Estavam reunidas nesta exposição 30 de suas mais famosas fotografias, mostrando as coisas em comum e também as diferenças na África do Sul, durante e depois do pesadelo do Apartheid. Das primeiras fotos, em preto e branco, com cenas da vida diária numa sociedade comandada por supremacistas brancos, às imagens mais recentes, exibindo paisagens naturais, suas lentes captam eloquentemente a essência da África do Sul.
Na Exposição, o passado e o presente são integrados numa narrativa que foge do espetáculo em busca do sutil. O senhor Goldblatt começou a fotografar profissionalmente no final dos anos 50, uma época em que novas e sistemáticas medidas de repressão do governo sul-africano foram introduzidas com a finalidade de destruir o movimento de libertação, que começava a ganhar corpo.
Organizações de resistências foram banidas, políticas de detenções policiais foram intensificadas, remoções forçadas da população negra de suas comunidades aumentaram, bem como o controle governamental da Imprensa. Com isso, o regime de separação entre negros e brancos foi brutalmente reforçado.
Nesse clima explosivo, o senhor Goldblatt não tentou capturar o drama da população não branca ou as demonstrações do poder ou da repressão; preferiu apontar suas lentes para o cotidiano das pessoas. Com isso, ou por causa disso, suas imagens mostram as complicações da vida do cidadão comum, do negro sul-africano, sob o regime do Apartheid.
Mostrando a vida em comunidades não brancas, o “status quo” dos nacionalistas “Afrikaners” ou a ate mesmo a disputa pela posse da terra, as fotos exibem algo de horrível e, ao mesmo tempo, algo que está cicatrizando.
A maneira como foram apresentadas nos mostraram como as coisas eram, como são e como poderão ser na África do Sul.
São Paulo I
A cidade é uma ilha de contradições. A cada viagem de regresso observo atentamente estas transformações tanto negativa, quanto positivamente. Havia estado em Sampa há quatro anos. Ainda não escrevia para este site. A cidade continua sofrendo amargamente por causa de sua precária infra-estrutura nas periferias e também por causa das condições de superlotação de seu transporte público.
Por mais que os ufanistas de plantão digam que o Metrô é limpo e eficiente, penso na população que usa este meio de transporte, e não tem a mínima idéia do que seja locomover-se pela cidade sem sentir-se como bovinos.
Para locomover-me, juntamente com minha filha, de um lado ao outro da cidade usamos o ônibus, o metrô e também o trem metropolitano. Ou seja: vivenciamos o drama diário da grande maioria dos paulistanos que precisam do transporte público para sua locomoção.
É verdade que o metrô, juntamente com os trens da CPTM tem a reputação de serem altamente limpos. Vi vários funcionários varrendo o chão das estações assim como passando um pano nos corrimões das escadas rolantes.
Entretanto, depois de usar estes meios de transporte por duas semanas, acredito sinceramente que a população da cidade estaria melhor servida se as linhas de trem e metrô fossem maiores e não tão assépticas.
Fiquei sabendo também que o Metrô de São Paulo, com uma população de mais de 11 milhões de habitantes, possui não mais de 60 estações. Enquanto isto, Nova York que não prima muito pela limpeza de seus trens e estações, tem um total de 455 estações. Agora mesmo, uma nova linha esta sendo construída na cidade com previsão para iniciar operação em 2015.
Além do mais, o Metrô não só não funciona 24 horas, como em várias linhas há operações com linhas locais e expressas. Não sei porque, mas enquanto usava o transporte público na cidade, o refrão de uma famosa musica do cantor Zé Ramalho não saia da minha cabeça. “Ê, ê, … vida de gado, povo marcado, povo feliz”.
São Paulo II
Uma amiga e também leitora desta coluna reclama comigo porque critico tanto a cidade. Ela me pede para escrever algo positivo sobre Sampa. Atendendo a seu pedido aqui vai algumas linha positivas sobre a vasta colméia paulistana.
1) Tomei uma ótima sopa numa padaria sofisticada conhecida como Galeria dos Pães, localizada nos Jardins;
2) Fui à Livraria Cultura, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta;
3) Comi um ótimo hambúrguer numa lanchonete chamada A CHAPA, com filiais por toda cidade;
4) Fui também ao velho centro da cidade para ver o filme Salve Geral, no recém reformado Cine Marabá. E, por último, mas não menos importante, bati um ótimo papo com o jornalista Daniel Piza que gentilmente, não só me recebeu em seu local de trabalho (ESTADÃO), como também autografou uma cÓpia do seu livro sobre o escritor Machado de Assis.
Nota da Redação
O Colunista de Afropress, Edson Cadette, que vive há 20 anos em Nova York, esteve em S. Paulo, para visitar a mãe, familiares e amigos, em companhia da filha Núbia, de três anos, e foi recebido em almoço pelo editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira. No almoço, Cadette também foi recepcionado por João Bosco Coelho, coordenador do Movimento Brasil Afirmativo.

Edson Cadette