Em fevereiro deste ano, mais precisamente num domingo, após ver a final do Campeonato de Futebol na casa da namorada, Martin resolveu ir andando para sua casa. Por causa da temperatura baixa decidiu colocar o capuz do agasalho na cabeça.
Ao colocar o capuz, sem querer, Trayvon Martin se tornou alvo do estereótipo, segundo o qual, jovens afro-americanos, na faixa etária entre 17 e 25 anos, trajando certo tipo de roupa, inevitavelmente, está ligado a uma gangue.
Foi exatamente essa idéia que levou o vigilante comunitário de nome George Zimmerman a confrontar o adolescente. Na mente de Zimmerman, ali não era lugar para um jovem afro-americano vestindo agasalho com capuz. Para Zimmerman, Martin estava for a de seu habitat natural, ou seja, o gueto. O resultado é conhecido no mundo todo pela repercussão que o caso ganhou: a morte de Martin, abatido a tiros.
As autoridades da Florida, depois de muita pressão da mídia e também da comunicade afro-americana começaram a investigar o que realmente aconteceu entre o jovem e o vigilante comunitário.
Até mesmo o presidente Barack Obama, que não gosta de opinar sobre assuntos raciais declarou que se tivesse um filho, ele certamente se pareceria com o jovem Martin.
O caso está somente no começo. O promotor geral da União, Eric Holder, esta colocando todo o peso do Departamento de Justiça nas costas das autoridades da Flórida.
Passeatas por todo país tem acontecido em nome do Jovem Martin. É claro que nada o trará de volta. Entretanto, a punição exemplar do assassino de Martin, com toda certeza trará um pouco de paz a uma família que, certamente, pensava que estereótipos negativos sobre jovens afro-americanos eram coisa típica de Estados como o Alabama e o Mississipi dos anos 50/60.
A morte de Trayvon Martin mostrou que o racismo nos EUA continua impregnado nas relações entre negros e brancos. Se alguém tinha alguma dúvida disso, ela foi dissipada com a morte estúpida de mais um jovem afro-americano.
El Matador
Não sou muito de acompanhar touradas espanholas. Entretanto, li outro dia na revista esportiva “Sports Illustraded” um excelente artigo sobre um toureiro chamado Antonio Barrera, que despertou meu interesse.
Barrera tem 35 anos. Para os especialistas no assunto, seu auge nas arenas passou há, pelo menos, 10. Contudo, o espanhol cabeça dura acredita que ainda tem agilidade, destreza e frieza para matar um touro, mesmo com os castigos que seu corpo recebeu desde que iniciou sua carreira nas arenas.
No seu curriculo de toureiro consta que sangrou 23 vezes touros – mais do que qualquer outro matador atuando. Por causa de seus dedos e costelas quebradas, das cirurgias e machucados é conhecido como “Carne de Toros”.
Barrera já foi chamado até de “Rocky Balboa” das touradas, numa referência ao personagem criado por Silvester Stallone.
Apesar da fragilidade do corpo e da idade avançada para a profissão, Barrera se impôs cumprir uma promessa feita ao pai antes de morrer: enfrentar um Miúra, a raça mais feroz da Espanha.
Para ficar na historia como um dos grandes toureiros espanhóis, teria que enfrentar este último desafio, mesmo correndo o risco de pagar com a própria vida.
Reza a lenda que a razão para a força do Miúra é que no rancho onde são criados, o bebedouro fica numa baixada e todas as vezes que o animal tem sede precisa descer e depois subir a ladeira que separa o estábulo da ponte.
Barrera não tem medo de touros. Ele tem medo é de falhar, de fazer uma apresentação que outros considerem pífia. O touro, para ele, é o único amigo na arena. No momento em que pisa na areia, o que faz é tentar conectar-se com o animal para entender seu adversário; ganhar a confiança do touro.
Depois de enfrentar o Miúra e matá-lo, Barrera voou para o México para mais algumas apresentações. Na sua volta à Espanha para nova temporada, quase um ano depois da morte do pai, ele se apresentou em Sevilha.
Como tributo ao pai, está planejando um novo encontro com o temeroso Miúra na cidade de Bezier, para, quem sabe, realizar seu sonho – e também de todos os toureiros: cortar a orelha de um vivo.
Isso, é claro, se os médicos conseguirem suturá-lo e deixá-lo inteiro mais uma vez.
Viva Nova York
Um dos vagões da linha L do Metrô da cidade foi literalmente transformada num pequeno e aconchegante bistrô francês, com mesas, toalhas, prataria, e até mesmo um “Maitre d’Hotel”.
O evento foi concebido (em segredo, é claro) por Michael J. Cimino e Daniel Castano. No menu estava incluído caviar, “foi gras”, e “filet mingon”. Para a sobremesa uma pirâmide de chocolate “panna cotta” salpicada com folhas açucaradas douradas. Tudo isso acessível ao preço de uma passagem do Metrô, e feita com a precisão do “Big Ben”.
Os pratos foram degustados em meia hora. Os anfitriões do almoço – Cimino e Castano – são os criadores do famoso site de culinária “A Razor and a Shine Knife”.
O preço do almoço saiu por US$ 100.00, mas o dinheiro foi devolvido como um gesto de gratidão pela aventura. “Nós queremos nos desafiar”, disse Cimino saboreando um malte gelado e brindando a um futuro cheio de panelas quentes.
A próxima aventura? “Bem, isto e segredo”, acrescentou Cimino.

Edson Cadette