Queens, Nova York –  A imagem mais comum associada ao “Black Panther Party” (Partido dos Panteras Negras) fundado no crepúsculo da década de 1960 é a da violência. E tambem dos notórios julgamentos dos ativistas acusados de subversão à ordem vigente. O lema dos panteras era a auto-defesa.

À época, uma equipe de jornalistas suecos comandados por Ingrid Dahlberg, resolveu entrevistar as figuras mais radicais aos olhos da grande mídia, começando pelo carismático Stockley Carmichael, um dos fundadores do partido, para a Companhia Nacional de Televisão Sueca. As imagens obtidas mostram a inteligência e a sofisticação destes jovens líderes. Ver a incredulidade no rosto da jovem Angela Davis, entrevistada na prisão sobre a inocência de seu entrevistador a respeito da situação dos afro-americanos não tem preço.

Durante décadas, estas, juntamente com outras imagens cinematográficas do movimento, mofaram num porão onde a televisão e a rádio sueca compartilhavam espaço, até que, por volta de 2007 (40 anos depois), um documentarista de nome Goran Hugo Olsson as descobriu enquanto vasculhavava o mesmo porão em busca de material para um documentário sobre o jovem cantor de soul Billy Paul, no topo das paradas com o seu classic “Me & Mrs. Jones”.

Com material de outras emissoras, Olsson montou o que podemos chamar de a espinha dorsal do documentário “The Black Power Mixtape: 1967 – 1975”.

O filme conta com entrevistas atuais em “off” de protagonistas como Davis, depoimentos da cantora Erika Badu e do “rapper” Talib Kweli.

O documentário reflete uma nova direção nos estudos da história da cultura afro-americana, expondo uma nova faceta dos muitos protagonistas estigmatizados por por terem um olhar diferente do senso comum. “O que estamos vendo é uma reavaliação do período chamado “Black Power” (Poder Negro),” afirma Peniel Joseph, professor da Universidade Tufts e autor do aclamado “Waiting ‘Til The Midnight Hour: A Narrative History of The Black Power In America”.

Muitos veteranos veem o período de ativismo mostrado no filme legitimado pela relevância da causa ainda hoje, mais de quatro décadas depois do surgimento dos Panteras Negras. “Porque o passado é composto por conflitos não resolvidos, mantendo a atenção das pessoas,” diz a professora de Direito Kathleen Cleaver, que foi secretária de comunicação do Partido. Cleaver foi casada com Eldridge Cleaver, o autor do classico “Soul on Ice”, um dos líderes dos Panteras. Ela tambem participa do documentário com um depoimento.

Trinta anos depois da entrevista com Carmichael, a jornalista Ingrid Dahlberg recebeu um telefonema dele que se preparava para ir a Cuba para um tratamento de câncer. Carmichael morreria na Guiné, na África, em 1.998,aos 57 anos.

Foi a primeira e única vez que ele a contactou desde a entrevista. “Ele não tinha muita esperança”, ela lembra. “Eu percebi que era uma chamada de despedida. Ficou claro que mesmo após estes anos todos, ele não havia me esquecido”, acrescenta.

Saí do cinema, tendo aprendido um pouco mais sobre a história recente dos EUA e sua relação com os afro-americanos. Uma relação  quase sempre conturbada como mostra a história dos Panteras Negras, resgatada no filme.

Pelicula II

Com imagens em preto e branco, uma lista longa de cantores e mais depoimentos de músicos como o legendário Smokey Robinson, o documentário “Rejoice & Shout” é capaz de estimular impulsos como o de sair correndo à procura da primeira Igreja Batista para ouvir os sermões e o coral de música gospel, até mesmo em ateus e céticos em geral.

A música gospel faz parte da cultura dos afro-americanos, desde os tempos da escravidão, dos rabiscos feitos nas paredes das senzalas nas grandes plantações, do êxodo para as grandes cidades do Norte, dos tempos da depressão, da Segunda Grande Guerra, do Movimento dos Direitos Civis, desembocando com o Fight The Power (Poder da Luta) na década de 1970, em que se insere o movimento dos Panteras Negras.

Um dos pntos altos do filme é a performance da cantora Mahalia Jackson, uma cabeleireira de Nova Orleans (Sul) cantando no programa popular “The Ed Sullivan Show”. Seu sucesso mostra o paradoxo da música gospel: Ela vendeu milhões de discos, mas era pouco conhecida nas paradas de música popular, ou até mesmo nas paradas do “rhythm & Blues”(R&B).

Até hoje, exceto por um extraordinário sucesso nacional como “Oh Happy Days”, cantado pela irmãs Edwin Hawkins, a música gospel afro-americana continua fora da programação das grandes rádios comerciais do país.

Apesar disso, o documentário mostra com muita precisão, a ligação e a importância do gospel na história da cultura afro-americana e tambem seu impacto e sua influência na cultura norte-americana, em geral.

Viva o Corinthians!

Todos os que gostam de futebol sabem que o Esporte Club Corinthians Paulista não é um time de estrelas. Cada jogador, cumpre simplesmente, o que é determinado pelo técnico Tite. Foi assim durante toda a edição da Copa Libertadores, ganha pelo clube, em pleno Pacaembu e ainda por cima, numa vitória inquestionável contra o Boca Juniors, da Argentina.

Naquela partida,  como nas anteriores, a equipe não mudou sua maneira de jogar. O velho Boca sentiu a pressão da torcida e a firmeza defensiva do Corinthians.

O título inédito na Libertadores premiou a seriedade e o profissionalismo, que começam a ser notados no futebol brasileiro, após anós de amadorismo e má gestão. Agora, que venha o Chelsea, na decisão do Mundial, em Tóquio. Vamos, Curinthia!

PS: Se o Corinthians tem dado sinais de profissionalismo na gestão, o amadorismo ainda faz parte da Sociedade Esportiva Palmeiras. É o que explica, o rebaixamento em 2012, uma década depois da primeira queda para a segunda divisão do futebol brasileiro, para a tristeza dos seus torcedores.

Edson Cadette