Fela Kuti, o musical, estreou na cidade em novembro do ano passado com elogios do principal jornal do país, o “The New York Times”. Foram quase seis meses de espera para assistir ao musical mais procurado na Broadway.
Para minha total felicidade a espera foi amplamente recompensada. Fela Kutti é imperdível para quem estiver de passagem pela cidade.
Não há palavras para descrever a emoção de ser transportado à uma época de grande agitação em toda África, no final dos anos 70. O continente mal havia saído das garras do colonialismo europeu. Entretanto, seus tentáculos seguiam manipulando generais africanos como se fossem marionetes.
Após viajar para Londres, onde foi enviado por seus pais para estudar Medicina (trocada depois pelo estudo da música), Nova York e a Califórnia, o Fela Kutti regressou a sua cidade natal para agitar a África com o ritmo “Afrobeat” – uma fusão de sons de várias partes do continente.
Inspirado por sua mãe, uma feminista e lutadora pelos direitos civis dos nigerianos, Fela Kutti cantava músicas altamente críticas ao corrupto e repressivo governo militar nigeriano. Sua intenção era ajudar os cidadãos africanos a se libertar das amarras mentais do colonialismo. Sua música tornou-se sucesso, não somente na África, mas também ao redor do mundo.
Por mais de duas horas experimentamos o clima de festa e também de tensão dentro do clube “Shrine”, onde as pessoas fumavam o famoso cigarro “igbo” e enchiam a cara. Do lado de fora centenas querendo entrar e a Polícia fazendo de tudo para mantê-las afastadas.
Havia bastante música, mas também uma mescla de leitura e ativismo sobre os problemas diários dos nigerianos, juntamente com rituais de Yoruba para uma tentativa de conexão com o mundo dos espíritos. Tudo isso fazia parte da procura pessoal de Fela em busca do “verdadeiro estilo africano”.
Fela brinca com a audiência num jogo de perguntas e respostas. Seus tópicos variam de acordo com sua disposição. Entretanto, os mais importantes são sempre sobre os corruptos generais nigerianos e as multinacionais petrolíferas que os mantém no poder sugando todas as riquezas naturais do continente, impunemente.
Por isso, não era novidade alguma que ao término de suas apresentações, já no amanhecer do dia, policiais o esperassem à saída para perturbá-lo, juntamente com suas “rainhas” dançarinas, a banda e a audiência. Dependendo do que fosse dito durante o show, o Kutti era levado diretamente para a cadeia, onde, não raro, apanhava e passava por sessões de tortura.
Fela! é uma história de coragem, paixão e amor, mostrando a exuberante música de Fela Kuti sob a visionária direção e coreografia de Bill T. Jones. Deixei o teatro gritando “Fela!” “Fela!’ “Fela!”
Mordomo
Eugene Allen trabalhou na Casa Branca durante 34 anos. Era da Virginia, um dos Estados Confederados que lutaram arduamente pela permanência da escravidão durante a guerra civil, entre 1861-1865. Allen começou na Casa Branca em 1952, numa época em que, negros usarem banheiro público na Virgínia era proibido por lei por causa da segregação racial.
Quando deixou a Casa Branca em 1986, durante o segundo mandato do presidente Ronald Reagan, certamente tinha sido testemunha não somente de momentos marcantes na história dos EUA, como também do movimento pelos direitos civis dos afro-americanos.
Em Janeiro de 2009, testemunhou a posse de Barack Obama, o primeiro presidente negro norte-americano. “Eu jamais teria acreditado”, disse ao periódico “The Washington Post”, ao assistir a cerimônia de posse. “Nos anos 40 e 50 havia um batalhão de coisas que você simplesmente era proibido não somente de fazer, como até mesmo de pensar. Você nem pensaria em sonhar que poderia sonhar com um momento como este”, confessaria.
Allen começou trabalhando como lavador de pratos e estocador de mercadorias no numero 1.600 da Avenida Pensilvânia antes de chegar à “Maitre d’ Hotel”, durante a presidência de Reagan.
Durante seus anos na Casa Branca, teve a felicidade de cruzar com artistas como Duke Ellington e Elvis Presley. Também conheceu Martin Luther King Jr. e viajou com Nixon à Romênia, onde participou de um jantar de gala oferecido por Reagan às autoridades daquele país.
Apesar de convidado pela viúva Kennedy, Jacqueline Kennedy, para o funeral do marido, Allen preferiu ficar na Casa Branca ajudando na preparação do jantar após o funeral. A senhora Kennedy o presenteou com uma das gravatas preferidas do presidente, que ele mantinha guardada numa moldura, enquanto viveu.

Edson Cadette