O crime foi uma clara demonstração de que os sulistas brancos estavam dispostos a usar qualquer método necessário para impedir a igualdade de direitos entre negros e brancos. Aposto meus suados dólares que pouca gente no Brasil sabe quem foi Evers, ou o que ele representou para o movimento dos direitos civis nos EUA.
Recentemente, o ministro da Marinha dos EUA, Ray Mabus, um ex governador de Mississippi, anunciou que batizaria um novo navio de mantimentos da Marinha como o nome de Medgar Evers. A viúva, Myrlie Evers-Williams presente a homenagem, visivelmente emocionada e com lágrimas nos olhos declarou:
“Eu penso em todos aqueles que verão esta embarcação em diferentes partes do mundo. E talvez eles também venham, a saber, quem foi Medgar Evers, e pelo que ele lutava antes de ser assassinado.”
O Ministro, a mulher e o irmão de Evers, Charles, estavam juntos ao lado de uma enorme fotografia em preto e branco do homenageado e uma tela com a cor do futuro navio.
Malibus tinha somente 14 anos de idade e vivia ao norte de Mississippi quando Medgar Evers foi morto. Ele serviu como governador do Estado entre 1988 e 1992, e disse que escolheu o nome de Evers para o navio da Marinha foi um pioneiro. “Ele estava comprometido com seu semelhante e também com o sonho de fazer dos EUA uma nação para todos os cidadãos”, disse.
Medgar Evers nasceu na pequena cidade de Decatur, em Mississippi, a 30 kilômetros ao leste de Jackson, a capital do Estado. Ele serviu ao Exército durante a II Grande Guerra Mundial lutando na França. Após a guerra, retornou a Mississippi, onde estudou na Universidade “ALCORN STATE” e, posteriormente, envolveu-se com o movimento dos direitos civis dos afro-americanos.
Após o assassinato, o então presidente, John F. Kennedy, pediu ao Congresso um sério projeto de Lei na área dos direitos civis. Evers está enterrado no Cemitério Nacional de Arlington, em Washington. Somente em 1994 seu assassino, Byron De La Beckwith, um supremacista branco foi condenado pelo crime.
A senhora Evers-Williams, que vive em Los Angeles e em Bend, no Estado do Oregon, agradeceu a Mabus por cumprir uma promessa feita há mais de 20 anos, de que iria encontrar um modo apropriado de comemorar o legado do falecido marido.
Ela disse que viajou a Mississippi para a cerimônia sem saber o que estava acontecendo, ou o porquê estava indo para lá, e brincou que os oficiais da Marinha e seus amigos no Mississippi fizeram um excelente trabalho mantendo o segredo.
“Missão Cumprida”, ela disse a Mabus com seu enorme sorriso de octogenária.
JORNAL NACIONAL
No ano passado, o Jornal Nacional completou 40 anos no ar. Dia 4 de Setembro, para ser mais exato. Na semana das comemorações, o único ancora negro do telejornal, Heraldo Pereira, contou com muita eloqüência um pouco da sua trajetória nas organizações Globo.
Disse, entre outras coisas, que sentiu um orgulho profundo quando reportou sobre o acidente automobilístico envolvendo João Carlos de Oliveira, o famoso atleta mais conhecido como João do Pulo. Lembrando que, como João do Pulo, tinha origem humilde no interior de São Paulo, e também também é negro.
Heraldo Pereira também falou sobre sua viagem a África do Sul (este ano ele voltou ao país por causa da Copa do Mundo), contando o absurdo do regime de segregação racial, o apartheid, onde ele e seus colegas brancos de trabalho ficaram hospedados em hotéis diferentes, e conseqüentemente tiveram que freqüentar lugares distintos porque ele era negro.
Entretanto, nestes anos todos como repórter, e agora comentarista político do Jornal da Globo, ele disse que o que mais o emocionou foi a viagem a Angola. Para ele foi uma emoção muito grande ter ido ao país e observado o lugar onde milhões de escravos saíram acorrentados para o Brasil.
Ele até mencionou que, talvez, um daqueles escravos pudesse ser um de seu antepassados. Foram aproximadamente cinco minutos de entrevista, em que o brilho de Heraldo Pereira ofuscou completamente William Bonner e Fátima Bernardes, os dois âncoras titulares do JN.
*O título original do artigo é “Medgar Evers: missão cumprida”

Edson Cadette