“To The Finland Station” (trad livre – Para a Estação Finlândia), escrito nas primeiras décadas do século XX é o tipo do livro difícil de deixar de lado depois de começar lê-lo. Por meio de suas páginas somos transportados no tempo e vivenciamos as experiências e frustrações de homens de grande envergadura intelectual diretamente envolvidos nas mudanças históricas ocorridas durante os séculos XVIII e principalmente o XIX.
Especialmente, na Inglaterra da revolução industrial, na Franca da revolução francesa e na Alemanha da filosofia.
Em outras palavras:lendo esta obra prima, observamos o que poderíamos chamar de surgimento de um continente mais “civilizado”, no qual o Iluminismo teve um papel importantíssimo, como se sabe. Que fique bem claro que, filosoficamente falando, a grande batalha travada por estes pioneiros sempre foi o relacionamento entre o poder do Estado e a liberdade individual.
Vivenciamos na leitura do livro as dores do parto de uma sociedade onde o poder da Igreja e dos senhores feudais está sendo substituído por uma burguesia ciosa pela defesa dos seus interesses de classe.
Podemos perceber também a ingenuidade de alguns dos atores do palco europeu em achar que os meios de produção poderiam ser controlados por todos dentro da sociedade. Em outras palavras: que não haveria distinção entre os habitantes de uma determinada sociedade, com interesses em conflito.
Um dos capítulos mais fascinantes do livro é o que trata da amizade entre o alemão Karl Marx, autor do “Magnus opus” “Das Kapital” (O Capital), e o anglo germânico Frederick Engels, este último, não apenas filho de um capitalista, mas também uma pessoa elegante, charmosa e considerado um bom papo, sem contar que também era poliglota.
Já Karl Marx, filho de um judeu ortodoxo, asfatado completamente dos dogmas da religião judaica, tinha sérias dificuldades em obter um trabalho fixo. Teoricamente, ele era um gênio, mas apesar da mente brilhante, sua família (esposa, filho e filhas) viveram por anos na penúria, destituídos de quase tudo.
A família de Marx chegou a ter seus bens bloqueados por falta de pagamento até para o açougueiro do local em que morava e perdeu dois filhos por causa das dificuldades financeiras por que passava.
Os capítulos finais são dedicados aos seguidores de Marx, entre os quais Lênin e Trotsky. Ao estabelecer os elos entre esses diferentes personagens, o livro trabalha com a idéia romântica de uma revolução que, como se sabe, como toda a revolução, é feita de sangue, suor e lágrimas e muitos sacrifícios.
Para a Estação Finlândia é um trabalho de uma grande imaginação histórica no que podemos chamar de mais criativo. O livro nos coloca no centro de sonhos revolucionários bem como visões de um passado que ainda hoje, em pleno século XXI, continua influenciando decisões tanto individuais como também coletivas.
To The Finland Station
Edmund Wilson
The Noonday Press

Viva Nova York
George N. Preston tem 74 anos. É um professor universitário aposentado pela Faculdade pública conhecida como “City College of New York”. Vive numa casa de três andares num bairro chamado Washington Heights juntamente com a esposa e também dois enormes cachorros.
A área está localizada na parte alta da Ilha de Manhattan, que é dividida entre negros e latinos. Os negros vivendo no lado oeste e os latinos, na sua maioria dominicanos, porto-riquenhos, entre outros, no lado leste.
Em 1948, aos dez anos de idade, num trabalho escolar o garoto Preston escolheu o Brasil no mapa mundi e escreveu uma redação sobre os pais e sua cultura. Desde essa época o Brasil nunca saiu de seu imaginário. Porém, foi somente em 1987, ou seja, 39 anos depois da sua redação que ele realizou seu sonho e visitou o país pela primeira vez.
Na última segunda-feira, dia 20 de Agosto, Preston recebeu em sua casa transformada no museu chamado “Origens & Arts” (Origem & Arte), o presidente do sindicato dos atores do Rio de Janeiro, Jorge Coutinho, e este correspondente.
Numa conversa de mais de trêshoras, o professor lembrou-se de sua primeira visita a Bahia (um lugar indicado por amigos), e a sua decepção em não ver na televisão local e na mídia em geral a mesma diversidade que encontrou nas ruas de Salvador.
Para Preston, aquela situação era estranha porque ele sabia da fama do Brasil como o país da democracia racial.Durante o longo papo sobre o continente africano e o Brasil, cercado por suas obras de arte africanas, livros e arte japonesa, o professor Preston deu não somente uma aula de história, mas mostrou também todo seu refinamento intelectual.
Viva Nova York II
Na esquina da Rua 22 com a 3ª Avenida, em Manhattan, está localizado um pequeno bistrô chamado Lamarca. Recentemente estive lá almoçando com o presidente do Sindicado dos Atores do Rio de Janeiro, o ator Jorge Coutinho, que se encontrava na cidade contactando seu colega e presidente do Sindicato dos Atores de Nova York, Mike Hodge para um “workshop” entre as duas entidades.
O pequeno bistrô certamente não acomoda mais do que 50 pessoas, o que, em se tratando de restaurante em Nova York é, certamente, um alívio. Digo isso porque somente um dia antes havia jantado juntamente com mais de 300 pessoas no “Sardi`s, um famoso restaurante localizado na caótica região da “Times Square”.
De qualquer forma, com um atendimento primoroso e solícito, Jorge Coutinho e eu, comemos uma deliciosa pasta e bebemos um excelente vinho francês ouvindo a refinada cantora de jazz Carmen Mccrae.
Após quase duas de bom papo e muito vinho deixamos o bistrô completamente felizes com a promessa de voltarmos novamente para saboreamos outras iguarias italianas.

Edson Cadette