Tornei-me corinthiano meio que por acaso. Meu pai, que é são paulino, me levou até o Parque São Jorge para ver uma partida de juvenis entre o Corinthians e o São Paulo no final dos anos 60. O Corinthians ganhou de 1 a 0. A partir daquele instante foi uma identificação total com as cores preto e branco. Hoje acredito que meu pai arrependeu-se de me levar para ver aquela partida pois achava que o seu time ganharia e eu acabaria por seguir seus passos e me tornaria sãopaulino.
Lembro-me como se fôsse hoje de um episódio na casa de um amigo de infância são paulino. Estávamos ouvindo uma partida entre o Corinthians e o São Paulo. Depois do primeiro gol são paulino fiquei totalmente cabisbaixo. Porém, quando o jogador uruguaio Pablo Forlan fez o segundo comecei a chorar descontroladamente e saí correndo de sua casa com as lágrimas escorrendo pelo rosto. É claro que minha paixão pelo Corinthians foi só aumentando com o tempo. Até então, meu pai me levava juntamente com meus dois irmãos mais novos para ver jogos somente do São Paulo. Eu, é claro, reclamava em vão.
Em 1976 comecei a ir sozinho aos estádios. Aos 16 anos vi minha primeira partida do Corinthians no Estádio Paulo Machado de Carvalho, conhecido entre os paulistanos como Pacaembu. O timão ganhou do América de Rio Preto. No mesmo ano, o Corinthians arrastaria mais de 50 mil “fiéis” até o Rio de Janeiro para uma das partidas mais emocionantes de sua história. Dividindo o Estádio do Maracanã com a torcida do Fluminense, o Corinthians empataria o jogo no tempo normal e ganharia na disputa dos penaltes o direito de ir a final do campeonato Brasileiro daquele ano.
Fiquei vendo o jogo pela televisão no quarto do minha mãe porque fui proibido de ir Rio de Janeiro numa das centenas de caravanas que deixaram São Paulo com destino a cidade maravilhosa. Demorei muito tempo a perdoá-la.
13 de Outubro de 1977 caiu numa quinta-feira. Lembro-me que estava estudando inglês na escola Yazigi que ficava localizada no bairro do Ipiranga. Não se falava de outra coisa na cidade. Meu coração palpitava na sala de aula contando os minutos para a grande decisão. Assim que a aula terminou, corri para o ponto de ônibus para uma viagem de duas horas até o Estádio do Morumbi. Não perderia este jogo por nada deste mundo.
Comprei meu ingresso na geral. O lugar mais barato para se ver uma partida. Você fica bem atrás de um dos gols. Jamais me esquecerei a energia que emanava daquela multidão que esperava há 23 anos a oportunidade de gritar campeão paulista. Aos 36 minutos do segundo tempo, o jogador Basílio após um bate rebate na área da Ponte Preta pegou o rebote e meteu um foguete sem chance alguma para o goleiro Carlos ou a defesa da Macaca.
Finalmente o grito entalado na garganta dos corinthianos pôde finalmente sair de suas bocas em uníssono por toda a cidade.
Vendo neste documentário as imagens da eletrizante partida final com a vibrante narração do loucutor Osmar Santos (meu favorito na época) e os depoimentos de vários torcedores famosos, entre eles o cantor e compositor Toquinho, o jornalista Juca Kfouri, o publicitário Washington Olivetto, a jogadora de basquete Hortência e também o cantor de música Rap, Rappin Hood, foi como reviver um dos dias mais felizes da minha vida.
Depois da partida pulei no gramado juntamente com centenas de torcedores. Tive tambem a sorte de entrar no vestiário. Na época, uma senhora presenteou-me com um cartão emitido pela Federação Paulista de Futebol especialmente para aquela partida. Mesmo naquela confusão dentro do vestiário consegui o autógrafo de vários jogadores.
Não dá para descrever a emoção que foi ver o time do Corinthians e sua imensa torcida numa cumplicidade e numa alegria fantástica.
Viva Nova York
Final de ano com muito frio e neve em Nova York. A cidade está burbulhando com os turistas. O que não é novidade em se tratando de Nova York. Esta época é um pouco mais especial por causa das festas natalinas e da chegada do Ano Novo. Felizmente , a crise financeira que assolou o país nestes dois últimos anos está finalmente indo embora.
Porém, uma coisa precisa ser dita, com crise financeira ou não, a ilha de Manhattan não perde seu brilho natural.
Este ano, em particular, muitas estrelas de Hollywood estão trabalhando na ciddade. Como simples mortal que sou não estou imune aos brilhos de famosos atores e atrizes hollywoodianos. Aproveito para ir ver a peça Oleana. Uma das duas peças escrita pelo dramaturgo David Mamet em cartaz na cidade. A outra é Race.
Esta última será resenhada numa futura coluna. Oleana conta a história de uma aluna sub-letrada numa universidade não especificada que acusa seu professor, entre outras coisas, de assédio sexual. Nos papéis principais estavam Bill Pullman (Dia de Independência) e a belíissima Julia Stiles (A Profecia). É claro como um bom fã destas estrelas consegui que ambos autografassem o livreto da peça.
Feliz Ano Novo para todos (as)!
Nota da Redação
O articulista Edson Cadette, que há quatro anos escreve quinzenalmente para a Afropress como correspondente em Nova York, entra em férias merecidas durante este mês de janeiro, voltando a ter sua coluna postada regularmente a partir da primeira semana de fevereiro.

Edson Cadette