carter não é o único político democrata a ser persuadido pela família a votar em Obama. Os governadores dos estados de Pensilvânia, Wisconsin, Missouri e Kansas já foram cooptados por seus filhos a fazerem parte do “Obama Express”.

Edson Cadette