Aos 40 anos, Carter pode ser considerado um velho estadista. Estou falando, é claro, do mundo da música Rap.
Especialmente se considerarmos o fato de que os rappers que apareceram antes dele, e entraram nos seus 30 e 40 anos, com um certo sucesso, fizeram mudanças radicais nas suas carreiras, dirigindo-se a Hollywood, ou tornando-se empresários. Isso, claro, quando não desapareceram do mundo artístico completamente.
Carter, que atualmente está envolvido em vários empreendimentos fora da sua área de atuação, está desfrutando um dos melhores anos de sua carreira.
Com o lançamento, em Setembro de 2010 do CD “The Blue Print 3”, seu décimo primeiro trabalho de estúdio, JAY-Z tem mais álbuns numeros 1 nas paradas dos EUA do que o rei do Rock & Roll, Elvis Presley.
Seu mais novo hino homenageando a cidade de Nova York “Empire State of Mind”, em que faz o dueto com a belíssima Alicia Keys, está tocando direto nas rádios há um ano e ameaça colocar para escanteio (pelo menos para a geração nascida nos anos 90) a música tema “New York, New York”, cantada, por ninguém menos, que Frank Sinatra.
Entre os seus investimentos,fora da área musical, está a “ROCAWEAR”, uma linha de roupas que co-fundou, em 1999, com Damon Dash. Em 2005, Carter comprou a parte de Dash no negócio por US$ 30 milhões. Dois anos depois, vendeu a companhia para o grupo ICONIX por US$ 204 milhões.
O rapper também tem investimentos no time de basquete de Nova Jersey, o New Jersey Nets, que no próximo ano estará de arena nova no bairro do Brooklyn.
Quando jovem, JAY-Z vendeu drogas e também se envolveu com o porte de armas. Mesmo assim, manteve a fama e o apelo de uma boa “aparência” não ameaçadora. Durante as poses para as fotos nos tempos do estilo “Gangsta Rap”, em que um dos sinais de rebelião ao “status quo” era fazer cara de mau para assustar o mundo dos protestantes brancos, já mostrava inteligência e talento para os negócios.
Apesar de uma reportagem no tablóide nova-iorquino “New York Post”, a respeito dos noventa e nove problemas de Carter, sugerir que nem ele estava imune à crise da economia nos EUA, citando como exemplo disso, o fechamento do seu clube 40/40, em Las Vegas, a verdade, porém, era outra.
As chances de seu cartão de crédito “Discover” ser rejeitado no refinado e caríssimo restaurante japonês “NUBLU” são tantas quanto a cidade de São Paulo não ser inundada na temporada de chuva no verão do ano que vem.
JAY-Z lançou seu álbum de estréia “Resonable Doubt”, em 1996, quando ainda era um jovem de apenas 26 anos. Foi um sucesso, tanto entre os milhões de fãs da música Rap no mundo, como também entre os críticos. Contudo, foi somente com a música “Hard Knocks Life”, chamada de hino do gueto lançada dois anos depois, é que ele provou que a sua música poderia ser ouvida e comprada também pelos jovens brancos dos ricos subúrbios do país.
Depois de alguns sucessos, JAY-Z decidiu religar seus botões e gravar o que para muitos é o álbum de sua carreira, o CD “Blue Print 2001”, usando como inspiração as canções antigas da música “Soul” , e também introduzindo para o mundo o jovem produtor chamado Kayne West.
“Este álbum foi como voltar as minhas raízes, como eu cresci”, disse aos jornais. Apesar de já ter escrito sua autobiografia em parceria com Dream Hampton, um ex editor da famosa revista de Hip-Hop, “The Source”, ele se nega a publicá-la, não obstante o grande interesse, e o sucesso praticamente garantido.
“Para o livro, eu fui entrevistado, e pessoas chegadas a mim também foram entrevistadas. Eu estava aprendendo um montão de coisas que não sabia enquanto criança. Não há nada que eu já não tenha falado nas letras das minhas músicas. É somente mais detalhado. Uma música dura somente 3 minutos. Um livro não precisa rimar, e também não há limite de tempo, e por isso você pode dizer exatamente como foi”, afirmou.
Contudo, a grande revelação no livro foi seu conturbado relacionamento com o pai, que abandonou a família quando ele tinha somente 11 anos. “No final das contas, foi errado que ele foi embora”, disse JAY-Z. “Mas ele ficou por perto numa época em que não era muito legal ou popular os pais fazerem isto. Meu pai casou com minha mãe, numa época em que os caras desapareciam, e muitas vezes você nem iria conhecer seu pai. Por essas razões eu afrouxei um pouco a maneira dura, com que encarava o meu pai.”
JAY-Z sabe que seu tempo nas paradas de sucesso está se esgotando. Porém, sua marca como o maior músico do gênero Rap dos últimos 30 anos jamais será apagada. Quando a conversa girar em torno da música Rap nos próximos 100 ou 200 anos, uma coisa e certa: Shaw Carter, ou JAY-Z estará entre os primeiros da lista.
Viva Nova York
Na última semana do ano passado, Nova York ficou praticamente soterrada por causa de uma nevasca. É claro que isso não impediu que o prefeito Michael Bloomberg fosse duramente criticado pela ausência de limpeza das ruas, que é feita pelo Departamento Sanitário. O prefeito, que não estava na cidade durante a tempestade, teve que voltar correndo das férias.
Para muita gente ficou a impressão de que,como Bloomberg está no terceiro, e último período de sua administração, não está assim tão preocupado com a cidade. Porém, a verdade é outra. Com os cortes em muitas áreas do serviço público para tentar diminuir o estratosférico déficit orçamentário, a Prefeitura, que estava sabendo da nevasca antecipadamente, preferiu não declarar estado de emergência, e com isso tentou economizar na contratação de serviços terceirizados para o trabalho de limpeza. O tiro, é claro, acabou saindo pela culatra.
O prefeito, que não gosta muito de receber criticas, “aceitou” as merecidas palmadas de bico calado.
Viva Nova York
O Estado de Nova York é o mais recente a aprovar uma emenda à Lei, autorizando o casamento entre homossexuais. Os outros são Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont, e também o Distrito de Columbia. Portanto, Nova York tornou-se o maior Estado da federação a ratificar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A aprovação do casamento entre homossexuais acabou sendo uma grande vitória para o movimento gay, que em 2009, viu as esperanças de mudança irem por água abaixo quando o mesmo Projeto, apresentado no Senado do Estado, acabou sofrendo uma humilhante derrota. Diga-se, de passagem, que, na época, a Casa Legislativa era controlada pelos democratas.
O movimento gay tem no atual governador do Estado, Andrew Cuomo, (fillho do ex-governador Mario Cuomo) um grande aliado. Desde sua eleição, o ano passado, Cuomo colocou a aprovação do casamento gay uma de suas principais metas.
É claro que a votação foi bem apertada, ou seja, foi aprovada com apenas 4 votos de diferença.
E é claro também que nem todos estavam felizes com a nova Lei. Numa declaração pública, a Liga de Bispos Católicos criticou o voto dizendo que “a passagem desta Lei aprovada pelo legislativo altera radicalmente, e para sempre, o entendimento humano e histórico do casamento e nos deixa profundamente desapontados e aborrecidos”.
O único político a fazer alguma declaração contrária foi o democrata do bairro do Bronx, Ruben Diaz Sr., ao afirmar que “Deus, e não Albany (capital do Estado) definiu o que é casamento anos atrás.”
A aprovação da Lei reflete também uma mudança nos sentimentos da população. Numa pesquisa realizada em 2004, somente 37% dos pesquisados disseram ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. A mesma pesquisa feita este ano, revelou que 58% são a favor do casamento homossexual.
Louis Armstrong
No dia 04 de julho passado, Dia da Independência dos EUA, Louis Armstrong faria 110 anos. O músico sempre comemorou quando vivo o aniversário nesta data, e só depois de morto se descobriu que nasceu num 04 de agosto. Nosso correspondente em Nova York, Edson Cadette, fez uma visita ao Museu Louis Armstrong e gravou esta entrevista. Veja.

Edson Cadette