Diferente, é claro, do Brasil que insiste em mostrar ao mundo que não existe problema racial. Com esta atitude o negro brasileiro continua invisível dentro de seu próprio pais, sujeito à manipulação de sua história desde tempos da escravidão.
Os EUA, desde o momento que os primeiros escravos negros chegaram por aqui, sempre debateram seu papel dentro de uma sociedade, que foi fundada na máxima de que todos os homens foram criados iguais perante Deus.
Não se enganem aqueles escribas no Brasil que pensam que conhecem a história dos EUA. Muita gente que escreve para a nossa mídia não faz a mínima idéia do que a comunidade negra passou para que o senhor Obama pudesse chegar aonde chegou. Se perguntássemos a estes mesmos escribas qual foi o ultimo livro que leram sobre a comunidade afro-americana, certamente ficaríamos sem resposta.
É interessante notar também como os negros no Brasil com sua população de aproximadamente 49,3%, não se aceitam como comunidade, com sua história distinta na formação brasileira. A prova de que o negro continua invisível é a falta de celebração de sua liberdade do cativeiro há 120 anos.
O 13 de Maio, que foi certamente um divisor de águas na história brasileira, praticamente passou despercebido no país. Se o próprio negro no Brasil não sabe o valor de sua história, como espera que o resto da sociedade se interesse por ela?
Lendo as matérias que saíram na mídia brasileira sobre o momento histórico do senador Barack Obama, fiquei pensando como, em nenhum momento, foi feita uma comparação com a situação do negro no Brasil, e a possibilidade de algum dia surgir uma presença que galvanizasse a comunidade e a opinião pública do país como Obama.
Os pais fundadores dos EUA consideravam o escravo negro ¾ de uma pessoa. Para muitos ele não só era inferior como foi criado por Deus para servir ao homem branco. O negro não foi a causa da guerra civil norte-americana como muita gente pensa, mas certamente sua condição de escravo ajudou para que o país travasse uma batalha sangrenta.
Mas, a verdade é que sempre lutou para não deixar que ninguém esquecesse seu passado escravo. Com isto, a sociedade foi internalizando que seu mito de formação e a luta para sua independência da Inglaterra era somente parte da história.
É verdade também que, para que um progresso pudesse ser alcançado, o país teria que aceitar a dura realidade do racismo e com isto tentar resgatar a dignidade dos cidadãos negros.
Centenas de pessoas negras morreram na luta para que suas humanidades fôssem aceitas, entre as quais Martin Luther King Jr. e Malcolm X, os mais famosos.
Mas, se hoje a sociedade norte-americana pode orgulhar-se de estar às vésperas de eleger um cidadão negro como seu principal comandante, foi porque, diferente do Brasil, enfrentou os erros de sua história com coragem, não com confetes e bumba meu boi como foi e continua sendo o caso da sociedade brasileira.

Edson Cadette